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O alerta vindo de fora

09

OUTUBRO, 2019

Notícias

O cenário internacional, após a calmaria verificada nos anos de 2017 e em parte de 2018, voltou a figurar como elemento de preocupação para a economia brasileira. Na medida em que o mundo cresce menos, por exemplo, a demanda por bens e serviços nacionais diminui. Além disso, o recrudescimento das incertezas provoca aversão ao risco, o que faz com que os investidores demandem juros mais altos como forma de compensação. Portanto, monitorar o exterior é essencial para compreender os limites do processo de retomada doméstica.

Como forma de sistematizar esse acompanhamento, pesquisadores desenvolveram o “Índice de Incerteza de Política Econômica Global”. Do ponto de vista metodológico, sua construção é muito simples: foram selecionados jornais de diversas partes do planeta para o monitoramento das palavras “economia”, “política” e “incerteza”. Quanto maior o número de menções a esses termos, maior a incerteza. A amostra responde por, aproximadamente, 70% do PIB mundial no conceito Paridade do Poder de Compra (PPP).

Os resultados mostram que nunca, ao longo dos últimos 20 anos, a incerteza foi tão elevada. Para se ter uma ideia, o patamar de agosto de 2019, último dado disponível, é aproximadamente 150% maior em comparação com o pior momento da crise financeira internacional de 2008/2009.

Entre os eventos que estão no radar dos formuladores de política econômica e dos investidores estão:

  1. Magnitude da desaceleração da economia americana;
  2. Desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China;
  3. Impacto da provável recessão na Alemanha, especialmente sobre a Zona do Euro;
  4. Brexit: como se dará o processo de saída do Reino Unido da União Europeia;
  5. Conflitos geopolíticos e suas consequências para os preços das commodities;
  6. Como determinadas economias emergentes (Argentina, Turquia, Irã e Venezuela) poderão estabilizar seus respectivos quadros macroeconômicos.

É importante notar que a continuidade da agenda de reformas modernizantes no Brasil é absolutamente vital para mitigar os efeitos desse aumento da incerteza no exterior. Apesar de avanços nos últimos 3 anos, o caminho a ser percorrido ainda é longo, sobretudo na busca pelo equilíbrio fiscal. A injeção de liquidez promovida pelos bancos centrais das nações desenvolvidas fornece algum alívio, especialmente no curto prazo, porém a situação está longe de ser confortável. Por mais robustos que sejam os fundamentos, nenhum país é uma ilha.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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