Destaques Econômicos CDL POA

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: o prognóstico caiu de +5,28% para +5,27% em 2021, e de +2,04% para +2,00% em 2022 na última semana. Entendemos que três causas estejam por trás das revisões baixistas. A primeira delas é o aperto das condições financeiras, com juros mais altos tanto em prazos curtos quanto longos: somada à perspectiva de deterioração das contas públicas, a perda do poder de compra da moeda segue intensa.

O segundo motivo diz respeito à seca e às geadas. Na avaliação da MB Associados, o clima desfavorável servirá para frear a retomada em 2021, de +5,5% para +4,7%. Logo, o prejuízo é de, aproximadamente, R$ 60 bilhões. Também é necessário citar o efeito determinado pelo exterior, diante da moderação puxada pela China, e pela tendência de corte dos incentivos oriundos dos bancos centrais das nações desenvolvidas, sobretudo dos EUA, em 2022.

Preços e Taxa SELIC: o IPCA calculado para 2021 moveu-se de +7,05% para +7,11%. Trata-se da vigésima elevação consecutiva. De acordo com a FGV, o indicador de inflação ao consumidor medida pelo IGP-10 avançou +0,88% em agosto, contra os +0,70% verificados no período imediatamente anterior.

Taxa de câmbio: alguns modelos mostram que a cotação encontra-se depreciada em relação aos fundamentos. Nesse sentido, os termos de troca (razão entre os preços das exportações e o das importações) e as contas externas sugerem que o Real está subvalorizado ante o Dólar. Todavia, esse descolamento acontece em virtude da situação fiscal e a dinâmica da própria pandemia.

Comentários acerca do panorama – Banco Itaú

Cenário internacional: os impactos do novo coronavírus limitarão o crescimento global em 2021, de 6,4% para 6,2%. Para o ano que vem, o número saiu de 4,6% para 4,7%. No tocante aos Estados Unidos, o nível de atividade continua robusto, enquanto a inflação permanece sendo a ameaça preponderante. No que concerne os emergentes, o destaque é o processo de retirada gradual das injeções mensais de liquidez do Federal Reserve, cujo início, possivelmente, se dará ainda em 2021.

Quadro doméstico: progresso da vacinação é positivo, de modo que a normalização do funcionamento dos negócios deve ocorrer no quarto trimestre. Estimativa do produto passou de 5,8% para 5,7%, fruto das restrições existentes no fornecimento de insumos / suprimentos. Já para 2022, o cômputo decaiu de 2,0% para 1,5%, devido à recuperação da base de comparação e o encerramento de diversas políticas que atuaram para fomentar o emprego, a renda e o crédito.

Os riscos para a busca do equilíbrio entre receitas e despesas do governo aumentaram. Hoje, as fontes de pressão sobre o Teto de Gastos são: (1) renúncia tributária decorrente das mudanças na proposta original dos impostos referentes aos rendimentos e ao lucro; (2) incremento significativo dos dispêndios com precatórios; (3) desejo de ampliação do Bolsa Família.

As sinalizações do COPOM apontam que a Taxa SELIC subirá de 5,25% ao ano (a.a.) para 6,25% a.a. reunião de setembro. Ademais, dado que o Comitê informou que o ciclo de ajuste ultrapassará o patamar neutro – aquele que iguala oferta e demanda –, a expectativa resultante é de 7,5% a.a. até dezembro.

 

Avaliação do Índice do Banco Central (IBC) – junho de 2021

 Definição: o IBC é composto por indicadores setoriais, além de variáveis específicas sobre a ocupação, construção civil, entre outras. Trata-se de uma aproximação (proxy) do Produto Interno Bruto, ou seja, é um termômetro do nível de atividade.

Estatísticas do Brasil

Comentários: a expansão registrada em comparação com o período imediatamente anterior (+1,1%) superou o consenso dos agentes pesquisados Broadcast (+0,5%). A surpresa pode ser atrelada ao comportamento dos serviços (+1,7%), cujo resultado veio bem acima das expectativas dos especialistas sondados pelo Valor Data (+0,4%). A categoria terciária, vale lembrar, tem se beneficiado da reabertura dos negócios em diversas localidades. Os subsegmentos que puxaram a elevação são justamente os que foram mais afetados pelas medidas de distanciamento social – alojamento e alimentação –, assim como transportes.

Por sua vez, no segundo trimestre ante o primeiro, houve incremento pequeno, de +0,1%, evidenciando a dinâmica lenta da renda. Nesse ínterim, o Monitor do PIB, da FGV, acusa retração de 0,3%: apesar do aumento dos gastos das famílias (+0,8%), dois importantes componentes da demanda tiveram queda, incluindo os investimentos (-2,2%) e as exportações (-0,2%).

Dados do Rio Grande do Sul

Conforme a tabela abaixo, o Rio Grande do Sul exibiu o pior desempenho entre abril e junho entre todas as regiões e Unidades da Federação investigadas pelo Banco Central. Acreditamos que o fenômeno é reflexo de processo natural de acomodação, uma vez que a base estava muito alta (abril marcou o recorde da série histórica), por conta do efeito positivo da safra de grãos. Porém, no primeiro semestre, o RS apresenta o maior crescimento (+12,0%), catapultada pelo excelente performance da agropecuária em 2021 e da estiagem do ano passado, que ocasionou perdas relevantes em culturas fundamentais.

 

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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Data

24 agosto 2021

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