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OUTUBRO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: a atualização das previsões para a economia brasileira

A expectativa de crescimento do Brasil em 2019 sofreu mais uma revisão altista: de +0,88%, na semana passada, para +0,91%. Para 2020, a estimativa permaneceu em +2,00%. No que tange à atividade econômica, dois fatores merecem destaque. Em primeiro lugar, de acordo com os cálculos da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Governo Federal, o PIB do setor privado avançou +1,69% no segundo trimestre do presente ano frente a igual período de 2018, enquanto o PIB do setor público teve recuo de -1,56% nessa mesma base de comparação. No primeiro trimestre, as variações foram de +0,69% e -0,43%, respectivamente. Ou seja, cada vez mais a demanda oriunda do consumo das famílias e dos investimentos se fortalece como a principal mola propulsora da geração de renda.

Também chama a atenção os números relativos ao mercado de trabalho e de crédito. No que concerne às movimentações de empregos formais celetistas do CAGED, o Brasil criou, em termos líquidos, 761,7 mil vagas no acumulado do ano entre janeiro e setembro, e 548,3 mil nos últimos 12 meses. Quando colocados em perspectiva, os últimos saldos mensais foram os melhores em 5 anos. Por sua vez, o crédito direcionado para as pessoas físicas aumentou 14% nos últimos 12 meses, o que deve beneficiar diversos setores, entre os quais o comércio.

As previsões para o IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, tiveram pequeno aumento para 2019, passando de +3,26% para +3,29%. O motivo foi a divulgação do IPCA-15 de outubro, cuja variação alcançou +0,09%, de acordo com o IBGE. Apesar do menor resultado para o mês desde 1998, os analistas esperavam por uma alta de, apenas, +0,03%. Para 2020, houve recuo de +3,66% para +3,60%.

Como o balanço de riscos para a inflação segue muito benigno, a Taxa SELIC deve registrar dois cortes até o fim do presente ano: um de 0,5 ponto percentual na quarta-feira dessa semana, e outro, de igual magnitude, em dezembro. Logo, os juros básicos cairão dos atuais 5,5% ao ano para 4,5% ao ano. O novo consenso de mercado aponta que a política monetária não deve sofrer alteração ao longo de 2020. Até então, a crença era de uma pequena elevação até dezembro do ano que vem, de 0,25 ponto percentual. Entretanto, reforçamos nossa visão de que o Banco Central irá prosseguir com o atual ciclo de afrouxamento da política monetária também em 2020, com duas reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual. Consequentemente, a Taxa SELIC alcançará 4,00% ao ano, e manter-se-á nesse nível até meados de 2021.

Os valores antevistos para a taxa de câmbio não sofreram mudanças para o fim de 2019 e 2020. Nos últimos dias, a cotação valorizou-se, após a conclusão da votação da reforma da Previdência no Senado e a expectativa de entrada de moeda americana com o leilão do pré-sal.

Sobre o ajuste fiscal, o Relatório PRISMA mostrou que a estimativa para o resultado primário apresentou melhora para 2019, mas piora para 2020. No presente ano, o déficit passou de R$ -104,1 bilhões em setembro para R$ -99,2 bilhões em outubro. Já para o ano que vem, foi de R$ -70,9 bilhões para R$ -75 bilhões. Logo, a busca pelo equilíbrio das contas públicas deve prosseguir em ritmo lento, pressionando, assim, a dívida bruta e impedindo um corte mais agressivo dos juros.

 

  • CAGED de setembro: análise dos principais resultados

O Rio Grande do Sul criou, em termos líquidos, 1.603 vagas em setembro de 2019, cifra próxima à registrada em igual período do ano passado (+1.645). Todavia, para tornar a análise mais fidedigna à realidade, é necessário ponderar os resultados pelas diferenças existentes de calendário. Em setembro de 2019, por exemplo, houve 20 dias úteis, ou seja, 2 a mais frente ao mesmo mês de 2018. Logo, a quantidade média de vagas criadas por dia útil foi de 91,4 e 80,2, respectivamente, ou seja, uma queda de -12,3% nesse ínterim.

A desagregação dos dados por setor mostra que a indústria gaúcha (-2.412), a partir da contribuição negativa do setor fumageiro (-3.383), exerceu influência notável para o resultado agregado. Historicamente, essa categoria apresenta um significativo número de demissões nos meses de agosto e de setembro, em função da sazonalidade inerente à fabricação de tabaco. Como resultado, as cidades no estado com maior destruição de postos de trabalho foram os polos produtores mais relevantes: Santa Cruz do Sul (-1.702) e Venâncio Aires (-704).

Por sua vez, os serviços puxaram o mercado de trabalho formal para cima, adicionando +3.473 empregos. Só o comércio varejista foi responsável por +1.489, superando o ano de 2018 (+1.161). Entre os ramos que geraram a maior contribuição positiva estão: mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, hipermercados e supermercados (+419), produtos farmacêuticos para uso humano e veterinário (+249) e mercadorias em geral, sem predominância de produtos alimentícios (+138). Já eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo (-88), vestuário e acessórios (-61) e combustíveis para veículos automotores (-39) exerceram as maiores influências negativas. Para 24 das 36 subclasses do varejo investigadas, as contratações superaram as demissões. Em outras 9, o saldo no mês ficou no vermelho, enquanto que em outras duas houve estabilidade.

No acumulado nos últimos 12 meses, a geração total de empregos formais celetistas permaneceu em 15 mil, patamar que vem se mantendo relativamente estável há mais de um ano. Essa dinâmica sugere uma preocupante acomodação no processo de retomada econômica do RS, uma vez que o desempenho do mercado de trabalho possui forte correlação com o nível de atividade. Os dados do Índice do Banco Central (IBC), que funcionam como uma proxy (aproximação) do PIB, mostram que a variação acumulada nos últimos 12 meses até agosto está em +3,2%, a mais baixa desde fevereiro. A tendência é de que após os eventos que ajudaram a criar um efeito estatístico favorável, como a greve dos caminhoneiros e a estiagem do ano passado, deixem de influenciar o crescimento da economia gaúcha nos próximos meses.

Geração de empregos – Brasil

O saldo de geração de empregos do Brasil em setembro totalizou +157,2 mil. Foi o melhor resultado para o mês desde 2014 (+168,8 mil, levando em conta as declarações fora do prazo). Outros serviços (+64,7 mil), indústria de transformação (+40,4 mil) e comércio (+28,9 mil) foram os principais destaques. No ranking por estados, os principais foram São Paulo (36,1 mil), Pernambuco (+17,6 mil), Alagoas (+16,5 mil), Rio de Janeiro (+13,9 mil) e Santa Catarina (+13 mil).