Em comunicado oficial, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu de forma unânime aumentar a taxa de juros em 0,5 ponto percentual, elevando a SELIC para 8,5% a.a.
Esse é o terceiro aumento consecutivo da taxa de juros, que já subiu 1,25 p.p. desde o fim de abril.
Sem mudanças em seu comentário oficial, o Banco Central entende que “ a decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”.
O aumento ocorreu em linha com as expectativas do mercado, ao contrário da surpresa da última reunião, quando houve aumento acima do esperado.
Para o final de 2013, o mercado espera taxa de juros em 9,25% a.a., cenário que implicaria ainda em um aumento total de 0,75 p.p. até dezembro.
Quanto à inflação, as expectativas estão divididas. A mediana do mercado espera o índice oficial fechando em 5,78% a.a. em dezembro, enquanto que as instituições que mais acertam projetam inflação mais alta: 5,83% a.a.
A próxima decisão da taxa de juros ocorrerá em 28 de agosto.(em % a.a. – final de período; em var % acumulada para dez/13, respectivamente)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
(em % a.a. – final de período; em var % acumulada em 12 meses, respectivamente)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.
Considerações da Assessoria Econômica
Conforme o gráfico acima, a inflação acumulada em 12 meses em junho foi de 6,7%. Apesar do compromisso assumido pelo Banco Central em trazê-la para 4,5% a.a., a inflação não se aproxima da meta desde 2011.
Esse comportamento não é causado por aumentos localizados nos preços de poucos bens, já que hoje os aumentos ocorrem em qualquer tipo de produto: tanto nos que sofrem competição com importados quanto nos que não sofrem.
Outro problema é a dificuldade do governo em manter o orçamento sob controle e cumprir a meta de superávit primário. Ou seja, já desde 2009 os gastos do governo crescem constantemente, o que alimenta ainda mais a demanda e, com isso a inflação.
O gráfico abaixo à esquerda mostra o crescimento do consumo do governo contra a demanda das famílias. Claramente percebemos que desde o final de 2009 o governo tem aumentado seus gastos mesmo com a demanda aquecida.
Conforme as projeções de algumas instituições financeiras seria necessária uma taxa de juros perto de 10% a.a. para trazer a inflação para 4,5% ao final do ano: um cenário pouco provável.
Além disso, o efeito da taxa de juros sobre a inflação ocorre meses depois, e não no exato momento de seu aumento. Conforme o gráfico abaixo à direita, o efeito mais forte sobre a inflação ocorre entre 15-18 meses após o primeiro aumento dos juros.
Nesse caso, o resultado é que ao ter retardado o aumento dos juros pensando em manter a atividade econômica o Banco Central apenas trocou mais inflação ontem por mais inflação hoje e amanhã, sem ter obtido ganhos em crescimento do PIB. Além disso, o custo de trazer a inflação para a meta se torna cada vez maior, enquanto mais tempo passar até que isso ocorra.(em var. % real acumulada em 4 trimestres)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
(var. em pontos percentuais sobre igual mês ano anterior)
Fonte: IBGE; Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA. OBS: Ciclo da Taxa de Juros SELIC obtido pelo Filtro HP (lambda = 14400)