Comércio gaúcho avança 4,6% em maio ante abril

O comércio varejista no Rio Grande do Sul voltou a apresentar resultados positivos no mês de maio. O volume de vendas no setor cresceu 14,6% na comparação com igual período de 2020. E em relação a abril deste ano, com ajuste sazonal, o avanço foi de 4,6% – o segundo mês seguido com variação positiva em 2021. Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgada ontem.

Outros artigos de uso pessoal e doméstico, tecidos, vestuário e calçados, além de livros, jornais, revistas e papelaria lideram no crescimento entre as oito atividades presentes na pesquisa em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento no volume de vendas no Estado é de 2,8%. Nos últimos 12 meses, a variação é de 0,9%.

Economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), Oscar Frank afirma que a comparação de maio deste ano com o mesmo mês de 2020 ocorre sobre uma base fraca, prejudicada pela pandemia de coronavírus. Na metade do ano passado, o país enfrentava um dos momentos mais intensos no combate à crise sanitária.

O economista avalia que o avanço do setor é motivado por uma demanda reprimida, que começa a ser atendida com a maior abertura das atividades. Frank também cita a busca maior por roupas de inverno diante do frio mais severo no Estado como outro fator que impulsionou as vendas do segmento de vestuário.

– Na medida em que a gente tem mais flexibilizações para o funcionamento das atividades, naturalmente essa demanda passa a ser mais elevada. Tanto pela questão de uma demanda reprimida quanto pelo próprio frio – explica Frank.

Em relação ao segmento de hipermercados e supermercados, único com resultado negativo no Estado, o especialista afirma que a atividade sofreu menos com os impactos das restrições de funcionamento, portanto, tem menos margem para crescer no volume de vendas. A alta da inflação e o auxílio emergencial menor também são ingredientes que ajudam a explicar a redução nesse setor, segundo o economista-chefe da CDL Porto Alegre.

O presidente da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV), Sérgio Galbinski, avalia que o crescimento das vendas por outros meios além da loja física, como em ferramentas digitais, também tem participação na retomada do comércio:

– As pessoas estão ficando mais maleáveis para comprar. Os consumidores estão aceitando essas novas formas e as lojas estão aprendendo a fazer isso.

Os especialistas ouvidos pela reportagem de GZH afirmam que as expectativas para o comércio varejista são positivas para os próximos meses. No entanto, a retomada com mais fôlego está diretamente ligada ao avanço do combate à crise sanitária, segundo Frank:

– À medida que houver normalização das atividades, nós teremos um crescimento puxado muito em função desses segmentos que foram muito prejudicados.

Nacional

O movimento registrado no Estado acompanha o desempenho positivo do país. As vendas no comércio cresceram 1,4% em maio na comparação com abril no Brasil. Já em relação a maio de 2020, o salto foi de 16%. Tecidos, vestuário e calçados lideram entre os segmentos em maio ante o mesmo mês de 2020.

O gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, também reforça que o protagonismo do setor na comparação com o ano passado ocorre sobre uma base fraca.

– Em relação a esse indicador, precisamos lembrar que a base de comparação era muito baixa. Era o recorde inferior da série histórica da pesquisa. Então podemos observar números bastante elevados, sobretudo no setor de tecidos, por causa da queda, especialmente, no período de março, abril e maio de 2020 – ressalta Santos.

Fonte: Jornal Zero Hora – Edição impressa em 08/07/2021

Data

08 julho 2021

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