O hiato de crescimento do Brasil

Diversos gargalos estruturais atravancaram o desempenho da economia brasileira nas últimas 4 décadas. Ainda que alguns problemas tenham sido resolvidos, como o controle da inflação por meio do Plano Real, muitos fatores limitantes continuam atuando para restringir nossa capacidade de criar riquezas, incluindo a elevada burocracia, a insuficiência de capital humano, a complexidade tributária, a pequena abertura comercial, o déficit logístico e o desequilíbrio das contas públicas.

Por consequência, a participação do PIB nacional no total mundial considerando a Paridade do Poder de Compra – medida mais adequada para fins de comparação com diferentes países – apresenta tendência declinante no tempo, conforme os dados do FMI. Em 1980, por exemplo, a cada US$ 100 de produto em nível global, US$ 4,3 eram concebidos domesticamente. Já a estimativa em 2021 soma US$ 2,3, ou seja, apenas 54,9% do patamar atingido no passado.

De forma simples, a reta linear de melhor ajuste às estatísticas mostra que, em média, a perda alcança 0,041 ponto percentual por ano. Mantido o grau de deterioração, chegaremos a 2030 com uma razão inferior a 2%.

Temos, portanto, diminuído sistematicamente nossa importância no cenário internacional. De nada adianta flertarmos com soluções mágicas que, embora possam gerar certo avanço no curtíssimo prazo, prejudicariam os fundamentos no médio e longo prazos. É necessário buscarmos reformas pró-mercado, através das boas práticas adotadas em outras nações, independentemente se os resultados serão colhidos para além dos ciclos políticos.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 

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Data

22 abril 2021

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