Banco Central eleva a SELIC novamente em 0,25 p.p. como resposta à aceleração de fevereiro e março, mas fim do ciclo de aumentos agora é incerto.
Em comunicado oficial, o Comitê de Política Monetária do Banco Central informou que decidiu de forma unânime aumentar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, elevando a SELIC para 11% a.a.
Esse é o nono aumento consecutivoda taxa de juros, que já subiu 3,75 p.p. desde o final de abril do ano passado.
Em uma curta nota, o Banco Central informou que “irá monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.
O aumento ocorreu em linha com as expectativas, tanto no mercado como um todo quanto das instituições que mais acertam suas previsões.
A próxima decisão sobre a taxa de juros ocorrerá em 28 de maio.
Fonte: FOCUS/Banco Central do Brasil Elaboração: NI/CDL Porto Alegre
(SELIC em % a.a., IPCA em var. % acumulada em 12 meses)
Fonte: IBGE, FOCUS/Banco Central do Brasil Elaboração: NI/CDL Porto Alegre
Considerações da Assessoria Econômica
Conforme o gráfico acima, a inflação fechou 2013 em 5,91%, recuou para 5,59% em janeiro, mas voltou a acelerar em fevereiro para 5,68%.
Se em janeiro desse ano o índice de inflação veio bastante abaixo de 2013 (0,55% contra 0,86%), em fevereiro o indicador voltou a acelerar (0,69% contra 0,60% no ano passado). Não só isso, a prévia de março – o IPCA-15 – apontou variação de 0,73% contra 0,4% no mesmo mês do ano passado.
Esse cenário contribuiu para a continuidade do ciclo de aumentos dos juros. Conforme destacamos na última nota sobre o tema, em 27/02/2014, “o ciclo de aumentos deve ser interrompido agora, contanto que a inflação não registre aumentos expressivos em fevereiro e março”.
De acordo com nossas últimas notas, o grande problema está na expansão continuada dos gastos públicos, o que acaba por incentivar a demanda por bens e serviços em excesso na economia. Desde jul/2011 o superávit primário é constantemente menor, mesmo com as alterações contábeis do Governo para atingir a meta estipulada (gráfico abaixo, à direita).(em % ao ano)
Fonte: Banco Central do Brasil Elaboração: NI/CDL Porto Alegre.
(em R$ bilhões constantes (para dez/13, pelo IPCA), e var. %, respectivamente)
Fontes: STN; IBGE; Banco Central do Brasil. Elaboração: NI/CDL Porto Alegre.
Conforme alertamos na última nota sobre Taxa de Juros, a pressão sobre o Banco Central em função do calendário eleitoralpode fazer com que eventuais aumentos mais fortes ocorram apenas após as eleições.
Entretanto, no comunicado emitido o Banco Central deixou aberta a possibilidade de um novo aumento antes do período eleitoral, a ser determinado de acordo com os indicadores econômicos a serem divulgados.
Como consequência, o cenário de taxa de juros próxima a 11% ao longo da maior parte de 2014 mantém-se como o mais provável.
É importante destacar que esse cenário mantém o risco para a inflação elevada em função dos impactos de eventuais reajustes de energia, combustíveis e tarifas de transporte público – que não foram reajustados no ano passado.
Apesar dos aumentos na taxa de juros, o controle artificial de preços tentado pelo governo e a idéia de que seria possível reduzir os juros apenas pela vontade do Banco Central não produziram nem um nem outro. A inflação deve seguir pressionada em 2014, e mais uma vez acima de 4,5% – a meta do Banco Central. Além disso, pela primeira vez desde a adoção do Sistema de Meta de Inflação, a taxa de juros deve terminar maior do que no início de um governo (gráfico acima).
Para que a taxa básica de juros brasileira se aproxime das taxas internacionais é necessário alterar os fundamentos econômicos que fazem com que seja mais elevada: expansão acelerada de gastos públicos em custeio da máquina pública, e baixa de produtividade dos fatores (capital e trabalho).