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ABRIL, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: PIB do Brasil sofre corte significativo para 2019, e desacelera também para 2020

As expectativas para o PIB do Brasil no presente ano foram cortadas pela oitava semana consecutiva. Agora, os analistas esperam alta de +1,71%, bem abaixo do consenso de mercado do dia 12/04 (+1,95%). A diferença de 0,89 ponto percentual em relação aos 2,6% previstos no dia 17 de janeiro de 2019 significam R$ 60,8 bilhões que deixarão de circular na economia nacional. Quando abertas por trimestre, no comparativo com o mesmo período de 2018, as estatísticas mais recentes apontam que o processo de aceleração da renda será ainda mais gradual ao longo de 2019: de +1,20% para +1,00% no primeiro, de +1,88% para +1,50% no segundo, de +2,08% para +1,90% no terceiro, e de +2,72% para +2,30% no quarto.

Na abertura pela ótica da oferta, os três grandes setores devem crescer em 2019 mais lentamente do que o antevisto na semana passada: agropecuária (+2,00% para +1,56%), indústria (+2,05% para +1,95%) e serviços (+2,01% para +1,80%). Por sua vez, a previsão para o PIB de 2020 caiu pela quinta semana seguida, de +2,58% para +2,50%.

Uma das hipóteses capazes de explicar o recuo da variação antecipada dos índices de preços em 2019 (de +4,06% para +4,01% no caso do IPCA, e de +4,66% para +4,41% para o INPC) é a consolidação do cenário de menor vigor da atividade econômica em 2019. Logo, quanto menor é a circulação de bens e serviços, menores são as pressões de demanda sobre a inflação.

A taxa de câmbio para o fim de 2019 teve sua estimativa elevada pela primeira vez desde novembro de 2018, passando de R$ 3,70 para R$ 3,75, lembrando que um Dólar equivale hoje a R$ 3,93. Se, por um lado, a taxa de câmbio mais desvalorizada atua como fator de competitividade para as empresas mais intensivas em exportação, eleva, por outro, o custo das importadoras, reduzindo assim o ritmo dos investimentos produtivos, muitas vezes oriundos de outros países.

Já o resultado primário do Setor Público – diferença entre receitas e despesas da União, estados e municípios, excetuado o pagamento de juros da dívida – aponta que o ajuste fiscal continuará lento não só em 2019, como também em 2020. O déficit alcançará 1,35% do PIB em 2019, e 0,9% em 2020. A preços de 2018, esses percentuais equivalem a -R$ 92,2 bilhões no presente ano e -R$ 61,4 bilhões no ano que vem, o que implica em novas rodadas de elevação do endividamento público. De acordo com o FMI, a dívida bruta como proporção do PIB fechou 2018 em 87,9%, bem acima da média dos países emergentes (50,6%). Esse patamar nos colocou na posição 27 no ranking mundial. Caso as previsões do Fundo estejam corretas, em 2023 alcançaremos 96,5% do PIB, nos colocando como a 18ª maior entre todas as nações.