Crédito Livre às pessoas físicas teve recuperação após abril negativo, mas crescimento acumulado em 12 meses segue em desaceleração.
Os dados do Banco Central mostram que o volume de crédito manteve-se em expansão em maio, porém novamente em velocidade menor. O saldo de total de empréstimos no país atingiu R$ 2,8 trilhões, sendo R$ 315 bilhões em novos empréstimos.
Considerando apenas os novos empréstimos às Pessoas Físicas:
- no Crédito Livre, aumento nominal de 9%, e real de 2,5%, em relação a maio/13;
- excluindoempréstimos para Veículos, Renegociação de Dívidas e Cartão de Crédito Rotativo do Crédito Livre, o aumento nominal foi 8,1%, e real 1,6%, em relação a maio/13;
- créditos para Renegociação e Cartão de Crédito Rotativo cresceram 14,3% nominal e 7,4% real, na mesma comparação, conjuntamente;
- crédito para Aqusição de Bens, ligado a financeiras, apresentou queda nominal 15,75%, e queda real de 20,8%.
(var. % nominal do mês contra mesmo mês no ano anterior)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: NI/CDL Porto Alegre
Em termos de inadimplência (percentual de valores emprestados em atraso), os dados do Banco Central apontam:
- 6,7% para o Crédito Livre às Pessoas Físicas, queda de 0,9 ponto percentual em relação à maio/13;
- 9% para empréstimos em Aquisição de Bens, vinculado a financeiras – queda de 1,2 p.p. na mesma comparação;
- 2% para o Crédito Imobiliário (queda de 0,2 p.p.);
- 5% para Aquisição de Veículos (redução de 1,3 p.p.).
Para o Rio Grande do Sul os dados são de abril, e mostram um saldo de empréstimos em R$ 99,7 bilhões às pessoas físicas (+17,2% nominal e +10,53% real em relação a abril/13).
Considerações da Assessoria Econômica
Os resultados de maio mantiveram o cenário de cautela em termos de empréstimos ao consumidor, após o aparente fim dos aumentos de mais de 3 p. p. Taxa SELIC pelo Banco Central.
Na margem, a comparação com o mesmo período de 2013 apontou crescimento real de 1,6% – descontados veículos e renegociações (empréstimos ou cartão de crédito rotativo). Como resultado, no acumulado em 12 meses esses novos empréstimos ao consumidor voltaram a cair, estando agora em 8,1% – contra 8,4% no mês anterior.
Novamente o destaque negativo foi o aumento nos empréstimos para renegociação de dívidas (via Cartão de Crédito Rotativo ou não). Na margem, o crescimento real foi de 14,3%, acelerando para 7,5% no acumulado em 12 meses. Esse é um resultado esperado, em função dos efeitos defasados do aumento da taxa de juros pelo Banco Central.
O cenário positivo de crescimento de empréstimos ao consumidor mesmo com crescimento de crédito para renegociação pode estar ligado à melhora na qualidade das carteirasefetuada pelo sistema financeiro após a queda forçada das taxas de juros em 2011.
Naquele momento as instituições financeiras optaram por reduzir os juros para clientes com melhor histórico de pagamento, o que permitiu uma expansão do crédito mais prolongada e de melhor qualidade.
Não só isso, o comprometimento da renda mensal das famílias com dívidas passadas mantém-se relativamente estável, mesmo com o aumento do volume de crédito imobiliário. Os dados do Banco Central mostram que já desde 2011 cerca de 21-22% da renda mensal das famílias está comprometida com dívidas passadas.
Entretanto, esse cenário de crescimento do crédito já aponta há varios meses uma moderação no seu ritmo de crescimento. Há dois fatores que estimulam essa moderação:
- No lado negativo, a redução no sentimento do consumidor frente à situação futura: ainda que otimistas, elas vêm caindo a uma média mensal de 7,4% a.m. desde junho/2013;
- Já no campo positivo, o mercado de trabalho aquecido pela menor oferta de trabalho manteve os salários em crescimento, o que contribui para aumentos reais de renda das famílias – e impede uma escalada da inadimplência.
Por fim, para 2014 mantemos nossa projeção de crescimento real dos novos empréstimos ao consumidor (Crédito Livre) em 5,78%.(em % da renda mensal, com ajuste sazonal; e em % da renda acumulada em 12 meses)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: NI/CDL Porto Alegre