Destaques Econômicos CDL POA

Destaques Econômicos CDL POA 

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JUNHO, 2021

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: ao passar de +4,85% para +5,00%, o prognóstico para 2021 subiu pela nona oportunidade ininterrupta. Acreditamos que dois vetores contribuíram para o movimento de regulagem das previsões. O primeiro é o ganho de tração do processo de imunização da população contra a COVID-19 (na média móvel em sete dias foram aplicadas 1,31 milhão de doses diariamente, recorde da série histórica). Consequentemente, a melhora do quadro sanitário reverberaria favoravelmente sobre a confiança e no abrandamento das restrições ao funcionamento dos negócios.

Em segundo lugar, as estatísticas referentes à balança comercial evidenciam que as exportações avançaram 77,5% na segunda semana de junho em comparação com o mesmo intervalo em 2020. Ao longo da respectiva quinzena, a taxa somou +75,3%. Caso o ritmo se mantenha, teremos a maior variação mensal registrada em 2021. Cremos que o setor externo exercerá importante influência para a retomada.

Preços e Taxa SELIC: o IPCA antevisto para 2021 moveu-se de +5,82% para +5,90% entre 11 e 18 de junho. Trata-se do décimo primeiro incremento consecutivo. Recentemente, a FGV divulgou o IGP-10 de junho (+2,32%): apesar da desaceleração em relação a maio (+3,24%), itens como o minério de ferro, a cana-de-açúcar, o café e as carnes continuaram gerando majorações expressivas no atacado. Somado à crise hídrica – nível mais baixo de chuvas em nove décadas – tais fatos devem servir como elementos de pressão no curto prazo.

Por sua vez, as expectativas do IPCA para 2022 permaneceram inalteradas em +3,78%, persistindo, portanto, acima da meta definida para o ano que vem, de +3,5%. Para evitar piora adicional, os agentes de mercado entendem que será indispensável que os juros tornem-se mais altos: agora, o valor computado para o fim de dezembro é de 6,50%, e não 6,25% ao ano. Entre os drivers passíveis de monitoramento estão: (1) tramitação de reformas que ajudem a reduzir os prêmios dos empréstimos para o Brasil; (2) evolução da COVID-19 e das medidas de ociosidade da indústria e do emprego; (3) sinalizações a respeito dos rumos das políticas governamentais estrangeiras.

Comentários acerca do panorama – COPOM

Cenário internacional: perspectivas de crescimento seguem robustas, puxadas pelo farto conjunto de estímulos postos em marcha por alguns países desenvolvidos. Todavia, o risco associado envolve o recrudescimento da inflação aos consumidores, o que prejudicaria os emergentes.

Contexto doméstico: leituras surpreendentemente fortes no âmbito da produção deflagraram uma onda de revisões positivas para o PIB. Já o choque sobre os preços mostra resistência além da imaginada, essencialmente no tocante aos manufaturados. Pesa negativamente também a disrupção das cadeias globais, a resiliência da procura e o desabastecimento dos reservatórios.

Por um lado, a reversão do encarecimento dos artigos básicos pode diminuir as estimativas do IPCA. Por outro, a extensão de programas de ampliação de gastos impulsionaria não só a demanda, como também debilitaria a trajetória fiscal.

O COPOM se comprometeu a realizar uma normalização neutra, descartando ajuste parcial dos juros. Se considerarmos que o patamar de equilíbrio gravita ao redor de 3% ao ano em termos reais, necessitaremos, provavelmente, de uma Taxa SELIC de 7,00% ao ano. Porém, na nossa visão, o viés é ascendente.

 

COPOM mantém a intensidade do ciclo de ajuste da Taxa SELIC

Observação: relatório escrito antes da decisão.

Qual a relevância? A Taxa SELIC representa o custo referencial para que o governo tome empréstimos, bem como um balizador para diversas linhas de crédito destinadas às pessoas físicas e jurídicas.

Comentários a respeito do panorama:

Atividade doméstica: os indicadores continuaram surpreendendo positivamente. No entanto, cabe ressaltar que a expansão permanece difusa, apresentando maior concentração entre a agropecuária e a indústria – beneficiadas pelo boom de commodities e pela realocação dos desembolsos das famílias –, e menos nos serviços.

Cremos que a perspectiva para o segundo semestre é de “otimismo cauteloso”, em função dos seguintes drivers: (1) programas de sustentação da rendimentos e dos vínculos celetistas; (2) esperada celeridade do processo de vacinação contra a COVID-19; (3) retomada global. Todavia, a crise hídrica, a dificuldade relatada pelos empresários no acesso aos insumos, a possível contenção dos incentivos provenientes dos países desenvolvidos a partir do ano que vem e as incertezas com o pleito eleitoral de 2022 constituem desafios que permeiam o horizonte.

