Novas concessões de Crédito Livre às pessoas físicas caíram 0,3% na comparação mensal. No acumulado em 12 meses a desaceleração continua, mesmo descontando-se as modalidades de Veículos e Renegociação. No total, concessões de Crédito só cresceram em bancos estatais.
Os dados do Banco Central apontam que o saldo de crédito no Sistema Financeiro atingiu R$ 3,01 trilhões em janeiro, com R$ 301,2 bilhões em novas concessões.
O Crédito às Pessoas Físicas totalizou R$ 1,43 trilhões, sendo R$ 170,5 bilhões em novas concessões. Desse total, apenas o Crédito Livre às Pessoas Físicas representou R$ 788 bilhões de saldo, sendo R$ 149,3 bilhões em novas concessões.(em var. % real sobre igual mês ano anterior)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % real sobre igual período do ano anterior)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA
Dentre as principais modalidades de Novas Concessões crédito às pessoas físicas, as variações mensais reais frente a igual período do ano anterior foram:
- Crédito Livre: -0,3% mensal, +3,8% no acum. em 12 meses;
- Crédito Livre (sem Veículos e Renegociação): +0,3% mensal, +3,9% no acum. em 12 meses;
- Renegociação e Cartão de Crédito Rotativo: +1,5% mensal, +6,2% no acum. em 12 meses;
- Aqusição de Bens (exceto veículos), ligado às financeiras: -28,9% mensal e -19,9% no acum. em 12 meses;
- Imobiliário: +50% mensal, +8,1% no acum. em 12 meses;
- Veículos (aquisição e arrendamento): -13,6% mensal, -5% no acum. em 12 meses.
Em termos de Inadimplência (percentual de valores emprestados em atraso), na comparação com dezembro/13, os dados apontam para as mesmas modalidades às pessoas físicas:
- Crédito Livre: 5,42% (queda de 0,24 ponto percentual (p.p.));
- Crédito Livre (excluindo Veículos, Renegociação de Dívidas e Cartão de Crédito Rotativo): 3,54% (queda de 0,1 p.p.);
- Renegociação e Cartão de Crédito Rotativo: 30,03% (aumento de 2,51 p.p.);
- Aqusição de Bens (exceto veículos), ligado às financeiras: 8,9% (aumento de 0,46 p.p.);
- Imobiliário: 1,91% (aumento de 0,2 p.p.);
- Veículos: 3,97% (queda de -1,4 p.p.).
Para o Rio Grande do Sul, os dados do Crédito às Pessoas Físicas apontam saldo de R$ 110,3 bilhões (variação real de +6,5% real em relação a igual mês do ano anterior).
Considerações da Assessoria Econômica
Os resultados de janeiro seguem a tendência de desaceleração verificada desde meados de 2014, e que se intensificou no último trimestre do ano.
Na comparação mensal com janeiro/2014 houve queda de 0,3% para o Crédito Livre às Pessoas Físicas (mas aumento de 0,3% – quando descontados créditos para Veículos e Renegociações). Contudo, mesmo descontando essas modalidades o indicador de Crédito Livre reduziu seu ritmo de crescimento no acumuldo em 12 meses de +4,3% para +3,9%. Considerando o indicador cheio, a redução foi de +4,3% para +3,8%.
Contudo, a desaceleração não foi mais forte pois o saldo de crédito cresceu nos bancos comerciais com controle estatal. Embora não seja possível segmentar entre saldo às pessoas físicas e jurídicas, os indicadores mostram que o saldo de crédito total nessas instituições cresceu 8,55% acima da inflação em janeiro – contra uma queda de 1,61% nas instituições privadas. No mesmo período de 2014 esse resultado também foi bastante discrepante: +16,5% nos bancos estatais contra +1,26% nos bancos privados.(em var. % real sobre igual mês ano anterior)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % real acumulada em 12 meses)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA
Mesmo no cenário de ampla incerteza, provocado pelo excesso de intervenção estatal na economia no primeiro mandato da administração Rousseff, os dados apontam que os bancos controlados pelo governo seguem a expansão de suas carteiras de crédito.
Pela capacidade que os bancos comerciais tem de criarem moeda conjuntamente com o Banco Central esse é um resultado que eleva ainda mais o alerta para a inflação em 2015. Mesmo com a recomposição parcial dos preços controlados artificialmente pelo governo a expansão do crédito através dos bancos estatais ajuda a manter a pressão sobre a demanda e, com isso, dificulta a redução dos preços na economia.
Outro ponto de destaque é que a Inadimplência das Pessoas Físicas com Crédito Livre (em valores) segue um processo de lenta aceleração. Muito embora esteja em patamar baixo, e com variações ainda negativas, a velocidade da queda é cada vez menor – podendo tornar-se um aumento nos próximos meses. O indicador manteve-se nos últimos sete meses muito próximo a 6% dos empréstimos da carteira com atraso superior a 90 dias.
Considerando também o desaquecimento no mercado de trabalho – o que impede o crescimento real na renda das famílias – e o cenário de inflação e juros altos, essas dificuldades podem se traduzir em um aumento na parcela da renda comprometida com dívidas. Nesse caso, a Inadimplência será um ponto de preocupação para 2015.
Por fim, como as restrições que impedem o crescimento mais acelerado da economia brasileira se mantém ativas, lembramos que nossa projeção para o mercado de crédito no cenário base é de crescimento de 1,21% acima da inflação no Brasil, e 0,73% no RS. No cenário pessimista, os limites são quedas de 1,55% no Brasil e 1,99% no RS.(var. em pontos percentuais contra igual período do ano anterior)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.