Destaques Econômicos CDL POA

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: o prognóstico para 2021 desacelerou de +5,22% para +5,15%. Cremos que o movimento foi provocado em função da divulgação do número referente ao segundo trimestre – -0,1% em comparação com o período imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal, aquém da mediana de mercado coletada pela Refinitiv (+0,2%). A grande decepção foi a agropecuária (-2,8%), dado o impacto do clima adverso sobre algumas importantes culturas, especialmente café, cana-de-açúcar e milho.

Entendemos que uma das ameaças capitais para limitar o crescimento em 2021 e 2022 diz respeito à crise hídrica, visto que o nível aguardado de chuvas ao final de novembro deve ser inferior até mesmo ao vivenciado no racionamento entre 2001 e 2002. A política monetária também atuará para frear a atividade em 2022. Além disso, as eleições e o cenário internacional menos benigno para os emergentes, diante da queda das injeções de liquidez oriundas dos bancos centrais dos países desenvolvidos, poderão suscitar um comportamento de espera da parte dos agentes. Agora, o PIB antevisto para 2022 é de +1,93%, e não +2,00%.

Por sua vez, o quadro sanitário segue apresentando melhora sensível. Mantida a tendência, acreditamos em flexibilizações adicionais ao funcionamento dos negócios, de modo que o beneficiado primordial é o ramo terciário.

Preços: o IPCA calculado para 2021 moveu-se de +7,27% para +7,58%. Trata-se do 22º avanço consecutivo. Na semana passada, o governo federal revisou o valor da bandeira vermelha patamar 2 da energia elétrica, de R$ 9,492 para R$ 14,20 a cada 100 kWh demandados, ou seja, uma correção de 49,6%. A cobrança está atrelada à utilização das usinas termoelétricas, cujo processo de geração é consideravelmente mais caro. Em 2022, o cômputo para o índice oficial de inflação subiu para sétima oportunidade ininterrupta, de +3,95% para +3,98%. Vale lembrar que quanto maior a variação no ano precedente, mais difícil é o seu controle no intervalo de tempo subsequente, por conta da inércia causada pela indexação dos contratos, que repõe fração relevante (ou a totalidade) da perda do poder de compra da moeda.

Taxa SELIC: a deterioração do panorama para os preços no ano que vem originou uma nova elevação nas expectativas, migrando de 7,50% ao ano (a.a.) para 7,63% a.a. no encerramento de 2021.

Contas públicas: na nossa avaliação, os riscos fiscais diminuíram no curtíssimo prazo com a peça orçamentária de 2022, pois não há projeção de parcelamento dos precatórios nem ampliação do Bolsa Família. As perspectivas, no entanto, continuam delicadas, em virtude do espaço reduzido para expansão de dispêndios e do decréscimo de arrecadação estimado com a reforma tributária, de R$ 52,2 bilhões nos próximos 3 anos, conforme a IFI.

Avaliação do Novo CAGED – julho de 2021

Brasil: criação de 316.580 vagas em julho, acima do consenso dos especialistas consultados pela Reuters (250.000). Em primeiro lugar, tivemos 50 mil contratações adicionais em comparação com junho (1,656 milhão contra 1,606 milhão). Ressaltamos que essa variável guarda uma associação importante com o nível de atividade econômica, aqui sintetizado pelo Monitor do PIB, da FGV, de acordo com o gráfico a seguir. Os sinais, portanto, apontam para a expansão da produção no período, embora de forma lenta.

Por sua vez, as demissões também registraram aumento (de 1,301 milhão para 1,340 milhão). Conforme os dados oficiais, 3,40 milhões de colaboradores apresentavam garantia provisória do vínculo em julho, através dos programas ofertados pela União, como a suspensão de contrato / redução de jornada com diminuição proporcional de salário. Essas medidas ajudam na contenção dos desligamentos, estimulando a retenção dos funcionários mediante complemento de parcela das perdas dos vencimentos.

Rio Grande do Sul: geração de 14.750 postos em julho. No ranking que confronta esse número em relação ao estoque de mão de obra em junho, alcançamos a vigésima terceira colocação entre as Unidades da Federação (+0,56%), aquém da média nacional (+0,77%).

Informações por categorias:

A elevação disseminada entre os recortes constitui fator positivo. Além disso, a abertura das estatísticas mostra que os segmentos ligados a bens não essenciais e aqueles de maior dependência de interação social foram alguns dos destaques no mês, incluindo alojamento e alimentação (+1.580) nos serviços, vestuário e acessórios (+441) no comércio varejista e couro e calçados na indústria (+1.269). As seções citadas sofreram intensamente com a queda da mobilidade, imposta para tentar controlar a pandemia. Vale mencionar, igualmente, a Tecnologia da Informação (+555), impulsionada pela necessidade de digitalização das empresas para a manutenção da competividade. Já o desempenho de “ferragens, madeira e materiais de construção” (+378) é reflexo do acréscimo do tempo de permanência das pessoas em seus respectivos lares e de juros baixos para padrões domésticos. Por fim, o ramo de máquinas e equipamentos, inserido no setor secundário, somou +1.364 vagas, puxada por tratores e implementos (+646). O aquecimento do nicho em questão decorre das perspectivas favoráveis da demanda externa e interna, da taxa de câmbio atrativa à exportação e do custo do crédito ainda vantajoso.

Análise do PIB do Brasil no segundo trimestre de 2021

Visão geral: o nível de atividade permaneceu praticamente estável entre abril e junho de 2021 em comparação com os três meses imediatamente precedentes, depois do ajuste sazonal (-0,1%). Tal desempenho veio abaixo da expectativa coletada pela Refinitiv (+0,2%). Consequentemente, o produto seguiu idêntico ao verificado no encerramento de 2019, ou seja, antes da pandemia. A moderação era esperada, em função da recomposição da base após o pior momento da crise. Entendemos que a queda só não foi maior por causa da renovação das medidas do governo federal que, embora bem menos intensas do que em relação a 2020, ajudaram na sustentação dos rendimentos e da ocupação.

Pela ótica da oferta, a agropecuária (-2,8%) e a indústria (-0,2%) encolheram. No âmbito da categoria primária, a quebra das safras de café, cana-de-açúcar e milho foi determinante, enquanto o parque fabril vive uma acomodação, diante: (1) da desorganização ainda presente das cadeias de suprimentos / matérias primas; (2) do encarecimento do custo dos empréstimos e da energia elétrica; e (3) da realocação de despesas dos consumidores. O item (3) catapultou os serviços (+0,7%), em linha com o crescimento da circulação de pessoas propiciado pela melhora do quadro sanitário, favorecendo a criação de empregos.

No que se refere à procura, os gastos das famílias apresentaram variação zero. Se, por um lado, o auxílio emergencial, o BEm e a disponibilidade de crédito constituíram fatores positivos, o aumento da inflação e da Taxa SELIC atuaram negativamente. Por seu turno, a formação bruta de capital fixo (investimentos) caiu 3,6%: apesar da manutenção do movimento de aquisição de máquinas e equipamentos e da dinâmica benigna da construção civil, houve um recuo porque as operações com as plataformas de petróleo entre janeiro e março inflaram o patamar da série. Especificamente a respeito do setor externo, destaque para as exportações (+9,4%), fundamentalmente por conta da demanda internacional aquecida e da taxa de câmbio depreciada.

Já o incremento de +12,4% sobre igual período de 2020 se deve a um efeito estatístico. Tivemos, à época, o ápice do distanciamento social, com severas limitações à mobilidade.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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Data

06 setembro 2021

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