Os dados divulgados pelo IBGE apontam que o volume de vendas no Comércio Varejista no Rio Grande do Sul recuou 0,8% em abril, na comparação com março, já descontados os efeitos sazonais. Os dados também apontam que:
- apesar da queda, abril/13 foi melhor que abril/12: crescimento de 2,4%;
- no acumulado em 12 meses houve crescimento de 6,56%, menor que em março/13 (6,92%);
- assim, o setor acumulou crescimento de 3,52% nos primeiros 4 meses de 2013;
- em termos de faturamento nominal, abril/13 representou aproximadamente R$ 7,34 bilhões;
- considerando Veículos e Materiais de Construção, houve crescimento de 7,3% acumulado em 12 meses, e 11,13% entre janeiro e abril de 2013.
Para o Brasil, os dados apontam um quadro um pouco diferente apenas no desempenho de abril:
- crescimento de 0,51% na comparação com março/13;
- no acumulado em 12 meses o Varejo atingiu 6,42% de crescimento, e 3,01% nos 4 primeiros meses do ano;
- o faturamento nominal em abril foi de R$ 50,97 bilhões (sem descontar a inflação).
(em var. % real mês sobre igual mês ano anterior)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.
(em var. % real sobre igual período ano anterior)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA
Considerações da Assessoria Econômica
Apesar da queda em abril na comparação com o mês passado, os dados mostram que o mês ainda assim foi melhor que abril em 2012.
Um ponto de atenção é a grande diferença no desempenho do Varejo quando são incluídos os setores de Veículos e Material de Construção, o que contribui positivamente para o desempenho do setor.Uma hipótese que pode explicar esse desempenho está na maior disponibilidade de crédito imobiliário, através de programas do governo, especialmente para pessoas com níveis de renda mais baixo e que ainda não tenham um imóvel.
Quanto ao desempenho do Varejo gaúcho como um todo, destacamos que:
- seu desempenho está mais ligado a variáveis afetadas pela conjuntura nacional que regional;
- entre essas variáveis estão
- maior capacidade de compra das famílias pelo crescimento da renda acima da inflação;
- maior estabilidade do emprego em função do mercado de trabalho aquecido;
- e crédito à pessoa física em expansão – ainda que moderada
- e um fator local importante, que é a recuperação do desempenho agrícola do estado.
Conforme a Nota Econômica nº 15 (15/05/2013) salientamos que era esperada uma moderação da taxa de crescimento do Varejo durante os próximos meses, com posterior aceleração no fim do ano. Os dados comprovam essa expectativa e acreditamos não haver motivos para alguma alteração brusca dessa tendência.
Por fim, chamamos a atenção para a alta taxa de inflação e os eventuais aumentos na taxa de juros, que podem prejudicar o desempenho do Varejo.
Especificamente quanto à inflação, lembramos que ela exige aumentos de salários maiores para manter o poder de compra das famílias crescendo. Como o custo de mão-de-obra já é considerável dentro das empresas, especialmente no setor de Serviços, há cada vez menos espaço para aumentos reais na renda das famílias.
Notas sobre a pesquisa do IBGE
Lembramos que em função da mudança na metodologia na pesquisa as comparações entre 2012 e anos anteriores poderiam estar superestimadas, o que não deve ocorrer para as comparações com esse ano. Como exemplo, citamos o setor de Comércio de alimentos, bebidas e fumo, que incluem Hipermercados e supermercados. Conforme o IBGE esse segmento cresceu 14% em volume de vendas apenas no estado, em 2012. Entretanto, comparando com dados da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), o crescimento das vendas em 2012 foi de 6,6% – um desempenho bastante inferior ao divulgado pelo IBGE.
Ainda conforme o IBGE, o Volume de Vendas é o faturamento real, ou seja, já descontado os efeitos da inflação. A Receita Nominal mede o faturamento nominal, sem descontar os efeitos da inflação. A pesquisa do IBGE verifica apenas empresas cujas lojas tenham, no mínimo, 20 funcionários. Ainda que a empresa como um todo possua mais de 20 funcionários, uma loja só fará parte da pesquisa se tiver tal número de empregados naquela unidade.(em var. %acumulada em 12 meses)
Fonte: IBGE. Elaboração: AE/CDL POA.