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Destaques Econômicos CDL POA

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

Projeções para o Brasil*
(Unidades: descritas na tabela)

Fonte: Banco Central do Brasil / Relatório FOCUS (06/02/2026). *Mediana. Elaboração: AE/CDL POA.

Do ponto de vista da agenda de dados, destaque para a revelação da produção industrial referente a dezembro de 2025. O volume de bens diminuiu 1,2% contra novembro na série com ajuste sazonal, enquanto o consenso entre os respondentes entrevistados pelo Broadcast+ acusava -0,5%. Após as correções para baixo entre setembro e novembro, o parque fabril encolheu 1,9% no terceiro quadrimestre do ano passado. Em 2025, a alta somou +0,6%, de modo que houve grande dicotomia entre as principais categorias. A extração mineral subiu +4,9%, graças às condições climáticas favoráveis e ao seu perfil menos suscetível à perda de tração do crescimento da economia como um todo. Já a transformação decaiu 0,2% em virtude dos impactos do custo do crédito elevado e do tarifaço americano. Os números não alteraram a perspectiva para o PIB total em 2026, que permaneceu estacionado em +1,80%.

Outro fator importante envolveu a divulgação da ata da reunião do COPOM realizada no término de janeiro. Entendemos que o documento não trouxe novidades em comparação com o comunicado, apenas ratificando a sinalização de início dos cortes da Taxa SELIC a partir de março, diante do reconhecimento de desaceleração da inflação. Ao longo da última semana, o IPCA previsto para 2026 caiu pela quinta oportunidade consecutiva (de +3,99% para +3,97%), sobretudo em função da revisão do cômputo para fevereiro (de +0,53% para +0,50%), mais especificamente dos preços administrados – aqueles regulados por contratos ou cuja dinâmica apresenta interferência do poder público –, que saíram de +0,20% para +0,11%. É possível que a mudança seja uma adaptação defasada ao anúncio da redução de 5,2% do valor da gasolina praticado junto às refinarias.

No cenário internacional, tivemos um descasamento entre os indicadores dos setores secundário / terciário e do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Por um lado, os ISMs, obtidos através de sondagens qualitativas com os empresários, registraram incremento significativo em janeiro de 2026. No caso da manufatura, o índice atingiu 52,6 pontos (estatísticas superiores a 50 representam majoração no confronto com a janela imediatamente anterior). Logo, o termômetro veio consideravelmente acima das expectativas (48,9 pontos). Por sua vez, os serviços continuaram com expansão robusta (53,8 pontos). Em contrapartida, o saldo entre admitidos e desligados com carteira assinada na iniciativa privada alcançou 22 mil, de acordo com o Relatório ADP, ao passo que os analistas supunham 45 mil postos. Da mesma forma, o Relatório JOLTS (métrica da demanda por mão de obra) em dezembro de 2025 mostrou 6,54 milhões de vagas em aberto, ou seja, aquém da estimativa de 7,1 milhões.

Por fim, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa básica de juros em 2,0% ao ano, conforme amplamente esperado. Segundo a autoridade, a inflação deve estabilizar em torno da meta de 2,0% no médio prazo e o nível de atividade do bloco segue resiliente, a despeito do panorama externo bastante complexo. Em sua tradicional coletiva de imprensa, a Presidente Christine Lagarde afirmou que a política monetária encontra-se bem-posicionada no momento e que a apreciação do euro está incorporada nos prognósticos. Cabe ressaltar que as preocupações com as decisões de política nos EUA têm gerado fluxos de capitais para localidades distintas.

