Inflação mantém-se perto do limite superior da meta

O índice oficial de inflação do Brasil, o IPCA, aumentou em 0,55% na média de todas as regiões pesquisadas. Esse resultado aponta que:

  • A variação em 12 meses (entre abril/2012 e abril/2013) atingiu 6,49%;
  • O índice está abaixo, mas ainda muito próximo do limite superior da meta (6,50%);
  • na comparação com abril/2012 a variação mensal foi -0,09 p.p.;
  • nesse mesmo período, em 2012, a inflação acumulada era 1,39 p.p. menor (5,10% contra 6,49% hoje).

Na Região Metropolitana de Porto Alegre a variação foi bastante inferior à media nacional: 0,32% no mês de abril e 5,83% no acumulado em 12 meses. Contribuíram para esse resultado:

  • A queda nos preços de Transportes (-0,35%) e Alimentação fora do domicílio (-0,14%);
  • Por outro lado, serviços como Habitação (+0,76%) e Saúde (+1,74%) foram itens que mais aumentaram em Porto Alegre.

(em var% acumulada em 12 meses)

Fonte: IBGE; Banco Central do Brasil. Elaboração: AE/CDL POA.

Considerações da Assessoria Econômica

Embora a inflação esteja abaixo do limite superior da meta (6,49%, para um limite de 6,50%) tal resultado ainda não é efeito do aumento da taxa de juros. Conforme informamos na Nota Econômica nº 10 (18/04/2013), mudanças nos juros levam de 3 a 4 meses para surtir efeito sobre os preços.

Os dados sobre os preços ainda preocupam pois:

  • Não há sinais de que a inflação caminhe para fechar o ano perto da Meta;
  • As expectativas apontam que o mercado não espera mudança nesse cenário para 2013 ou 2014, mesmo com o aumento dos juros pelo Banco Central na última reunião;
  • Para o crescimento do PIB nos dois anos, as expectativas também se mantém as mesmas de antes do aumento dos juros.

Nesse cenário, se o objetivo do Banco Central for de fato trazer a inflação para perto da Meta, a velocidade de aumento dos juros deveria ser maior.

Entretanto, acreditamos que a probabilidade dessa atitude é baixa, pois há mais de 24 meses o índice apenas se aproxima de um nível mais alto de inflação, perto de 5,5%.

Cabe aqui uma observação importante. Esse cenário onde o Banco Central precisa escolher entre menos inflação ou mais crescimento econômico é resultado de dois fatores:

  • O comportamento recente da instituição, que desde 2011 optou por não aumentar os juros muito embora os preços já estivessem crescendo acima do esperado.
  • O aumento dos gastos do governo em um cenário onde o problema não era a demanda fraca, e sim a falta de oferta de produtos.

Caso o Governo optasse por reduzir os gastos seria possível reduzir a pressão sobre os preços e, com isso, auxiliar o Banco Central em sua tarefa. Nesse caso, onde tanto o Tesouro e o Banco Central agem em conjunto, o combate à inflação é facilitado.

Entretanto, acreditamos que o Banco Central esperará a divulgação de novos dados até a próxima reunião para, então, avaliar sua estratégia de ação sobre a inflação até o momento.

Assessoria Econômica
Gabriel P. Torres – Economista
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Data

08 maio 2013

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