Destaques Econômicos CDL POA

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JUNHO, 2021

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: ao passar de +5,00% para +5,05%, o prognóstico para 2021 subiu pela décima semana ininterrupta. O valor praticamente coincide com o cenário de estagnação do crescimento entre os meses de abril e dezembro em relação ao patamar atingido no primeiro trimestre (+4,9%). No tocante às perspectivas para o segundo semestre, cremos em um “otimismo cauteloso”, formado a partir do balanço entre os seguintes vetores:

Desafios: crise hídrica, dificuldade de acesso a insumos / suprimentos da parte dos empresários, reversão dos estímulos monetários adotados nas nações desenvolvidas para mitigar os impactos da COVID-19 e o emprego deteriorado.

Oportunidades: ganho de tração do processo de imunização da população contra a COVID-19, boom de commodities e seus efeitos de encadeamento para outros segmentos, juros reais ainda deprimidos para padrões nacionais e disponibilidade de poupança construída pelas famílias ao longo de 2020.

Preços e Taxa SELIC: o IPCA computado para 2021 moveu-se de +5,90% para +5,97% entre 18 e 25 de junho. Trata-se do décimo segundo avanço consecutivo. A alta ocorreu a despeito da divulgação do IPCA-15 de junho (+0,83%), cujo resultado veio um pouco aquém daquele aguardado pelos especialistas sondados pela Reuters (+0,86%). No curto prazo, as fontes dominantes de pressão são os combustíveis, sobretudo a gasolina, e a tarifa de eletricidade, em função do baixo nível dos reservatórios. Por sua vez, não houve alteração a respeito da Taxa SELIC esperada para o fim de 2021 (6,50% ao ano). As sinalizações de momento apontam que, para a próxima reunião do COPOM, haverá um novo incremento de 0,75 ponto percentual. Todavia, o próprio Comitê admite que a permanência de um quadro de piora nas expectativas de inflação pode suscitar aumentos de maior expressividade.

Comentários acerca do panorama – Instituição Fiscal Independente

Ao contrário do levantamento de maio, que previa que a dívida bruta do Setor Público fechasse 2021 em 91,3% do PIB, a IFI antevê agora 85,6%. O recuo está atrelado: (1) à diminuição do rombo no conceito primário; (2) à devolução adicional de R$ 62 bilhões do BNDES ao Tesouro; (3) à venda de reservas internacionais; (4) à revisão dos gastos com o pagamento de juros; e (5) à elevação do produto.

Apesar da queda em comparação com março (27,8%), a parcela dos débitos federais com vencimento inferior a 12 meses em abril (24,5%) continua relevante, superando, e muito, o comportamento pré-pandemia (18,7% em 2019). Os números ajudam a entender as consequências sobre indicadores como o risco-país e a taxa de câmbio nesse ínterim.

 

Confiança do consumidor sobe pela terceira vez consecutiva em junho

A sondagem de junho, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), exibiu aumento em relação ao período imediatamente anterior de 4,7 pontos (de 76,2 para 80,9) nos dados ajustados pela sazonalidade, a partir tanto da contribuição positiva da situação atual (de 68,7 para 71,6 pontos) quanto das expectativas para o futuro (de 82,4 para 88,3 pontos). Agora, o patamar da série é o maior desde novembro de 2020. Contudo, o indicador permanece abaixo do registrado em fevereiro do ano passado, ou seja, antes da imposição das quarentenas: -7,9%.

COMENTÁRIOS:

A abertura das estatísticas mostra que a majoração do ICC foi puxada por todas as faixas de rendimentos, com destaque para o retorno ao estágio pré-pandemia do grupamento que recebe acima de R$ 9.600.

Cremos que as altas recentes estão ancoradas: (1) à aceleração do processo de imunização da população contra a COVID-19; (2) às políticas de sustentação da renda, como o Auxílio Emergencial e a antecipação do 13º dos aposentados, pensionistas e diversos servidores; (3) à estabilidade provisória dos colaboradores que assinaram os programas de preservação dos respectivos vínculos em 2020 e a possibilidade de renovação da suspensão do contrato de trabalho / redução de jornada; (4) aos juros ainda deprimidos para padrões brasileiros; (5) ao avanço expressivo nos termos de troca (razão entre os preços das exportações e o das importações), beneficiando segmentos como a agropecuária e nichos específicos da indústria.

Porém, a retomada continua heterogênea, impactando desfavoravelmente o setor terciário, de grande relevância para o emprego. Logo, as restrições ao funcionamento dos negócios seguem impedindo gerações mais consistentes de vagas e salários. Além disso, a inflação elevada também pesa negativamente, ao retirar, principalmente, o poder de compra das classes menos abonadas.

 

Apontamentos sobre a conjuntura econômica

Cenário internacional:

O órgão oficial de estatísticas americano confirmou que a produção de bens e serviços dos Estados Unidos subiu 6,4% em termos anualizados no primeiro trimestre em comparação com o período imediatamente anterior, na série após o ajuste sazonal, em linha com o número aguardado pelos especialistas consultados pela Refintiv. Alguns membros do Federal Reserve acreditam que o ritmo do crescimento em 2021 alcance 7,0%, constituindo, portanto, um grandes motores da retomada global.

Vale ressaltar que o Presidente Joe Biden anunciou um acordo com o Senado para aprovar um plano de infraestrutura, com a criação de novos gastos em transportes, energia e comunicações, cujo montante soma US$ 579 bilhões. Cremos que a estratégia do governo local envolve a promoção continuada de uma política fiscal fortemente expansionista. Porém, é necessário avaliar até que ponto o conjunto de programas pode pressionar a inflação no médio e longo prazos, suscitando, à vista disso, um aumento dos juros.

Quadro doméstico:

Preços: o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu que a meta do IPCA em 2024 é de 3,0%. Para 2022 e 2023, os objetivos foram mantidos: 3,5% e 3,25%, respectivamente. A ideia é gerar uma convergência com as práticas adotadas em boa parcela dos emergentes que admite o sistema.

Taxa de câmbio: segundo a ata da reunião do COPOM dos dias 15 e 16, caso as expectativas de inflação se deteriorem adicionalmente, abre-se espaço para a aceleração do processo de elevação da Taxa SELIC. Tal fato, aliado à visão de que o FED conservará os estímulos por mais tempo, mediante entendimento de que o descompasso entre oferta e demanda nos EUA é transitório, ajudam a valorizar a cotação. Outros drivers positivos dizem respeito ao avanço das previsões para o PIB brasileiro em 2021 e, consequentemente, das perspectivas para os indicadores de solvência das contas públicas.

 

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 

Data

28 junho 2021

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