Os dados do Banco Central sobre o volume de crédito mostram que o ritmo de crescimento em setembro manteve a recuperação iniciada a partir de junho, na comparação com o ano passado.
O saldo de empréstimos no país atingiu R$ 2,59 trilhões, sendo R$ 298 bilhões em novos empréstimos (aumento de 15,3% em relação a setembro/12).
Considerando apenas os novos empréstimos (concessões) a Pessoas Físicas:
- no Crédito Livre, aumento de 15,8% em relação a setembro/12 ;
- excluindo empréstimos para Renegociação de Dívidas e aquisição de Veículos, houve aumento 22,6% em relação a setembro/12;
- Cartão de Crédito, excluindo renegociação de dívidas, novamente foi quem mais cresceu: 45,9%;
- Crédito para Veículos apresentou recuperação após 3 meses em queda, 12,8%;
- já dentro dos recursos Direcionados, o Crédito Imobiliário cresceu 33,7% na comparação com o ano passado.
(var % nominal sobre igual mês ano anterior)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
Já em termos de Inadimplência, os dados do Banco Central apontam:
- 7% do valor emprestado a Pessoas Físicas, queda de 1,16 ponto percentual em relação à setembro/12;
- 8,9% para empréstimos em Aquisição de Bens (exclui Veículos), vinculado a financeiras – queda de 2,4 p.p. no mês;
- 2,1% para o Crédito Imobiliário (estável na comparação mensal);
- 5,7% para aquisição de Veículos (redução de 1,4 p.p.).
Para o Rio Grande do Sul os dados são de agosto, e mostram um saldo de empréstimos em R$ 89,2 bilhões (+17,7% em relação a agosto/12), e uma taxa média de inadimplência de 3%, redução 0,8 p.p.
Considerações da Assessoria Econômica
Após ter apresentado crescimento moderado até maio o crescimento do Crédito ao Consumo no Brasil voltou a acelerar, especialmente quando desconsideramos empréstimos destinados à renegociação de dívidas e veículos.
Favoreceram esse movimento:
- a redução da inadimplência nos últimos meses;
- o crescimento da renda das famílias acima da inflação;
- e especificamente nos últimos 3 meses a redução da inflação em alimentos, ainda que o índice geral permaneça perto de 6%.
Em termos de inadimplência destacamos a tendência nos últimos meses. Após ter apresentado relativa estabilidade no fim do segundo semestre, o indicador do Banco Central voltou a cair, tal qual o indicador calculado pela CDL Porto Alegre.
Salientamos que os percentuais desses indicadores não são comparáveis, pois o indicador do Banco Central mede os valores em atraso (em R$), enquanto o indicador da CDL Porto Alegre mede o percentual de pessoas com dívidas em atraso (ambos após 90 dias).
Para os próximos meses entendemos ser prudente esperar a divulgação dos novos dados para verificiar se essa nova aceleração é momentânea, ou se é uma mudança na tendência.
Nota Metodológica
Os dados de crédito se dividem em dois grandes grupos, conforme a classificação do Banco Central:
- Crédito Livre:
- concedido a empresas e pessoas para quaisquer fins, com taxas de juros acertadas livremente entre as partes;
- principais categorias para Pessoas Físicas: Empréstimo Pessoal, Cartão de Crédito, Aquisição de Veículos e Outros Bens, Renegociação de Dívidas.
- Crédito Direcionado:
- é canalizado para usos específicos (compra de imóveis, produção rural, investimentos em capital produtivo, etc.), com taxas de juros acertadas livremente ou reguladas por autoridade competente;
- principais categorias para Pessoas Físicas: Crédito Rural e Crédito Imobiliário.
- : empréstimos para plantio de lavoura através do Crédito Rural.
Em maio/13, o Crédito Livre para Pessoas Físicas representou 62,5% do estoque de crédito no mercado, enquanto o Direcionado representou 37,5%.(em % dos valores emprestados com atraso acima de 90 dias)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.