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NOVEMBRO, 2019

Notícias

Relatório FOCUS: PIB previsto para o Brasil maior em 2019 e 2020

PIB: as expectativas para o PIB do Brasil, principal indicador de atividade econômica, subiram tanto para 2019 quanto para 2020 ao longo da última semana. No primeiro caso, passaram de +0,92% para +0,99% (variação mais alta já antevista desde o dia 12 de junho). Já no segundo, avançaram de +2,17% para +2,20% (patamar mais elevado desde 07 de junho). Os resultados dos indicadores setoriais vêm determinando as revisões para cima nas estimativas. De uma maneira geral, a dinâmica do setor terciário (comércio e serviços) está se sobressaindo em comparação com a indústria. Além disso, o mercado de crédito, principalmente das operações voltadas às pessoas físicas e, em menor escala, o emprego com carteira assinada dão suporte a esse movimento.

Índices de preços e taxa de câmbio: os analistas de mercado elevaram o número esperado para o IPCA em 2019, de +3,33% para +3,46%, apesar da prévia da inflação de novembro. De acordo com o IBGE, o IPCA-15 sofreu incremento de +0,14% sobre outubro, ou seja, o menor valor para o mês desde 1998 (-0,11%). Conforme levantamento do Broadcast, do Estadão, o dado veio abaixo da mediana dos institutos consultados (+0,16%). Cremos que uma das possibilidades capazes de justificar o ajuste do IPCA em 2019 reside no comportamento da energia elétrica. A tendência de manutenção da bandeira vermelha patamar 1 (R$ 4,16 para cada 100 kwh) em dezembro impactará o índice, uma vez que, em dezembro de 2018, a bandeira era verde (sem cobranças adicionais aos consumidores). O anúncio oficial da ANEEL deve ocorrer nessa semana.

Diante da manutenção das tensões oriundas da guerra comercial entre Estados Unidos e China, das manifestações sociais em inúmeros países na América Latina, da entrada menor do que a esperada de recursos no leilão do pré-sal e de questões políticas domésticas, o Dólar continua exibindo força em relação ao Real. Como resultado, a taxa de câmbio prevista para o fim de 2019 passou de R$ 4,00 para R$ 4,10. Apesar da correção do IPCA em 2019 e da depreciação cambial, o balanço de riscos da inflação se mantém confortável, uma vez a velocidade da retomada segue lenta. Além disso, o nível de ociosidade permanece considerável, tanto do maquinário instalado nos parques fabris quanto de mão de obra.

Taxa SELIC: os juros básicos da economia calculados para o encerramento de 2020 sofreram leve aumento, passando de 4,25% ao ano para 4,50% ao ano. De toda a forma, a política monetária continuará promovendo estímulos ao nível de atividade, ao tornar o custo da tomada de dívida mais barato para consumidores, investidores e o governo. Além disso, a redução do diferencial de juros frente às nações desenvolvidas suscita a saída de capitais do nosso País, determinando a desvalorização do câmbio. Consequentemente, o setor exportador se beneficia, uma vez que para a mesma unidade embarcada em Dólar, a rentabilidade em moeda local se torna maior.

Análise das previsões da OCDE para o Brasil e o mundo:

A OCDE divulgou recentemente suas novas expectativas para diversas variáveis importantes das principais economias do planeta. De acordo com o novo entendimento, o mundo deverá crescer +2,9% em 2020, e não mais 3,00%. A razão apontada é o acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, a redução dos investimentos privados e as incertezas advindas no campo político. Para 2019, o PIB global deverá avançar +2,9%, configurando forte desaceleração frente a 2018 (+3,6%) e a menor taxa já registrada desde a crise financeira internacional de 2008/2009.

No caso do Brasil, a OCDE está um pouco mais pessimista em relação ao cenário de momento apresentado pelo Relatório FOCUS: para 2019, o Brasil crescerá +0,8%, e +1,7% em 2020. Segundo a OCDE, a recuperação é gradual, puxada por vetores domésticos, incluindo a aprovação de reformas econômicas – com potencial para elevar a confiança e os investimentos – e taxas de juros muito baixas para padrões brasileiros. Além disso, a pequena inflação e o saque parcial das contas ativas e inativas do FGTS ajudam o consumo das famílias. Por outro lado, o elevado patamar de desemprego, a baixa qualidade dos vínculos de trabalho gerados, principalmente via mercado informal, a quadro fiscal deteriorado e a situação externa, envolvendo a Argentina e as disputas por hegemonia entre as duas maiores economias do planeta, são os principais desafios.

