Os dados do Banco Central sobre o volume de crédito em maio mostram que o ritmo de crescimento apresentou leve aceleração em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado.
O saldo de crédito no país foi de R$ 2,6 trilhões, sendo R$ 300,7 bilhões em novos empréstimos (aumento de 8,5% em relação a agosto/12).
Considerando apenas os novos empréstimos a Pessoas Físicas:
- O Crédito Livre cresceu R$ 18 bilhões, 15,8% em relação a agosto/12 ;
- Excluindo empréstimos de renegociação de dívidas e aqueles para compra de Veículos: aumento de R$ 16,7 bilhões, 20,5% em relação a agosto/12;
- Cartão de Crédito, excluindo renegociação de dívidas, novamente foi quem mais cresceu: 57%;
- Crédito para Veículos apresentou forte queda, -18,2%;
- Já dentro dos recursos Direcionados, o Crédito Imobiliário desacelerou no mês, crescendo 16,4%, em comparação aos 18,9% de agosto/12 e 41,5% de julho.
(var % nominal sobre igual mês ano anterior)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
Em termos de Inadimplência, os dados do Banco Central apontam uma taxa média para pessoas físicas de 7,1%, queda de 1,11 ponto percentual em relação à agosto/12, considerando apenas os Recursos Livres. Abrindo em modalidades, temos:
- 9,2% para empréstimos em Aquisição de Bens (exclui Veículos), vinculado a financeiras – queda de 2,6 p.p.;
- 2% para o Crédito Imobiliário (estável em relação a agosto) e 5,8% para aquisição de Veículos (redução de 1,2 p.p.).
Para o Rio Grande do Sul os dados são de julho, e mostram um saldo a pessoas físicas R$ 87,4 bilhões (+18,5% em relação julho/12), e uma taxa média de inadimplência de 3,1%, redução 0,69 p.p.
Considerações da Assessoria Econômica
Após ter apresentado crescimento moderado até maio o crescimento do Crédito no Brasil voltou a acelerar, especialmente quando desconsideramos o crédito à renegociação e à aquisição de veículos.
Favoreceram esse movimento
- a redução da inadimplência nos últimos meses;
- a redução do endividamento das famílias com crédito não-imobiliário, o que ajuda a recompor o saldo de crédito disponível para empréstimos.
Em termos de inadimplência destacamos a tendência nos últimos meses. Após ter apresentado relativa estabilidade no fim do segundo semestre, o indicador do Banco Central voltou a cair, tal qual o indicador calculado pela CDL Porto Alegre.
Salientamos que os percentuais desses indicadores não são comparáveis, pois o indicador do Banco Central mede os valores em atraso (em R$), enquanto o indicador da CDL Porto Alegre mede o percentual de pessoas com registros de inadimplência após 90 dias.
Para os próximos meses entendemos ser prudente esperar a divulgação dos novos dados para verificiar se essa nova aceleração é momentânea, ou se é uma mudança na tendência. Em termos de inadimplência, os dados mostram que aumentos na taxa SELIC devem começar a surtir efeito a partir de setembro, 5-7 meses depois do primeiro aumento, ocorrido em abril.
Nota Metodológica
Os dados de crédito se dividem em dois grandes grupos, conforme a classificação do Banco Central:
- Crédito Livre:
- concedido a empresas e pessoas para quaisquer fins, com taxas de juros acertadas livremente entre as partes;
- principais categorias para Pessoas Físicas: Empréstimo Pessoal, Cartão de Crédito, Aquisição de Veículos e Outros Bens, Renegociação de Dívidas.
- Crédito Direcionado:
- é canalizado para usos específicos (compra de imóveis, produção rural, investimentos em capital produtivo, etc.), com taxas de juros acertadas livremente ou reguladas por autoridade competente;
- principais categorias para Pessoas Físicas: Crédito Rural e Crédito Imobiliário.
- : empréstimos para plantio de lavoura através do Crédito Rural.
Em maio/13, o Crédito Livre para Pessoas Físicas representou 62,5% do estoque de crédito no mercado, enquanto o Direcionado representou 37,5%.
Total de novos empréstimos e empréstimos ainda não quitados (em atraso ou não).(em % dos valores emprestados com atraso acima de 90 dias)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.