Por que os indicadores de inadimplência estão recuando?

Por que os indicadores de inadimplência estão recuando?

16

OUTUBRO, 2020

Notícias

De acordo com as instituições participantes do Relatório FOCUS, do Banco Central, o PIB do Brasil encolherá -5,03% em 2020 – maior retração para um único ano em toda a série histórica, iniciada em 1901. Apesar do tombo projetado para a atividade econômica, os índices de restrição ao crédito apresentaram declínio nos últimos meses. A situação, portanto, é instigante: como pode a inadimplência ter caído em plena crise?

Quatro elementos ajudam a explicar esse fenômeno no tocante aos consumidores:

1) Coronavoucher: estudos mostram que o auxílio emergencial mais do que compensou o impacto da recessão sobre a massa de salários.

2) Comportamento previdente das famílias: em cenários caracterizados pela incerteza, os agentes costumam guardar recursos de forma precaucional. Os dados de captação da caderneta de poupança comprovam a tese, pois os depósitos têm superado as retiradas como nunca antes visto desde março. Dito de outra maneira, quanto mais difícil for antever o futuro, menor é o estímulo para o gasto com bens e serviços hoje. Logo, essa “sobra” acaba, em determinadas circunstâncias, direcionada para a quitação de dívidas.

3) Redução da Taxa SELIC: com a queda dos juros básicos, os devedores conseguem renegociar seus débitos a um custo inferior.

4) No pior momento da pandemia, os bancos permitiram o adiamento dos pagamentos por 60 dias.

Também é importante mencionar o fato de que muitas empresas aumentaram os investimentos em estruturas de cobrança e no desenvolvimento de produtos para reaver os valores em atraso. Algumas organizações, inclusive, flexibilizaram suas políticas de crédito, com o intuito de fortalecer o relacionamento junto aos seus respectivos clientes.

A mesma tendência é verificada no que diz respeito à insolvência das pessoas jurídicas. Nesse caso, os programas do governo federal voltados para amparar as firmas contribuíram para o movimento.

Contudo, é necessário monitorar o quadro de perto, uma vez que diversas das medidas fiscais do poder público postas em marcha no período vigente perderão sua validade a partir de 2021, em um contexto marcado por um mercado de trabalho ainda bastante combalido.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 

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Data

16 outubro 2020

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