PNAD Contínua Trimestral – 3º trimestre de 2019: o comportamento do mercado de trabalho no Rio Grande do Sul

Taxa de desemprego: os últimos dados apontam que a taxa de desemprego cresceu no Rio Grande do Sul frente ao período compreendido entre julho e setembro de 2018 (de 8,2% para 8,8%). Apesar disso, o IBGE não reconheceu diferença estatisticamente relevante entre os dois valores. Dito de outra forma, a desocupação no estado permaneceu estável. Na capital gaúcha houve queda de 0,7 ponto percentual (de 10,2% para 9,5%). Já na Região Metropolitana de POA, a taxa se manteve estável em 10,1%. Em ambos os casos, conforme o IBGE, os números para o terceiro trimestre de 2018 e 2019 são estatisticamente iguais.

Indicador amplo de subocupação: além do desemprego, existem outros dois tipos de situações para as quais se caracteriza subocupação. A primeira delas é a insuficiência de horas – trabalhadores que exercem ofícios com jornadas de menos de 40 horas semanais, e que gostariam de trabalhar mais –, enquanto a segunda é a força de trabalho potencial: pessoas que gostariam de trabalhar, mas, que por algum motivo, não procuraram emprego. Ao todo, 16,3% da população economicamente ativa no Rio Grande do Sul encontrava-se em alguma das três condições no terceiro trimestre de 2019: expansão sobre os 15,5% atestados no mesmo período de 2018. Contudo, nesse comparativo, não há diferença estatisticamente relevante.

Comportamento da ocupação por setor: entre todas as categorias investigadas pelo IBGE, apenas “transporte, armazenagem e correio” teve alta estatisticamente significativa no Rio Grande do Sul, ao avançar 12,7%. Todos os outros, entre ganhos e perdas, mantiveram-se iguais. Importante notar que, nesse ínterim, a atividade econômica de “transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio”, medida pelo volume de serviços da PMS, do IBGE, diminuiu 5,5% entre julho e setembro de 2019 ante igual período de 2018. No caso de “comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas”, o total de trabalhadores passou de 973 mil para 1,03 milhão, ou seja, incremento de +5,9% – o segundo maior entre todas as categorias. Entretanto, não houve diferença estatística relevante, ou seja, o nível de emprego no setor permaneceu estável ao longo do último ano.

Massa de salários e rendimento médio: a massa real de salários no Rio Grande do Sul subiu 5,4% entre o 3ºT/18 e o 3ºT/19, após a correção pela inflação, gerando uma diferença estatisticamente significativa. Em termos absolutos, a renda oriunda do trabalho avançou R$ 712 milhões, ao sair de R$ 13,2 bi para 13,9 bi. Por um lado, o número de trabalhadores ocupados aumentou 2,8%. Por outro, o rendimento médio real teve ganhos de +2,7%. Vale lembrar que esse movimento ocorreu a despeito da dinâmica observada na taxa de desemprego, conforme apontado anteriormente. Como, então, a ocupação subiu e, mesmo assim, o desemprego se tornou maior?

Ao todo, 62 mil gaúchos deixaram a população não economicamente ativa (que não está ocupada, nem procurando por emprego), e passaram a ingressar na chamada força de trabalho (aqueles que ofertam a mão de obra no mercado). Parte deles, no entanto, não teve êxito na obtenção de um vínculo de trabalho, o que naturalmente pressionou a taxa de desemprego para cima. No tocante ao rendimento médio real mensal e de suas segmentações disponíveis, destaque para “informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas”, com elevação de +14,0%. Todos os demais ramos não apresentaram diferenças do ponto de vista estatístico. No caso de “comércio, reparação de veículos e motocicletas”, a alta real foi de +0,6%.