Avaliação da PNAD e do Novo CAGED – dezembro de 2025

PNAD – Brasil:

• De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação voltou a cair na transição do trimestre móvel encerrado em novembro para dezembro de 2025, de 5,2% para 5,1%;

• O resultado veio em linha com o consenso entre os agentes sondados pela Reuters, renovando a mínima da série iniciada em 2012;

• Nos dados com ajuste sazonal, houve queda de 5,49% para 5,35%: também o menor valor de todos os tempos;

• Por sua vez, a massa de rendimentos exibiu avanço real de 6,4% nos últimos 12 meses, frente aos 5,8% de novembro;

• É o maior ritmo desde março de 2025 (+6,5%);

• A taxa de informalidade apresentou pequeno declínio (de 37,7% para 37,6%);

• Estatística é uma das menores já registradas, lembrando que a média desde o quarto trimestre de 2015 é de 39,4%;

• Apesar dos sinais de resiliência, a evolução heterogênea de alguns dos recortes disponíveis na Pesquisa ao longo de 2025 nos traz um quadro que requer atenção;

• Do incremento do contingente ocupado ante 2024 (1,67 milhão), 54% (+898 mil) correspondeu à administração estatal, em contraposição aos movimentos na construção civil (-302 mil) e nos serviços domésticos (-243 mil). É bem verdade que a indústria (+300 mil) e o grupamento de informação, comunicação e atividades financeiras (+851 mil) mostraram expansão relevante;

• Se retirarmos o impacto do setor público, o crescimento da quantidade de empregados seria da ordem de +0,8% (e não de +1,7%);

• As pessoas com 14 anos ou mais, consideradas aptas a ofertarem sua mão de obra, aumentaram em 1,3 milhão. Contudo, a chamada “Força de Trabalho” sofreu majoração de apenas 630 mil, de tal sorte que o restante integrou a “População Não Economicamente Ativa” (679 mil);

Novo CAGED – Brasil

• A diferença entre recrutamentos e desligamentos com carteira assinada totalizou -618,2 mil em dezembro;

• Leitura ficou aquém da mediana dos prognósticos dos especialistas (-481,3 mil) e da verificada na mesma janela de 2024 (-555,4 mil);

• Tipicamente os números são negativos em decorrência: (a) do fim dos contratos provisórios visando ao atendimento da demanda inerente às festividades como Natal e Ano-Novo; (b) da entressafra de determinadas culturas;

• No ano de 2025 foram criados 1,28 milhão de vínculos, desacelerando em relação aos 1,68 milhão de 2024 e somente melhor do que 2020 (-189,4 mil) – ano caracterizado pelo auge da pandemia de COVID-19;

Análise: é inegável que o mercado de trabalho continua robusto, porém existem indícios de acomodação, conforme, inclusive, a percepção recente do Comitê de Política Monetária. Julgamos que o cenário tende a fornecer sustentação aos gastos das famílias no curto prazo, complementados pelos incentivos ao consumo oriundos do governo, com destaque para a ampliação do limite de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil mensais e a diminuição da alíquota incidente para aqueles que recebem até R$ 7.350 por mês. Todavia, esse é um vetor que fomenta a inflação, fundamentalmente no segmento terciário. Tal fato ajuda a entender o porquê o ciclo de redução da Taxa SELIC programado para começar na próxima reunião do COPOM, em março, será lento e gradual, com prováveis cortes de 0,5 ponto percentual.

Novo CAGED – Rio Grande do Sul:

• A geração líquida atingiu -36.707 postos no RS em dezembro de 2025;

• Trata-se do pior desempenho para o respectivo período desde a mudança na metodologia, a partir de 2020;

• Em 2025, as +46.277 vagas só ultrapassaram o constatado em 2020;

Saldo do CAGED – Rio Grande do Sul
(em unidades)

Fonte: Ministério do Trabalho. Elaboração: AE/CDL POA.

Na nossa visão, as evidências sugerem uma perda de fôlego no RS, por mais que a taxa de desemprego no estado tenha alcançado novamente a mínima histórica na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2025 (de 4,3% para 4,1%). A principal causa diz respeito à dinâmica do nível de atividade, de modo que o IBC, calculado pelo Banco Central, subiu +1,2% no acumulado do ano entre janeiro e novembro de 2025 no confronto com 2024 – metade da média nacional (+2,4%).

Data

09 fevereiro 2026

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