A incerteza presidencial brasileira

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JULHO, 2017

Economia

A cada semana há um novo capítulo no ambiente político brasileiro. Na semana passada, a condenação de Lula pelo juiz Sergio Moro por um crime de corrupção agitou ainda mais o cenário político nacional. Após receber a sentença em primeira instância, o ex-presidente já se declarou candidato à eleição presidencial no ano que vem. A esquerda brasileira está politicamente comprometida com a eleição de Lula, já que este não foi hábil em produzir um sucessor político até agora. Caso Lula possa concorrer, devemos ter um cenário eleitoral semelhante ao de 2014, quando havia uma separação clara e forte em dois grupos. Com Lula preso e impedido de concorrer, a esquerda deve chegar na eleição mais dispersa, justamente por não haver uma nova figura que os uniria nesse momento.

Com ou sem o ex-presidente na disputa, os partidos de direita já vêm declarando seus possíveis candidatos. Ainda assim, a situação desses deve depender da presença ou não de Lula na eleição. Com uma figura muito forte na esquerda, é natural que a direita acabe por se unificar em um candidato principal, com o intuito de tentar ficar na frente logo no primeiro turno da eleição. O problema para os partidos desse lado é que não existe (ainda) um candidato unânime entre eles.

Todos esses acontecimentos acabam influenciando a economia do país, justamente por aumentar a incerteza de quais serão as regras econômicas após 2018. Já estamos com sinais de recuperação da economia, mas estes seriam mais fortes se houvesse menos incerteza com relação ao futuro. Mesmo assim, este é apenas um dos diversos fatores de influência no cenário atual do país.

*VICTOR SANT’ANA É ECONOMISTA DA CDL PORTO ALEGRE E POSSUI GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS E MESTRADO EM ECONOMIA APLICADA PELA UFRGS.