Destaques Econômicos CDL POA

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: o prognóstico para 2021 subiu pela décima quinta oportunidade ininterrupta, de +5,29% para +5,30%. A FGV espera que o nível de atividade expanda 0,1% entre abril e junho ante os três primeiros meses de 2021, puxado pelos gastos das famílias (+0,5%) e do governo (+1,1%). Por sua vez, os investimentos encolherão -4,3%, em função da base de comparação elevada. Caso o cenário venha a se concretizar, o efeito carregamento – resultado no ano considerando uma estagnação ao longo do segundo semestre – será de 5,0%.

Preços e Taxa SELIC: o IPCA calculado para 2021 moveu-se de +6,56% para +6,79% entre 23 e 30 de julho. Boa parte desse incremento aconteceu na quinta-feira, dia 29, quando a FGV revelou o IGP-M do mês passado: a abertura dos dados mostra que a inflação dos consumidores ficou ainda mais pressionada (de +0,57% para +0,83%), com destaques para a tarifa de energia elétrica e o GLP.

Em semana marcada pela reunião do COPOM, o Comitê deverá aumentar a Taxa SELIC em 1 ponto percentual. Vale ressaltar que (1) frustrações no tocante às chuvas e ao abastecimento dos reservatórios; (2) depreciações da taxa de câmbio; (3) encarecimento das commodities; e (4) danos do frio sobre determinadas lavouras podem demandar um aperto adicional da política monetária.

Comentários acerca do panorama – Fundo Monetário Internacional

O FMI revisou a estimativa de crescimento para o Brasil em 2021: de +3,7%, conforme o cômputo de abril, para +5,3%. Além da surpresa positiva com o produto no primeiro trimestre do ano, os termos de troca (razão entre os preços das exportações e o das importações) majoraram significativamente, catapultando o setor externo. Entre os riscos citados que ameaçam a continuidade da retomada estão as cepas do novo coronavírus, a necessidade de ampliar os juros para controlar a inflação e a redução / erradicação do conjunto de estímulos adotados para mitigar os impactos da crise. Já para 2022, a variação aguardada para o total bens e serviços no território nacional é de +2,1%. A desaceleração é explicada pela antecipação da recuperação em 2021, o que acaba por conter as taxas no intervalo de tempo subsequente.

No âmbito global, a expectativa é de alta de 6,0%: idêntica ao penúltimo levantamento. Todavia, a composição mudou, com ganhos para as nações avançadas (de +5,1% para +5,6%) e diminuição do ímpeto dos países em desenvolvimento (+6,8% para +6,3%). A justificativa diz respeito não só à dinâmica da imunização da população em ambas as regiões, como também do suporte fiscal expressivo: no primeiro grupo, são US$ 4,6 trilhões em medidas válidas para 2021, enquanto parcela relevante das ações no segundo expirou em 2020.

 

IGP-M cresce 0,78% em julho

Em julho, o IGP-M avançou +0,78%, abaixo, portanto, da expectativa coletada junto às instituições sondadas pelo Valor Data (+0,89%). Embora a variação acumulada nos últimos 12 meses tenha caído novamente, de 35,8% para 33,8%, temos a terceira maior métrica em toda a história do Plano Real.

Discriminação dos dados:

Houve, no âmbito do produtor, aceleração de +0,42% para +0,71%. Cremos que a apreciação da taxa de câmbio observada ao longo da amostragem das informações (-1,2%) impediu que o incremento fosse superior. As commodities, por sua vez, exibiram movimentos dicotômicos: por um lado, o minério de ferro registrou a maior influência altista, enquanto a soja e o milho exerceram as principais contribuições negativas para o indicador agregado.

No tocante às famílias, a leitura subiu de +0,57% para +0,83%, com destaque para os componentes relacionados ao setor de energia, incluindo a tarifa elétrica e o GLP.

 

Apontamentos sobre a conjuntura econômica

1) Novo CAGED:

Brasil:

De acordo com o Ministério da Economia, o saldo entre a criação e a destruição de empregos formais em junho totalizou 309.114 no território nacional. A estatística veio acima da expectativa coletada pelo Projeções Broadcast, cujo consenso acusava a geração líquida de 267.600 vagas.

Rio Grande do Sul:

Já o RS foi responsável por 11.446 oportunidades, o que representa um crescimento de 0,44% no estoque gaúcho de mão de obra. O percentual, no entanto, ficou abaixo da variação média registrada por todas as Unidades da Federação e o Distrito Federal +0,76%.

2) Balanço das famílias

O grau de endividamento das pessoas físicas junto ao sistema financeiro em relação à renda acumulada nos últimos 12 meses, incluindo salários, recebimentos oriundos do governo e o retorno das aplicações, atingiu em abril o recorde da série histórica, iniciada em 2005. Conforme o Banco Central, o número alcançou 58,5%, de modo que tal proporção mede o volume de débitos contraídos pelos consumidores.

Igualmente relevante é o fluxo mensal de desembolsos dos agentes com o serviço da dívida. O comprometimento, portanto, reflete a importância dos pagamentos de juros e amortizações nos orçamentos. Aqui, o valor para abril somou 30,52%, próximo do seu pico.

A primeira variável (48,5% para 58,5%) expandiu mais do que a segunda (27,5% para 30,5%) ao longo dos últimos cinco anos, por conta da forte queda da Taxa SELIC e do alongamento do prazo, sobretudo em função da maior utilização do crédito imobiliário. Logo, tanto as parcelas pós-fixadas quanto as despesas com novas operações de empréstimo são negativamente afetadas pelo panorama atual, com a subida dos juros.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

Data

03 agosto 2021

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