Destaques Econômicos CDL POA

Destaques Econômicos CDL POA 

31

MAIO, 2021

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: o prognóstico para 2021 aumentou pela sexta semana consecutiva, de +3,52% para +3,96%. O avanço em consideração, porém, não devolveria as perdas registadas ao longo do ano passado (-4,1%). De acordo com o Valor Data, o consenso é de que o nível de atividade subiu +0,7% no primeiro trimestre ante o período imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal, de modo que a estatística oficial será conhecida amanhã. Se, de fato, a alta se concretizar e, a partir de então, houver uma estagnação até dezembro, o resultado anual totalizaria +4,3%. A surpresa positiva com o desempenho entre janeiro e março é atribuída: (1) às medidas de distanciamento social bem menos rígidas do que em 2020, que acabaram por não afetar tanto a mobilidade; (2) à necessidade de recomposição dos rendimentos; e (3) à expansão da agropecuária, capitaneada pelo recorde da safra de grãos, além da cotação internacional elevada e do câmbio depreciado.

Preços e Taxa SELIC: o IPCA antevisto para 2021 moveu-se de +5,24% para +5,31% nos últimos sete dias. Por um lado, o IPCA-15 de maio mostrou acréscimo de +0,44% – abaixo da estimativa coletada pela Refinitiv, de +0,55% –. Por outro, o IGP-M saltou +4,10%, superando os +3,97% aguardados pelo mercado. A fonte primária de pressão nesse caso veio do atacado (+5,23%), por conta da influência das commodities.

Embora a ociosidade do emprego tenda a seguir grandiosa, ajudando a segurar os serviços, existem desafios para o controle inflacionário. Os produtos básicos, por exemplo, têm se beneficiado do amplo conjunto de estímulos em escala global, com juros extremamente deprimidos e relevante injeção de liquidez. Vale lembrar que a aquisição desse tipo de item também é uma forma de proteção contra a deterioração do poder de compra das moedas. Ademais, a escassez de chuvas representa um risco tangível de crise hídrica.

Em função do panorama supracitado, a expectativa para a Taxa SELIC foi novamente corrigida para cima no encerramento de 2021: de 5,50% para 5,75% ao ano. Cremos que o viés é ascendente, pois as previsões para o IPCA em 2021 e 2022 continuam a se desgarrar das respectivas metas.

Taxa de câmbio e quadro fiscal: entendemos que o movimento de fortalecimento do Real em comparação ao Dólar é reflexo do cenário prospectivo benigno para o comportamento da renda e dos dados de arrecadação melhores do que o esperado, o que viabiliza a redução do prêmio embutido nos empréstimos direcionados ao nosso país.

 

Avaliação do Novo CAGED – abril de 2021

As evidências do Novo CAGED representam um termômetro das movimentações formais via CLT, além de bolsistas, servidores federais, estaduais e municipais, autônomos e dirigentes sindicais.

Brasil: criação de 120.935 vínculos em abril, abaixo do consenso da Refinitiv (+172.500). Por um lado, as admissões (1,382 milhão) exibiram queda considerável contra março (1,648 milhão). É importante lembrar que essa variável demonstra aderência com o Índice do Banco Central (IBC) de atividade econômica – a única exceção ocorreu em dezembro de 2020, em virtude da costumeira desaceleração dos recrutamentos interinos para atender a demanda das festas de fim de ano –. Temos, portanto, um sinal de encolhimento notável da produção no mês passado, período marcado pelas restrições ao funcionamento dos negócios para controlar a disseminação da COVID-19. Vale ressaltar que as curvas de contaminação e letalidade da doença atingiram o seu ápice no intervalo de tempo em questão.

Por sua vez, as demissões também caíram, de 1,47 para 1,26 milhão. De acordo com os dados oficiais, havia 2,916 milhões de colaboradores com estabilidade provisória por conta dos programas de preservação dos empregos instituídos ainda em 2020, que permitiram a suspensão do contrato e / ou redução de jornada com diminuição proporcional de salários, mediante o pagamento de um benefício emergencial (BEm). Logo, as medidas exerceram impacto no sentido de evitar que os desligamentos fossem mais elevados.

Rio Grande do Sul: geração de 575 postos em abril. No ranking que confronta esse número em relação ao total de trabalhadores em março, alcançamos a vigésima terceira colocação entre as Unidades da Federação (+0,02%), bem inferior à média nacional (+0,30%). As informações por categorias mostram que o parque fabril (+1.030) originou o maior saldo, seguido pelo comércio (+790).

Especificamente sobre o varejo, foram 1.723 cargos criados, com destaques para:

  • Hiper e supermercados (+508);
  • Produtos farmacêuticos para uso veterinário e humano (+416);
  • Ferragens, madeira e material de construção (+203);
  • Combustíveis para veículos automotores (+122);

Acumulado do ano: o Rio Grande do Sul gerou +74,0 mil vagas no primeiro quadrimestre de 2021. Trata-se de um incremento de +2,93% no estoque, acima da média nacional (2,43%). Entendemos que a diferença é fruto do efeito estatístico favorável em nível regional, determinado pelo recuo significativo da renda e da ocupação no território gaúcho em 2020 – somada à pandemia, tivemos uma severa estiagem da safra de grãos, afetando, principalmente, as culturas da soja, do milho e do fumo.

O que esperar para o futuro? A renovação de algumas políticas da União, embora em escala bem mais limitada do que em comparação com 2020, ajudará a dar certo fôlego ao CAGED no curto prazo. Todavia, os riscos no tocante à parte sanitária, os fortes aumentos de custos dos insumos importados e da energia elétrica, e a confiança deprimida das famílias pesam negativamente sobre o panorama.

 

Confiança do consumidor cresce pela segunda oportunidade consecutiva em maio

A sondagem de maio, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), entrevistou 1.628 domicílios espalhados pelo território nacional. Houve novo aumento em relação ao período imediatamente anterior, desta vez de 3,7 pontos (de 72,5 para 76,2), a partir tanto da contribuição positiva da situação atual (de 64,5 para 68,7 pontos) quanto das expectativas a respeito do futuro (de 79,2 para 82,4 pontos). Todavia, os ganhos dos últimos dois meses não foram capazes de erradicar as perdas incorridas em março. É relevante notar que o indicador permanece bem abaixo do patamar registrado em fevereiro de 2020, ou seja, antes da imposição das quarentenas: -13,2%.

COMENTÁRIOS:

Acreditamos que a melhora no curto prazo reflete os seguintes fatores: (1) a diminuição, embora em ritmo lento, da ocupação de leitos de UTI para COVID-19 no Brasil; (2) o avanço do processo de imunização da população; (3) políticas públicas de sustentação da demanda; (4) flexibilizações adicionais das medidas de distanciamento social observadas em diversas localidades; (5) os efeitos das ações governamentais adotadas ainda no ano passado, que propiciaram o acúmulo de poupança e a estabilidade provisória de um contingente significativo de celetistas. Já pelo lado negativo, temos: (1) as pressões inflacionárias no atacado e na ponta final; (2) o mercado de trabalho muito deteriorado; (3) incertezas no tocante ao quadro sanitário e político.

A abertura das estatísticas mostra que a elevação mensal foi puxada pela faixa com rendimentos acima de R$ 2.100, enquanto aqueles com valores inferiores continuaram praticamente sem alteração.

 

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 

Data

31 maio 2021

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