O futuro de uma economia incerta

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AGOSTO, 2017

Economia

Vivemos um período conturbado de nossa história: recessão, crise política, crise moral, incerteza econômica, entre outros. Ainda nessa semana, deve ser anunciado o aumento do déficit fiscal previsto para 2017, o que na prática representa mais um ano com descontrole de gastos estatais. Somos um país com muito jogo político e pouca gestão no governo.

O aumento recente do imposto sobre os combustíveis foi uma tentativa de salvar o déficit, mas é o remédio errado para um doente em estado crítico. Crises fiscais têm muito mais chance de dar certo se solucionadas pelo lado do custo e não da receita. Isto é, o governo deveria se preocupar mais com redução de gastos e não com aumento de impostos. Isso apenas onera ainda mais a população e transfere o problema para o futuro, pois o aumento recorrente de tributos é uma estratégia limitada para enfrentar o endividamento crescente.

Quando o assunto é corte de gastos, o problema sempre é onde cortar, pois estamos diminuindo um cobertor que o estado sempre diz que é curto. Não estou aqui dizendo que será fácil ou que não será doloroso, mas não temos meios de sustentar mais do que aquilo que conseguimos. Se temos mais carga do que mulas para carregá-las, é melhor deixar uma parte da carga para trás do que sobrecarregar as mulas e perder a carga toda.

A economia já mostrou sinais tímidos de melhora: da confiança, da inflação, da taxa de juros e no produto, por exemplo. Quando a recuperação engrenar de vez, haverá crescimento de receita estatal decorrente aumento da produção. Enquanto isso não ocorre, não adianta sobrecarregar o contribuinte com mais tributos. Isso apenas irá desestimular a economia em um de seus momentos mais cruciais. Corte de gastos não é algo fácil de fazer, mas é necessário.

Acesse as colunas do Economista Victor Sant’Ana.

 

*VICTOR SANT’ANA É ECONOMISTA DA CDL PORTO ALEGRE E POSSUI GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS E MESTRADO EM ECONOMIA APLICADA PELA UFRGS.