Preços: hoje, a projeção ultrapassa, e muito, a margem máxima de tolerância do Regime de Metas em 2021, de +5,25%. No curto prazo, não deve haver desaceleração expressiva do IPCA, dada a existência de uma pressão significativa sobre o atacado, cujos efeitos acabam reverberando sobre a ponta final ainda que parcialmente.

Graças à defasagem na política monetária, as expectativas para 2022 ganham influência. De acordo com o consenso de mercado, o patamar atual (+3,78%) supera tanto o de 45 dias atrás (+3,61%) quanto o alvo de +3,50%. Logo, diante da indexação de determinados contratos, julgamos que será necessária uma ação da parte do COPOM para tentar perseguir tal objetivo.

Conjuntura internacional: a recuperação segue robusta ao redor do mundo. Um dos principais fatores de atenção tem a ver com recrudescimento da inflação americana. Porém, entendemos que o fenômeno é temporário, provocado pela normalização da mobilidade e de alguns gargalos pontuais em nichos específicos. Caso esse quadro venha a se concretizar, a retirada dos estímulos oriundos do Federal Reserve sucederá de maneira parcimoniosa, causando um abrandamento do impacto para os emergentes.

Taxa de câmbio: a dinâmica benigna da geração de renda no Brasil, com implicações favoráveis sobre as contas da União, estados e municípios, a tramitação de reformas e o ambiente externo próspero são os responsáveis pela apreciação da cotação ao longo das últimas semanas. Vale lembrar que a valorização do Real ante o Dólar barateia as despesas com importação, e acirra a concorrência com os similares nacionais.

Finanças públicas: os riscos envolvem a prorrogação de gastos para o controle da pandemia, como a já anunciada extensão do Auxílio Emergencial e a incapacidade de formação de concordâncias para a aprovação de legislações mais racionais do ponto de vista do funcionalismo e das regras tributárias.

Parecer da Assessoria Econômica da CDL POA:

Acreditamos que a Taxa SELIC subirá em 0,75 ponto percentual, com 80% de probabilidade. No cenário alternativo (20% de chance), a elevação é de 1,00 p.p. (20% de chance).

 

Avaliação do Índice do Banco Central (IBC) de abril de 2021

Definição: o IBC é composto por indicadores de curto prazo da agropecuária, indústria e serviços, além de variáveis específicas sobre a ocupação, construção civil, entre outras. Trata-se de uma aproximação (proxy) do Produto Interno Bruto, ou seja, é um termômetro do nível de atividade.

ANÁLISE DO DESEMPENHO DO BRASIL:

Comentários: apesar da expansão registrada em comparação com o período imediatamente anterior (+0,4%), a estatística veio aquém da esperada pelo consenso de mercado coletado pela Bloomberg (+1,35%). Ademais, o incremento devolveu apenas uma pequena fração das perdas verificadas em março (-1,6%), em um contexto ainda marcado pelas restrições ao funcionamento dos negócios em diversas partes do território em função do atual quadro sanitário.

Nesse ínterim, o Monitor do PIB, da FGV, exibiu retração de -0,7% – segunda queda consecutiva. O resultado é consistente com a desaceleração do número de admissões com carteira assinada, conforme o levantamento do Novo CAGED. As evidências apontam para a dificuldade de geração de crescimento sustentado, concentrada essencialmente nos recortes do setor terciário dependentes de interação pessoal, incluindo alimentação, alojamento, saúde e educação.

DADOS DO RIO GRANDE DO SUL:

Por sua vez, o RS apresentou avanço de +1,7% em abril ante março. Consequentemente, atingimos o recorde da série histórica, ultrapassando o patamar de fevereiro. Entendemos que  a comercialização de parcela relevante da soja no intervalo de tempo em consideração, assim como a recuperação do segmento varejista, puxada principalmente pelos ramos não essenciais depois do término da bandeira preta e de alguma demanda reprimida, ajudam a explicar o fenômeno. No primeiro quadrimestre, tivemos a maior alta entre todas as Unidades da Federação e regiões investigadas (+14,7%): em 2020, o PIB gaúcho (-7,0%) caiu muito mais do que a média nacional (-4,1%), por conta da dupla combinação entre as repercussões contracionistas da COVID-19 e a estiagem no campo. Hoje, somada à normalização da safra, a rentabilidade é bastante positiva, propiciada pela elevada receita, sobretudo na exportação, e dos custos que não haviam sofrido tanto os impactos da taxa de câmbio depreciada.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 

Data

21 junho 2021

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