Inflação acelera e sobe 8,2% em 12 meses em Porto Alegre

Inflação acelera e sobe 8,2% em 12 meses em Porto Alegre

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JUNHO, 2021

Notícias

A inflação na região metropolitana de Porto Alegre acelerou em maio. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 1,04% no último mês, enquanto em abril havia fechado em 0,19%. É o maior resultado para um mês de maio desde 1996, quando o indicador marcou 1,10%.

No acumulado dos últimos 12 meses, o índice está em 8,20% na região. Já no ano, o IPCA subiu para 3,32% na Grande Porto Alegre, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram elevação em maio. O destaque foi o setor de transportes, com aumento de 2,19% e impacto de 0,46 ponto percentual no indicador. Os combustíveis puxaram a alta, em especial o óleo diesel (8,44%) e a gasolina (6,45%).

O economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank, afirma que é difícil mensurar e quantificar a diferença na variação dos preços dos combustíveis. A diferença nas estruturas de concorrência entre as regiões e os custos relacionados à logística dificultam essa análise, segundo o especialista.

Frank chama a atenção para o grupo de vestuário, que ocupa a segunda posição na variação mensal de preço, com alta de 1,54%. Segundo o economista, a reabertura das atividades econômicas na região diante das flexibilizações pode ter um peso nesse movimento.

– Alguns lojistas acabam aproveitando para recuperar um pouco das margens que foram perdidas ao longo dos últimos meses em virtude dessa situação mais complicada em termos de crise – explica Frank.

Já no âmbito de participação no cálculo, o grupo de alimentação e bebidas teve a segunda maior contribuição dentro do IPCA na Grande Porto Alegre, com 0,16 ponto percentual. O segmento apresentou variação mensal de 0,77% em maio.

A aceleração no IPCA na Grande Porto Alegre acompanha o movimento nacional. No Brasil, o índice fechou maio em 0,83% – maior resultado para o mês desde 1996 (quando chegou a 1,22%). O grupo habitação carrega a maior variação no período, puxada pela energia elétrica (5,37%), que também teve o maior impacto individual no índice do mês (0,23 ponto percentual).

O IPCA no país acumula alta de 3,22% no ano e de 8,06% nos últimos 12 meses. Com isso, a inflação segue acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central para 2021, de 5,25%.

Cenário

Professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Marcelo Portugal projeta a continuidade de inflação elevada para os próximos meses tanto no país quanto na região metropolitana de Porto Alegre. A crise hídrica é um dos elementos que ajudam a compor esse cenário menos otimista, pois deve encarecer o custo da energia elétrica, segundo o economista:

– Energia elétrica é um insumo que serve para praticamente tudo. Não é só na casa da gente. É no shopping, supermercado, lojas, usinas, indústrias. Energia elétrica cara residencial e comercial acaba sendo um choque no custo das empresas e isso acaba sendo repassado de uma forma ou de outra para o preço dos produtos.

Frank também projeta cenário de dificuldades para os próximos meses, estimando desaceleração na inflação só no último trimestre do ano. O especialista afirma que o país pode fechar o ano acima do teto estabelecido, o que gera preocupação para 2022:

– A gente sabe que, quanto maior a inflação em um ano, mais difícil é realizar o controle da mesma no ano seguinte, porque existem muitos preços na economia que são indexados. Ocorrem reajustes automáticos, estabelecidos por contratos.

Já o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, disse que está seguro de que a alta do IPCA será passageira e que o índice terminará o ano dentro da meta de inflação.

Fonte: Jornal Zero Hora – Edição impressa em 10/06/2021.

 

Data

10 junho 2021

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