Destaques Econômicos CDL POA

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: ao passar de +5,05% para +5,18%, o prognóstico para 2021 subiu pela décima primeira semana ininterrupta. Por um lado, o volume físico gerado pelo parque fabril em maio cresceu +1,4% em relação a abril após a correção pela sazonalidade  – estatística inferior ao consenso dos especialistas sondados pela Refinitiv (+1,7%). Por outro, a confiança empresarial, aferida pela FGV, avançou 4,3 pontos em junho contra o período imediatamente anterior, atingindo o recorde da série desde dezembro de 2013. Todas as grandes categorias registraram ganhos no último levantamento.

Entendemos que o equacionamento do problema sanitário atrelado à COVID-19 é crucial para dar celeridade à retomada ao longo do segundo semestre. Assim sendo, os segmentos mais afetados pelo distanciamento social devem liderar o processo, sobretudo os bens ditos não-essenciais (vestuário, calçados, acessórios e veículos), bem como os ramos de alimentação, alojamento, saúde e educação no âmbito do setor terciário.

Preços e Taxa SELIC: o IPCA computado para 2021 moveu-se de +5,97% para +6,07% entre 25 de junho e 02 de julho. Trata-se da décima terceira majoração consecutiva. Declarações recentes dos membros do COPOM refletem a preocupação com o descasamento das expectativas de inflação para 2022 ante a meta de 3,50%. O endurecimento do tom a respeito do balanço de riscos amplia a probabilidade de que tenhamos juros que superem o patamar neutro – nível que equilibra oferta e demanda –, estimado em, aproximadamente, 6,5% ao ano, para completar o ajuste da política monetária.

Comentários acerca do panorama – Bradesco

A expansão do produto somará +5,2% em 2021, ao contrário dos +4,8% aguardados no início de junho. Indicadores antecedentes apontam para uma trajetória benigna, por conta do incremento vigente da mobilidade. Além da adaptação dos agentes às medidas de restrição ao funcionamento dos negócios, as exportações também desempenham papel positivo nessa reavaliação, em linha com a recuperação global. Já a falta de insumos e a crise hídrica representam empecilhos para a concretização de números mais expressivos.

Especificamente sobre as contas públicas, pesa favoravelmente a boa dinâmica da arrecadação de impostos. Em um cenário bastante factível de manutenção (1) do teto de gastos e (2) de despesas referentes à pandemia por volta de R$ 130 bi, o déficit primário fechará o ano em 1,7% do PIB.

Para 2022, espera-se um alívio do IPCA (+3,3%), em função da combinação entre o aumento da Taxa SELIC, a ociosidade no emprego e estabilidade na cotação das commodities.

 

IGP-M cresce 0,60% em junho

 Em junho, o IGP-M avançou +0,60%. Trata-se do menor nível para o período desde 2017 (-0,67%). Embora a variação acumulada nos últimos 12 meses tenha desacelerado de 37,1% para 35,8%, temos a segunda maior métrica em toda a história do Plano Real.

O principal determinante do resultado foi o comportamento no âmbito do produtor, ao passar de +5,23% para 0,42%. Dois fatores atuaram em conjunto como causas. Em primeiro lugar, houve apreciação expressiva da taxa de câmbio (4,9% somente entre maio e junho), o que torna os artigos estrangeiros relativamente mais baratos em moeda doméstica. Além disso, as commodities em Dólar caíram.

Ainda sobre a dinâmica no início das cadeias, destaque para os componentes que exerceram as contribuições negativas primordiais: minério de ferro (-3,04%), soja em grão (-4,71%), milho em grão (-5,50%), farelo de soja (-4,62%) e suínos (-13,50%).

Por sua vez, a medição referente aos bens e serviços adquiridos pelas famílias na ponta final registrou expansão de +0,57%, influenciada pelos combustíveis e energia elétrica. Já o termômetro das edificações / obras de infraestrutura manteve alta relevante, ao subir de +1,80% para +2,30%, muito em função do encarecimento dos profissionais da área.

 

Avaliação do Novo CAGED – maio de 2021

 Brasil: criação de 280.666 vínculos em maio, acima do consenso do Valor Data (+150.000). As admissões (1,549 milhão) exibiram aumento contra abril (1,388 milhão). Cabe ressaltar que as contratações apresentam associação relevante com a evolução o nível de atividade, sintetizado pelo Monitor do PIB, da FGV. Portanto, a leitura acusa crescimento da produção após duas quedas consecutivas.

Por sua vez, o ritmo das demissões continuou praticamente constante (de 1,272 milhão para 1,268 milhão). Conforme os dados oficiais, 2,664 milhões de acordos de suspensão de contrato / redução de jornada com diminuição proporcional de salário foram celebrados, favorecendo, ao todo, 2,386 milhões de colaboradores. Vale lembrar que aqueles que aderiram ao programa ofertado pela União possuem estabilidade provisória por uma janela equivalente ao dobro do tempo de vigência dos pactos, e que só pode ser desfeita mediante pagamento de multa.

Rio Grande do Sul: geração de 7.458 postos em maio. No ranking que confronta esse número em relação ao total de trabalhadores em abril, alcançamos a vigésima sexta colocação entre as Unidades da Federação (+0,29%), bem aquém da média nacional (+0,70%). As informações por categorias mostram que os serviços (+6.043) originaram o maior saldo.

Comentários: houve, no âmbito da agropecuária e da indústria, destruição expressiva de vagas na coleta de maçã (-1.074) e no beneficiamento de arroz (-1.305), respectivamente. Temos, aqui, um fenômeno sazonal, pois, em consonância ao calendário agrícola, abril é o último período de melhor adequação para a colheita de ambos os itens.

No setor secundário, o destaque positivo é de máquinas e equipamentos (+1.076), sobretudo a parcela de tratores e implementos. O aquecimento do nicho em questão decorre das perspectivas benignas de demanda externa e interna, da taxa de câmbio ainda convidativa à exportação e de juros reais deprimidos para padrões domésticos.

Já o varejo (+3.032) foi puxado por hiper e supermercados (+494) e artigos de vestuário e acessórios (+426). No primeiro caso, estamos em meio à tendência de forte abertura de lojas pelas grandes redes. No segundo, cremos que a combinação entre procura reprimida e frio ajudou o recorte.

 

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 

Data

05 julho 2021

Compartilhe