A volta ao tripé macroeconômico

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JULHO, 2017

Economia

Na semana passada, o COPOM decidiu reduzir a Selic para 9,25%, como esperado pelo mercado. Em nota oficial, o comitê destacou a estabilidade econômica e a projeção de recuperação gradual nos próximos meses. É a primeira vez desde agosto de 2013 que a taxa fica abaixo de 10%, o que mostra a melhora do panorama atual macroeconômico em comparação com os últimos anos. Muito disso se deve ao direcionamento da equipe econômica atual do governo, que soube se valer do tripé macroeconômico brasileiro na condução de suas políticas.

O tripé macroeconômico é composto de três partes: Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Meta de inflação e Câmbio flutuante. Ele pode ser definido como algo para manter as contas em dia, manter os preços sob controle e não interferir no mercado de câmbio. Esse tripé tem sido a estratégia oficial da equipe econômica do governo desde julho de 1999 e foi quando deixamos esse tripé de lado que a situação econômica saiu do controle há alguns anos.

Embora a situação fiscal ainda não esteja em um patamar confortável, podemos observar uma clara “despiora” dessa perna do tripé, pois há uma certa preocupação no controle de gastos do governo, ainda mais depois da aprovação do PEC do gasto público. O sistema de metas de inflação tem se mostrado um método forte para controle inflacionário no país, nos períodos em que foi de fato utilizado. Quando os preços fugiram do controle em 2015, as decisões de política monetária estavam mais a serviço do poder executivo do que do tripé macroeconômico e, justamente por isso, tivemos uma quebra na estabilidade de preços. Contudo, quando o COPOM voltou a seguir esse sistema de metas, houve retorno da estabilidade.

O último pilar é o câmbio flutuante, que consiste na não interferência no mercado de câmbio pelo governo. Embora haja uma certa interferência, ela costuma ocorrer para diminuir a volatilidade do Dolar com relação ao Real e não para determinar o seu valor. Esse sistema permite que o governo não tenha que gastar suas reservas com a determinação do câmbio, pois isso fica a cargo da oferta e da demanda por moeda.

A volta da confiança do mercado em tais políticas e o retorno da utilização do tripé macroeconômico foram determinantes para que a economia voltasse a dar sinais de melhora, mas isso só foi possível pois a sociedade acreditou nas ações da equipe econômica do governo.

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*VICTOR SANT’ANA É ECONOMISTA DA CDL PORTO ALEGRE E POSSUI GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS E MESTRADO EM ECONOMIA APLICADA PELA UFRGS.