Indicador do Banco Central aponta crescimento muito abaixo do potencial da economia gaúcha em 2014. Resultado foi igual ao verificado na região em 2009.
O Índice de Atividade Econômica do Rio Grande do Sul (IBCR-RS) – aproximação para o PIB da região – apresentou crescimento de 2,9% frente a dezembro anterior. Os dados mostram as seguintes variações:
- contra dezembro/13: +2,9%;
- contra novembro/14: (com ajustes sazonais): -0,4%;
- no acumulado de 2014: +0,4%
- no acumulado em 12 meses: desacelerou de +0,5% para +0,4%.
(em var. % real)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % real acumulada em 12 meses)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA
Considerando os dados trimestralizados, verifica-se:
- contra 4º trimestre de 2013: -0,6%;
- contra 3º trimestre de 2014: (com ajustes sazonais): -0,2%.
Comparando os resultados do indicador com aqueles desagregados para os principais setores, as pesquisas por atividade apontaram:
- Agropecuária: estimativa de -0,5% na quantidade produzida;
- Indústria de Transformação: -0,1% real na comparação com dezembro/13;
- Varejo: -3,8% real sobre dezembro/13 (de acordo com o IBGE);
- Serviços (exceto Comércio, Financeiros e Públicos): +3,2% nominal em 12 meses; contudo, considerando a inflação do período pelo IPCA para o segmento (8,3%), estima-se variação real de -3,4%;
Por fim, o IBC-BR, indicador de atividade para a economia brasileira, apresentou desempenho pior em bases mensais: +0,7% contra dezembro/13 e -0,6% contra novembro/14, na série livre de efeitos sazonais. No acumulado em 12 meses o indicador fechou com queda frente a 2013: -0,2%.
Considerações da Assessoria Econômica
O crescimento da atividade econômica no Rio Grande do Sul no melhororu 3º trimestre, com o fim do efeito calendário provocado pela Copa do Mundo. Contudo, o desempenho não foi suficiente para mudar o quadro de desaceleração da economia em base anual.
O resultado do 4º trimestre foi uma queda de 0,6% em comparação ao mesmo período do ano passado. Ao contrário de 2013, o resultado não é superestimada pela Safra Agrícola. Logo, o crescimento da Agropecuária em 2014 agora ocorre sobre uma base forte – já que o desempenho de 2013 não sofreu com a estiagem, como ocorreu em 2012.
Assim, o acumulado em 12 meses do indicador para o Rio Grande do Sul confirmou crescimento da economia gaúcha pior que medíocre, abaixo daquele que marcou seus últimos 10 anos. Entre 2004 e 2013 o PIB gaúcho cresceu a uma média de 3,1% ao ano, em termos reais. No acumulado em 12 meses, o indicador de atividade econômica reduziu-se para apenas 0,4% contra igual período de 2013 – sendo que havia finalizado 2013 em 7,6%.
Já para a economia brasileira o cenário segue também a desaceleração e aponta uma recessão econômica em 2014, em -0,2%. Contudo, como o indicador não considera alguns setores em sua composição, é necessário esperar os resultados do PIB para
Assim, não descartamos que o crescimento de ambas economias – brasileira e gaúcha – tenham ficado entre nossos cenários Base e Pessimista ao final de 2014.
Para 2015, a atividade econômica deve se manter fraca. O indicador antecedente da OCDE para a economia brasileira mostra que a desaceleração no nível de atividade econômica deve se estender pelo menos ao início deste ano (2015).
A recomposição dos preços artificialmente controlados pelo governo deve continuar ao longo de 2015 – conforme as sinalizações do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Além disso, o baixo volume de investimentos do passado impede a expansão da capacidade produtiva hoje – mantendo as retrições de oferta.
Ademais, a prolongação da estiagem na região Sudeste dificulda a geração de energia hidroelétrica – a maior fonte energética no Brasil. Logo, com a necessidade de manter as usinas termoelétricas em funcionamento na rede – mais caras e poluentes – é provável maiores aumentos nas tarifas energéticas. Nesse cenário, a pressão dos custos é mais um fator que dificultará a expansão das economias brasileira e gaúcha.