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FEVEREIRO, 2020

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

As expectativas para o PIB do Brasil em 2020 desaceleraram pela segunda semana consecutiva, de +2,23% para +2,20%. O atual cenário é marcado pela aversão ao risco, como resposta às notícias sobre o coronavírus: embora o número de novos casos na China tenha diminuído, a disseminação do vírus aumentou sua abrangência geográfica, incluindo polos como a Itália, Coreia do Sul, Japão, Irã, entre outros. De acordo com a agência de risco Standard & Poor’s, o crescimento da economia chinesa no primeiro trimestre de 2020 pode desacelerar de 6,0% para 5,0%, caso o surto seja controlado até março. Todavia, se a crise for debelada somente depois de abril, a taxa estimada é de 4,4%. Já o Deutsche Bank espera variação de -0,5% para a atividade global nesse ínterim (em termos anualizados), incluindo recuo de -1,5% na China.

Diversos indicadores do mercado de ações ao redor do mundo reagiram nos últimos dias acusando fortes perdas, incluindo as bolsas americanas e europeias. Além disso, o retorno dos títulos da dívida dos Estados Unidos de 10 anos atingiu o menor patamar de toda a história (1,32% ao ano), fruto do movimento de busca por proteção em ativos de renda fixa mais seguros. Como resultado do aumento da demanda, o preço desses papeis encarece, tornando seu rendimento menor.

As projeções envolvendo o IPCA caíram para oitava seguida: +3,22% para +3,20%. Nem mesmo a desvalorização cambial observada nas últimas semanas e o aumento da cotação prevista para o fim de 2020 e 2021 foi suficiente para impedir tal ajuste. Isso se deve (i) à grande capacidade ociosa, medida por diversas medidas subjacentes de inflação – aquelas que desconsideram itens mais voláteis e estão mais suscetíveis ao comportamento do emprego e da renda –; e (ii) ao movimento mais provável de correção do PIB em 2020 para baixo nas próximas semanas, e não no sentido contrário.

Ainda não acreditamos que o COPOM irá promover mudanças na taxa básica de juros já no próximo encontro do Comitê, a ser realizado em março. Contudo, diante do aumento de probabilidade de desempenho aquém do esperado da atividade econômica brasileira em comparação com o início do ano, e, catapultado pela possível correção da expectativa do IPCA de 2021 para abaixo da meta de 3,75% nas próximas semanas, cremos que o cenário de novos cortes da Taxa SELIC ainda em 2020 são cada vez mais prováveis.

Taxa de câmbio: o anúncio da utilização das operações de swap cambial por parte do Banco Central – medida equivalente à venda de Dólares no mercado futuro –, visando dar liquidez aos agentes, mostra que a autoridade monetária está atenta ao comportamento da cotação. A utilização dessa medida pode ser interpretada como um sinal de que níveis próximos ao atual da taxa de câmbio, em torno de R$ 4,45, são considerados confortáveis por parte da autoridade monetária.

 

Índice do Banco Central em dezembro/19

Definição: O Índice do Banco Central (IBC), de periodicidade mensal, é composto por indicadores de curto prazo dos três grandes setores da economia – agropecuária, indústria e serviços –, além de variáveis específicas sobre o mercado de trabalho, construção civil, entre outras. Trata-se de uma aproximação (proxy) do PIB, ou seja, é um termômetro da atividade econômica. Entre outras finalidades, auxilia os membros do Comitê de Política Monetária (COPOM) na condução da política monetária brasileira.

Comentários para o Brasil: na série com ajuste sazonal, o IBC apresentou queda de -0,27% em dezembro sobre novembro. O recuo foi mais intenso do que a expectativa consultada pela Reuters junto aos analistas de mercado (-0,23%), e contou com a contribuição da indústria, comércio e serviços. Cremos que o comportamento do mercado de trabalho formal no último mês do ano, de acordo com o CAGED, moderou parte desse encolhimento. No comparativo interanual (dezembro de 2019 ante igual mês de 2018), e no acumulado de 2019, vemos que a expansão da renda esteve próxima a +1,0%. Os números, de uma maneira geral, reforçam o processo de recuperação lenta verificado no período subsequente à recessão de 2015-2016.

Comentários para o Rio Grande do Sul: a economia gaúcha seguiu com a acomodação da atividade econômica em dezembro, puxada pela contenção do volume de bens fabricado pelo setor secundário. Já o comércio ajudou a evitar um desempenho ainda pior no mês, enquanto os serviços continuam com dificuldades para exibir uma trajetória mais robusta. No ano, a alta do IBC do RS de +1,7% superou a do Brasil (+0,9%), em função do impulso oriundo da agropecuária, determinado pela estiagem de 2018, e da produção de veículos automotores, reboques e carrocerias, com forte demanda via venda direta e para aplicativos de transporte.