Em comunicado oficial, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu de forma unânime aumentar a taxa de juros em 0,5 ponto percentual, elevando a SELIC para 9% a.a.
Esse é o quarto aumento consecutivo da taxa de juros, que já subiu 1,75 p.p. desde o fim de abril.
Sem mudanças em seu comentário oficial, o Banco Central entende que “ a decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”.
O aumento ocorreu em linha com as expectativas do mercado, tanto no mercado como um todo quanto das instituições que mais acertam suas previsões.
Para o final de 2013, o mercado espera taxa de juros em 9,5% a.a., cenário que implicaria ainda em um aumento total de 0,5 p.p. até dezembro. Entretanto, as projeções do Top 5, o conjunto de instituições que mais acertam suas conjecturas, apontam para um aumento menor, totalizando 9,25% a.a. ao final de 2013.
Quanto à inflação, as expectativas estão novamente divididas. A mediana do mercado espera o índice oficial fechando em 5,76% a.a. em dezembro, enquanto que as instituições que mais acertam projetam inflação mais alta: 5,92% a.a.
A próxima decisão da taxa de juros ocorrerá em 9 de outubro.(em % a.a. – final de período; em var % acumulada para dez/13, respectivamente)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
(em % a.a. – final de período; em var % acumulada em 12 meses, respectivamente)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
Considerações da Assessoria Econômica
Conforme o gráfico acima, a inflação acumulada em 12 meses em julho foi de 6,27%. Apesar do compromisso assumido pelo Banco Central em trazê-la para 4,5% a.a., a inflação não se aproxima da meta desde 2011.
Esse comportamento não é causado por aumentos localizados nos preços de poucos bens, já que hoje os aumentos ocorrem em qualquer tipo de produto: tanto nos que sofrem competição com importados quanto nos que não sofrem.
Outro problema é a dificuldade do governo em manter o orçamento sob controle e cumprir a meta de superávit primário. Desde jul/2011 o superávit primário é constantemente menor, mesmo com as alterações contábeis do Governo para atingir a meta estipulada.
Há também um problema adicional: a instabilidade no mercado de câmbio, que elevou a cotação do Dólar americano, pode implicar em repasse de no aumento dos preços. Isso porque a competição com importados fica menor e, em um ambiente onde a economia já produz perto do limite de sua capacidade, não há como ofertar mais bens.
O gráfico abaixo mostra que o maior impacto do câmbio sobre todos os produtos acontece de 3 a 6 meses depois do aumento do Dólar.
Nesse cenário, o aumento de juros necessário para manter a inflação dentro da banda estipulada pode acabar sendo maior que o Banco Central esperava inicialmente. As expectativas do mercado e a Ata da reunião do BCB, a serem divulgadas na próxima semana podem apontar nesse sentido.(em R4 bilhões constantes acumulado em 12 meses – IGP-DI jul/13)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
(eixos esquerdo e direito, respectivamente)
Fonte: IBGE; Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.