Segundo os dados divulgados pelo IBGE, o Varejo Restrito no estado fechou com pequeno crescimento na comparação com agosto, já descontados os efeitos sazonais.
Os dados divulgados pelo IBGE apontam:
- crescimento de 0,31% em relação a agosto/2013, um mês onde o Varejo havia caído 0,37% na mesma base de comparação;
- na comparação com setembro/12, houve queda de 0,63%, basicamente em função do forte crescimento de setembro/12 (11,1%, na mesma base de comparação);
- entretanto, em 2013 o crescimento acumulado fechou em 3,43% em relação a 2012;
- em 12 meses o crescimento acumulado também se reduziu para 4,6%;
- no Varejo Ampliado, que inclui Veículos e Material de Construção, o crescimento foi de 12,5% em relação a setembro/2012, puxado por ambos setores adicionais;
- entre os segmentos com melhor desempenho na comparação com setembro/12 estão Veículos e peças (36,7%), Material de construção (18,4%) e Móveis e eletrodomésticos (9,8%).
Por fim, o Varejo restrito no Brasil teve desempenho melhor na comparação com agosto, com crescimento de 0,51%, totalizando aproximadamente R$ 57 bilhões em faturamento nominal.(em var. % real mês sobre igual mês ano anterior)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % acumulada em 12 meses)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA
Considerações da Assessoria Econômica
Em primeiro lugar, no mesmo mês do ano passado (setembro/12) o Varejo cresceu 11,1%, na mesma base de comparação. Como consequência, a comparação entre setembro/13 com setembro/12 acaba sendo afetada pela alta base de comparação no ano passado.
Quando comparamos setembro com agosto desse ano verificamos então um leve crescimento para o Varejo, recuperando-se do mês negativo que foi agosto. Esse desempenho marginalmente positivo reflete a tendência identificada de crescimento moderado para o Varejo em 2013.
Se analisarmos o 3º trimestre como um todo, o Varejo cresceu 3,4% em relação ao mesmo período de 2012, um resultado positivo, mas ainda assim abaixo do 2º trimestre (3,6%).
A tendência de expansão moderada que estamos verificando em 2013 é resultado de alguns fatores econômicos agindo em sentidos opostos, sendo do lado positivo:
- melhora nas expectativas dos consumidores, ainda que se mantenham no campo pessimista;
- crescimento moderado na renda das famílias em função do mercado de trabalho aquecido;
E, do lado negativo:
- expansão mais moderada do crédito, na comparação com o período 2010-2012;
- e aumento na taxa de juros;
- inflação ainda perto de 6%.
Ou seja, o Varejo continua em expansão, porém em ritmo mais lento que no mesmo período entre 2010 e 2012. Entretanto, os resultados de agosto e setembro surpreenderam negativamente. Nesse cenário, com acumulado em 12 meses se reduzindo para abaixo de 5% (4,63% em setembro), os resultados do final de ano podem surpreender com crescimento da receita real abaixo da tendência de 5,5% que vinha se desenhando desde janeiro.
Notas sobre a pesquisa do IBGE
Lembramos que em função da mudança na metodologia na pesquisa as comparações entre 2012 e anos anteriores poderiam estar superestimadas, o que não deve ocorrer para as comparações com esse ano. Como exemplo, citamos o setor de Comércio de alimentos, bebidas e fumo, que incluem Hipermercados e supermercados. Conforme o IBGE esse segmento cresceu 14% em volume de vendas apenas no estado, em 2012. Entretanto, comparando com dados da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), o crescimento das vendas em 2012 foi de 6,6% – um desempenho bastante inferior ao divulgado pelo IBGE.
Ainda conforme o IBGE, o Volume de Vendas é o faturamento real, ou seja, já descontado os efeitos da inflação. A Receita Nominal mede o faturamento nominal, sem descontar os efeitos da inflação. A pesquisa do IBGE verifica apenas empresas com, no mínimo, 20 funcionários.