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Por que a retomada do Brasil no pós-crise é tão lenta?

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NOVEMBRO, 2019

Notícias

As estatísticas oficiais comprovam: os anos de 2015 e 2016 foram marcados pela maior recessão brasileira em mais de um século do ponto de vista do PIB, e da segunda mais intensa considerando o PIB per capita. Como se não bastasse, a recuperação de tais perdas se dá no ritmo mais lento dos últimos 100 anos, segundo o IBGE. Logo, é fundamental investigar algumas das causas que justificam essa retomada tão morosa da atividade econômica nacional desde 2017.

A despeito de questões conjunturais, como a deterioração do cenário internacional em 2019 e do avanço vagaroso das reformas estruturantes no Congresso Nacional, existe uma causa mais profunda. Até 2016, o modelo de crescimento estava pautado na demanda, com ampliação dos dispêndios governamentais ao longo do tempo em velocidade muito superior à inflação. Desde então, com a aprovação do controle constitucional das despesas, as variações anuais são negativas, conforme o gráfico abaixo.

Essa expansão desenfreada dos dispêndios públicos gerou diversos desequilíbrios. Apesar da vasta quantidade de capital, os recursos foram mal alocados. Como resultado, as taxas de retorno não produziram efeitos positivos para o bem-estar da sociedade, como o aumento de emprego, da renda, e a melhoria da infraestrutura e da competitividade.

Nos últimos três anos, o cenário se inverteu. A ideia principal dessa mudança de rota é dar maior protagonismo à iniciativa privada, em busca de ganhos de eficiência. Segue abaixo uma breve lista das medidas aprovadas nesse intervalo, além do controle constitucional das despesas da União:

  • Reforma trabalhista;
  • Remodelação completa da Petrobras e do BNDES, incluindo a forma de financiamento (da TJLP para TLP);
  • Abertura do setor aéreo ao capital estrangeiro (de 20% para 100%);
  • Lei da liberdade econômica;
  • Reforma da Previdência;

O novo arcabouço produz um choque contracionista no PIB no curto prazo: até que o setor privado entenda seu papel dentro dessa estrutura, a atividade cresce a taxas mais baixas. Entretanto, a tendência é de que os resultados sejam muito mais sustentáveis e duradouros daqui em diante.

Outra forma de avaliar esse fenômeno é através do comparativo entre a evolução do PIB do setor privado e o do Setor Público. O primeiro é constituído por três elementos: consumo das famílias, formação bruta de capital fixo (investimentos produtivos) dos agentes privados e a diferença entre exportações e importações. Já o segundo diz respeito às despesas correntes e aos investimentos. O gráfico abaixo demonstra que, após o impeachment da ex-presidente Dilma, o setor privado vem abocanhando cada vez mais espaço frente ao seu par.

Consideramos que a dinâmica recente é salutar para a nossa economia. Não adianta conceder estímulos à demanda sem que o lado da produção (oferta) esteja preparado para garantir, em condições adequadas, o suprimento dessas necessidades.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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