CDL POA

Fraudes digitais: o impacto no consumidor

Como o consumidor porto-alegrense vivencia, reage e se protege dos golpes no ambiente digital.

Pessoa usando o celular

Contexto

A fraude digital deixou de ser um risco distante e passou a fazer parte do cotidiano do consumidor de Porto Alegre: 6 em cada 10 entrevistados já foram vítimas, direta ou indiretamente.

Diante desse cenário, o bloco sazonal desta rodada buscou entender não só a extensão do problema, mas também como o consumidor reage, se protege e a quem atribui a responsabilidade por preveni-lo (informações que ajudam o comércio local a entender o nível de confiança, ou desconfiança, do seu público nos canais digitais de compra).

Fala do Presidente

A transformação digital impulsiona os negócios, mas traz o desafio de garantir a segurança nas relações de consumo. A pesquisa "FRAUDES DIGITAIS: O IMPACTO NO CONSUMIDOR" revela que 6 em cada 10 cidadãos de Porto Alegre já vivenciaram a ameaça de golpes no ambiente virtual, um dado que acende um alerta para a necessidade de ações preventivas e integradas.

Na CDL Porto Alegre, acreditamos que a informação é a principal ferramenta de proteção. Com esta pesquisa, buscamos diagnosticar o cenário para orientar consumidores e empresas, fortalecendo a confiança e construindo um ambiente digital mais seguro para o nosso comércio.

Carlos Klein

Presidente da CDL

Carlos Klein, Presidente da CDL

Metodologia

Pesquisa quantitativa, realizada por survey via telefone com residentes de Porto Alegre.

Período de coletaDe 14 a 28 de agosto de 2026
PraçaPorto Alegre
PúblicoResidentes de POA
InstrumentoQuestionário estruturado com 9 perguntas
Amostra302 casos
MétodoSurvey via telefone

Raio X de Porto Alegre

1.332.845
habitantes (população total)
65,6%
pessoas ocupadas em postos de trabalho formais (874.230 pessoas)
3,8
salários mínimos: salário médio mensal dos trabalhadores formais (correspondente à Classe C)

Gênero: 53,99% feminino (719.538 pessoas) · 46,01% masculino (613.307 pessoas) · 95% de confiabilidade, margem de erro de 5%

Perfil dos Entrevistados

Gênero

Feminino56%
Masculino42,7%
Outro1,3%

Estado civil

Solteiro(a)47,4%
Casado(a)44%
Divorciado(a)7,6%
Viúvo(a)1%

Faixa etária

18-24 anos9,9%
25-34 anos17,6%
35-49 anos48,3%
50-59 anos15,6%
60-69 anos8,6%

Classe social

Classe A3,6%
Classe B20,9%
Classe C52%
Classe D21,9%
PNI*1,6%

Classe A: acima de R$ 32.420 · Classe B: R$ 11.348 a 32.420 · Classe C: R$ 3.243 a R$ 11.347 · Classe D: R$ 1.622 a R$ 3.242 · *Prefiro não informar

Atividade profissional

Empresa privada36%
Liberal/empresário25,5%
Trab. informal15,9%
Func. público10,3%
Aposentado6,3%
Estudante/estagiário3%
Dono(a) de casa1,7%
Desempregado1,3%

Configuração familiar

77,5%
Têm filhos
22,5%
Não têm filhos

Amostra: 302 casos

Quem já foi vítima

Mais de 60% da amostra afirma já ter sido vítima, ou conhecer alguém que foi vítima de fraudes no ambiente digital!

  • Sim, alguém próximo31,1%
  • Sim, eu mesmo22,8%
  • Sim, eu e alguém próximo12,3%
  • Não tenho certeza / não sei identificar4,3%
  • Não, nunca29,5%

Um risco que virou rotina

Somando quem foi vítima diretamente, quem tem alguém próximo atingido e quem viveu as duas situações, 66,2% da amostra já teve contato direto ou indireto com fraudes digitais. Apenas 29,5% afirmam nunca ter passado por isso.

Pergunta: Você ou alguém próximo (familiar, amigo, colega) já foi vítima de fraude no ambiente digital? · Amostra: 302 casos

Os golpes mais comuns

Os tipos de fraudes mais comuns (com mais de 40%) são a bancária ou de cartão de crédito e o golpe via WhatsApp/redes sociais.

Fraude bancária ou de cartão de crédito41,1%
Golpe via WhatsApp/redes sociais (falso parente, phishing, perfil clonado)40,7%
Golpe de compra online (produto não entregue ou falso)35,8%
Golpe do PIX24,8%
Uso indevido de dados pessoais (fraude de identidade)14,6%
Não se aplica7,9%
Golpe de falso investimento ou pirâmide financeira7%

Pergunta: Quais os tipos de fraude são os mais comuns na sua experiência ou na de pessoas próximas? Questão de múltipla escolha, por isso os valores somam mais de 100%. Amostra: 302 casos

Os canais mais vulneráveis

O WhatsApp ou as redes sociais lideram como canais mais vulneráveis às fraudes (42,1%).

WhatsApp ou redes sociais42,1%
Sites e aplicativos de compra25,2%
Ligações telefônicas18,2%
Aplicativos bancários6,3%
E-mail4,6%
SMS3,6%

Pergunta: Qual desses canais você considera hoje o mais vulnerável a fraudes? · Amostra: 302 casos

Como o consumidor reage

Ao receber uma mensagem, ligação ou link suspeito, a reação imediata predominante é: ignorar ou bloquear imediatamente!

Ignoro ou bloqueio imediatamente72,8%
Pesquiso sobre o assunto antes de agir14,9%
Fico em dúvida e às vezes acabo interagindo7,0%
Pergunto a alguém de confiança3,3%
Não costumo desconfiar2,0%

Pergunta: Ao receber uma mensagem, ligação ou link suspeito, qual costuma ser a sua primeira reação? · Amostra: 302 casos

O que muda depois do golpe

Contatou o banco ou a loja eletrônica envolvida38,7%
Registrou boletim de ocorrência38,1%
Passou a pesquisar mais antes de comprar/interagir online36,1%
Compartilhou o caso publicamente para alertar outras pessoas23,8%
Passou a evitar determinados canais (ex: WhatsApp, redes sociais)23,8%
Não se aplica (nunca vivenciou isso)16,6%
Não fez nada/não mudou nada7,6%

Cautela como consequência

Depois de ser vítima de um golpe, as principais atitudes são contatar o banco ou a loja envolvida e registrar um BO. Como consequência, a mudança de hábito mais comum é adotar uma postura mais cautelosa, pesquisando mais antes de comprar ou interagir online.

Pergunta: Se você ou alguém próximo foi vítima de fraude, quais atitudes ou mudanças de hábito ocorreram depois? Questão de múltipla escolha, por isso os valores somam mais de 100%. Amostra: 302 casos

Quem é o responsável por prevenir?

O entendimento sobre a responsabilidade por ações de prevenção às fraudes é diluído, dividindo opiniões. Os dois maiores responsáveis na visão dos entrevistados são, para 30,8%, o próprio cidadão, e 20,5% acreditam ser as empresas de tecnologia. Governos e bancos não ficam muito atrás na régua de responsabilização!

30,8%

O próprio cidadão, por meio de cuidado individual

20,5%

As empresas de tecnologia (redes sociais, apps)

19,2%

O governo e órgãos reguladores

18,2%

Os bancos e instituições financeiras

10,6%

Lojas e plataformas de e-commerce

0,7%

Não sei

Pergunta: Na sua opinião, quem tem a maior responsabilidade em prevenir fraudes? · Amostra: 302 casos

O medo muda o comportamento

Sim, deixo de fazer com frequência: risco aumentou34,2%
Nunca deixei de fazer: me sinto seguro21,5%
Sim, deixo de fazer algumas vezes: risco parece igual20,5%
Não sei avaliar14,9%
Raramente deixo de fazer: risco parece estável8,9%

Deixar de fazer alguma atividade (compra online, uso de apps, transferências etc.) passou a ser uma atitude frequente para 34,2% dos entrevistados, que entendem que o risco de fraudes aumentou.

Há um equilíbrio entre aqueles que nunca deixaram de fazer algo (21,5%) e os que deixam de fazer algumas coisas às vezes (20,5%).

Pergunta: Você já deixou de fazer alguma atividade (compra online, uso de apps, transferências) por medo de fraude, e como avalia o risco de golpes hoje comparado aos últimos anos? · Amostra: 302 casos

Onde o consumidor busca proteção

Na busca por proteção contra fraudes, o Reclame Aqui dispara na frente: as experiências de outros consumidores são a principal referência.

Reclame Aqui / avaliações de outros consumidores74,8%
Buscadores (Google, Bing etc.)39,1%
Selo de segurança, CNPJ ou dados de contato do site34,4%
Conversas com amigos e familiares33,8%
Redes sociais30,5%
Notícias e reportagens23,2%
Orientações do próprio banco/instituição22,2%
Inteligência Artificial (ChatGPT, Claude, Gemini etc.)16,6%
Não busco esse tipo de informação5,6%

Pergunta: Onde você costuma buscar informação para se proteger de fraudes, incluindo antes de comprar em uma loja nova? Questão de múltipla escolha, por isso os valores somam mais de 100%. Amostra: 302 casos

A medida única que o cidadão escolheria

Medida única para reduzir fraudes: mais tecnologia de segurança nos bancos e no comércio eletrônico (28,5%) ou mais punição para os criminosos (28,2%)! As demais opções também tiveram repercussão entre os entrevistados.

28,5%
Mais tecnologia de segurança nos bancos e no comércio eletrônico
28,2%
Mais punição para os criminosos
22,8%
Mais fiscalização do governo
20,5%
Mais educação/conscientização da população

Pergunta: Se pudesse escolher apenas uma medida para reduzir fraudes no país, qual escolheria? · Amostra: 302 casos

Considerações finais

A fraude digital atinge a maioria dos porto-alegrenses de forma direta ou indireta, e o WhatsApp/redes sociais e as fraudes bancárias lideram como as portas de entrada mais comuns dos golpes. A reação predominante (ignorar ou bloquear de imediato) mostra um consumidor mais reativo do que preventivo, o que ajuda a explicar porque quase 55% já deixaram de realizar alguma atividade digital por medo de fraude.

Responsabilidade compartilhada

Chama atenção a divisão de opiniões sobre quem deve liderar o combate ao problema, o que sinaliza a percepção de uma responsabilidade compartilhada.