‘Momento perfeito’ para usar o cadastro positivo, diz executivo da Boa Vista

Após dois anos em vigor e com a expansão exponencial da base de dados, o cadastro positivo é considerado essencial para a predição, que se traduz na maior precisão na hora de aprovar crédito ao consumidor. Gestores de bancos de dados dos birôs de análise acreditam que a conjuntura com maior endividamento, renda mais curta e busca por vendas é “o momento perfeito” para pulverizar o uso da base positiva.

O tema do cadastro foi abordado em uma série de vídeos da coluna #Minuto Varejo.

“A grande dificuldade das empresas é encontrar mais pessoas para vender, e a forma de minimizar o risco de inadimplência é o (cadastro) positivo. O custo (da informação) é maior (para a empresa), mas se consegue gerar mais ganhos”, garante o diretor comercial da Boa Vista SCPC, uma das quatro gerenciadoras nacionais da base de dados, Alexandre Kanbach. O “ganho” significa o retorno com a venda efetivada na ponta.

Ao participar nesta terça-feira (31) de mais uma edição do CDL Talks, série de bate-papos da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), Kanbach aponta que o acompanhamento de casos do varejo mostra que as empresas vendem mais e reduzem os riscos ao acessar análises que utilizam dados positivos e negativos dos clientes. É o que o setor chama de informação híbrida positiva, devido ao impacto e refinamento da análise.

O valor do acesso ao serviço se eleva porque a consulta envolve mais fontes e procedimentos, com maior intensidade de aporte de tecnologias, como inteligência artificial e processamento mais pesado, para a assertividade do resultado e da resposta que todos buscam: libera ou não a venda com financiamento. A concorrência é cada vez maior no setor. A Boa Vista detém a maior base de varejistas do País.

Segundo o diretor do birô, a diversidade de análise aumenta cada vez mais, com adoção de modelos de crédito para empresas, para pessoas físicas, de renda presumida, índice de pontualidade na quitação e ainda de vulnerabilidade e comportamento no uso de cartão crédito, exemplifica.

O cadastro positivo ganhou impulso com a Lei Complementar 166/2019, que trouxe inovações à regra que existia desde 2011. Uma delas foi a inclusão de todos os CPFs e CNPJs do País na base de dados, que ocorreu em janeiro de 2020. Antes, pessoas físicas e empresas tinham de pedir para serem incluídas. Agora precisam solicitar aos birôs para não fazerem parte.

Além da Boa Vista, compartilham a mesma base a Quod, criada pelos cinco maiores bancos brasileiros, a Serasa e o SPC Brasil. O acesso aos dados é gratuito e qualquer um pode se cadastrar e verificar o perfil.

De 10 milhões de inscritos, o cadastro saltou para mais de 150 milhões de CPFs e 15 milhões de empresas atualmente. A partir da combinação de informação positiva e negativa, os birôs constroem scores, espécie de nota de crédito, dos consumidores. “A informação híbrida é a mais assertiva na hora de conceder crédito”, reforça Kanbach.

Paulo Borba, gestor da CDL Porto Alegre e que também integrou o painel aberto ao público, lembra que o cadastro positivo ainda é “um bebê” e que as expectativas sobre impactos mais fortes na queda de juros e acesso a crédito foram afetadas pela crise recente. Mas dados apontam para os primeiros efeitos.

Borba apresentou estudo do Banco Central mostrando que houve redução de 10,4 pontos percentuais na taxa de spread das operações de crédito não consignadas, cobrada pelas instituições, em 2020. No juro anual, que foi de 299% no ano passado, o corte chegou em média a 31 pontos para quem tem informações na base positiva.

Além disso, 41% das pessoas físicas e 30% das empresas do cadastro migraram para faixas de menor risco de concessão de recursos. Consultas de empresas não financeiras representaram mais de 60% do fluxo no último trimestre de 2020, citou o gestor. Antes, bancos e outros operadores da área financeira éramos maiores usuários do cadastro positivo. 

O gestor da CDL Porto Alegre citou que a inclusão de informações de contas pelas telefônicas, que começou no primeiro semestre, e dos serviços continuados, que abrangem água, luz e gás, também em 2021, vai robustecer a base positiva.

“A ampliação da base de informações vai ajudar a reduzir a inadimplência e reduzir os riscos”, aposta o representante da CDL da Capital. “O sonho de todo gestor de risco é fazer política para mitigar risco e aprovar mais crédito.”

Passo a passo para consumidores e empresas acessarem seu cadastro positivo:

1º Escolha um dos sites das empresas gerenciadores para acessar:

A operadora de banco de dados da CDL POA é a Boa Vista: telefone 3003-0201 (www.consumidorpositivo.com.br)

2º Crie uma conta com CPF/telefone/nome/email/senha ou CNPJ, para empresas: a plataforma vai enviar um código de verificação para seu celular ou e-mail, conforme a indicação, para ativar o registro. 

3º Acesse a conta com CPF e senha cadastrados.

4º Na tela, aparecerão as contas, com datas e valores, divididas entre parcelamentos, consumo (contas de telefone, água, luz e gás) e contratos.

5º Caso queira a retirada do nome do cadastro, é preciso solicitar o procedimento para uma das gerenciadoras do banco de dados.

Série de vídeos ajuda a entender o cadastro positivo:

Uma série de vídeos da coluna #MinutoVarejo abordou o tema do cadastro e da relação com a base negativada e ainda os impactos para o custo da concessão de recursos.

Fonte: Jornal do Comércio – Minuto Varejo

 

ASSISTA AO CDL POA TALKS SOBRE O CADASTRO POSITIVO:

Data

01 setembro 2021

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