Como a pandemia afetou o consumo e a prestação de serviços?

Como a pandemia afetou o consumo e a prestação de serviços?

17

NOVEMBRO, 2020

Notícias

A COVID-19 transformou completamente a dinâmica esperada para o nível de atividade em 2020. Diante do avanço da doença em escala global, três choques contracionistas passaram a concomitar: (i) restrições ao funcionamento dos negócios; (ii) enfraquecimento do mercado de trabalho, em função da necessidade de readequação dos estabelecimentos ao panorama recessivo; e (iii) deterioração do sentimento dos agentes a respeito da situação atual e das perspectivas futuras.

Dado que as despesas das famílias representam parcela considerável (64,9%) do PIB nacional, é fundamental compreender de que modo o coronavírus impactou tal vetor. A Sondagem do Consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), conduzida em outubro, mostra que 60% dos entrevistados estão adiando gastos. Entre as principais razões apontadas por esse subconjunto, o canal das expectativas – “incerteza com relação à pandemia” e a “poupança precaucional” – ganhou destaque.

No tocante à opção mais lembrada, houve inegavelmente uma melhora do quadro sanitário ao longo das últimas semanas. Porém, existem temores de uma nova onda. É importante notar que os percentuais foram obtidos antes das informações recentes acerca da eficácia dos testes com determinadas vacinas.

Já sobre a segunda alternativa pela ordem, as estatísticas do Banco Central evidenciam que, entre 28 de fevereiro e 27 de outubro, a captação líquida da caderneta somou R$ 161,4 bilhões, ou seja, recorde desde 1994 nessa base de comparação em termos reais. O montante supracitado será responsável por dar alguma sustentação à demanda em 2021, sobretudo por conta da possibilidade concreta de retirada de muitas das medidas do governo a partir de janeiro, incluindo o auxílio emergencial e os programas de preservação do emprego.

Especificamente sobre a oferta, cabe acompanhar com a devida atenção o setor terciário. Trata-se da categoria que apresenta o maior peso entre todas (73,9% do Valor Adicionado Bruto em 2019), e justamente é a que vem se recuperando mais lentamente do pior momento da crise, após o bimestre março-abril. Aqui, a ausência de previsibilidade nos espectros econômico e da saúde atingiram os primeiros lugares entre os fatores que comprometem a percepção das firmas para os próximos meses.

Mais da metade (52,1%) também acusa falta de confiança nas políticas do Ministério liderado por Paulo Guedes. Entendemos que esse tipo de manifestação abrange tanto as preocupações concernentes às finanças públicas quanto a capacidade de endereçamento das reformas, como a tributária e a administrativa, além da aceleração do processo de privatizações / concessões.

Em suma, cremos que esse composto de ameaças, do lado da produção e da procura, reforçam a tendência de uma retomada gradual da renda e da ocupação em 2021.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 

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Data

17 novembro 2020

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