Uma nova forma de estimar a taxa neutra de juros do Brasil

12

FEVEREIRO, 2020

Notícias

O Banco Central, em publicação divulgada recentemente, apresentou uma nova alternativa de estimação da taxa neutra de juros do Brasil. Nesse patamar, a oferta e a demanda por fatores de produção (capital, trabalho, tecnologia) estão em equilíbrio, o que gera uma inflação estável. Quanto mais baixa, por exemplo, menor é o custo do dinheiro ao longo do tempo com a preservação dos fundamentos. Abrem-se novas possibilidades de expansão do consumo das famílias, dos investimentos produtivos e de tomada de dívida por parte do governo, portanto.

Para a construção desse indicador, conforme a metodologia descrita no Relatório Trimestral de Inflação de dezembro de 2019, foram coletadas as medianas das projeções da Taxa SELIC enviadas pelos analistas de mercado consultados pelo Relatório FOCUS, do Banco Central, para três anos à frente. Aqui, a hipótese subjacente é de que, para um prazo mais estendido, os especialistas submetem suas apostas observando a estrutura da economia, de modo que eventuais desvios de curto prazo causados por choques (sejam eles positivos ou negativos) estejam dissipados.

Como os valores da taxa neutra de juros são reais, ou seja, descontam a inflação, as expectativas para o IPCA em igual janela de tempo também são necessárias para o cálculo. Os dados da série, com início em 2010, estão dispostos no gráfico a seguir.

Dois fatos chamam a atenção: além do nível atual ser o mais baixo da história, houve uma redução muito significativa desde 2016. Alguns fatores podem ser apontados para explicar esse fenômeno, entre os quais:

  • Melhora do horizonte de sustentabilidade das contas públicas no médio e longo prazos, determinada pelo controle constitucional dos gastos primários da União, ainda em 2016, e da aprovação da reforma da Previdência em 2019;
  • A diminuição do crédito subsidiado, diante da reformulação do papel do BNDES e da substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para a Taxa de Longo Prazo (TLP), que incorpora fundamentos de mercado.
  • O recuo dos juros internacionais a partir de meados de 2018, com o intuito de lidar com a desaceleração do PIB verificada em vários países;
  • Os ganhos de credibilidade do Banco Central junto aos agentes formadores de preços desde 2016, determinado pela condução técnica das decisões dos colegiados.

Atualmente, o Brasil está com juros reais inferiores à taxa neutra, justamente para servir de impulso ao nível de atividade. A continuidade da tendência de queda verificada nos últimos anos depende de novas reformas que visem frear as despesas públicas, além de tornar as instituições mais amigáveis aos desenvolvimento de negócios.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

_________________________________________________________________________

Veja também: