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JANEIRO, 2020

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: a mediana das previsões para 2020 saiu de +2,30%, na semana passada, para +2,31%. Considerando o ano que vem, não houve mudanças (+2,50%). Nos últimos dias, duas organizações internacionais revelaram suas estimativas para o crescimento do Brasil. Em primeiro lugar, o FMI espera variação de +2,20% da atividade econômica em 2020 (+0,2 ponto percentual acima da avaliação realizada em outubro de 2019), e de +2,30% em 2021 (-0,1 ponto percentual abaixo da penúltima leitura). Segundo os analistas do Fundo, a melhora do sentimento determinada pela aprovação da Reforma da Previdência e a acomodação do setor de minério de ferro após a tragédia de Brumadinho são alguns dos componentes importantes do cenário. Já para a Organização das Nações Unidas (ONU), o PIB deve subir +1,7% em 2020 e +2,3% em 2021. Os vetores de sustentação da recuperação são o fortalecimento da confiança das famílias e dos empresários, as taxas de juros historicamente baixas para padrões nacionais e a inflação sob controle. Todavia, a significativa taxa de desemprego e a quantidade de trabalhadores subocupados limita a capacidade de expansão da renda no curto prazo.

Preços: as expectativas para o IPCA seguem se distanciando para baixo em relação à meta de +4,00%. Na última semana, as projeções para 2020 caíram de +3,58% para +3,56%. Chama a atenção, também, o comportamento dos números das 5 instituições com maior assertividade no Relatório FOCUS (Top 5). Segundo esse grupamento, o IPCA deverá encerrar esse ano não mais em +3,43%, mas em +3,40%. Uma das hipóteses capazes de explicar esse fenômeno diz respeito à elevada subutilização dos fatores de produção, como mão de obra e capital. Como resultado, as pressões de demanda decorrentes da retomada do PIB não serão tão fortes, mantendo os preços bem-comportados. Além disso, conforme apontado na última Nota Econômica, diversos recortes do IPCA, mais sensíveis à atividade econômica e ao mercado de trabalho, demonstram que a variação acumulada do nível de preços nos últimos 12 meses gravita entre 3,0% e 3,5%. Da mesma forma, a credibilidade do Banco Central junto aos agentes na formação das expectativas, e a possibilidade de que os especialistas ainda estejam atualizando seus modelos à nova estrutura de pesos do IPCA, com vigor a partir de primeiro de janeiro, podem ser elencadas como causas.

Taxa SELIC: é plausível afirmar, com margem razoável de confiança, que a Taxa SELIC cairá 0,25 ponto percentual na reunião de fevereiro do COPOM, passando de 4,50% para 4,25% ao ano. A continuidade desse ciclo dependerá do comportamento dos preços no início de 2020. Entretanto, a julgar pela dinâmica recente dos recortes do IPCA e pelas expectativas de inflação do próprio Banco Central a partir de cenários distintos para a Taxa SELIC e a taxa de câmbio, vemos espaço para que o atual ciclo de afrouxamento da política monetária prossiga, de modo que os juros básicos da economia atinjam 4,00% ao ano em março. Cremos que o hiato do produto ainda maior do que o verificado nos meses anteriores servirá como pilastra de sustentação desse impulso.

Taxa de câmbio: os últimos dias foram marcados por um movimento de maior aversão ao risco por parte dos investidores internacionais. Os mercados reagem à confirmação, por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que o coronavírus, responsável pela contaminação de 200 chineses e pela morte de três, foi transmitido entre humanos, e não apenas de animais para humanos. Destaca-se, também, a probabilidade de que uma nova rodada da partilha do pré-sal aconteça somente em 2021, e não em 2020. Nesse caso, a piora do déficit fiscal em 2020 pode impactar negativamente no fluxo cambial, servindo como uma alavanca para a depreciação da cotação.

 

Análise dos resultados das vendas do varejo do Rio Grande do Sul em novembro/19

De acordo com o IBGE, o volume de vendas do comércio restrito do Rio Grande do Sul subiu +0,3% em novembro de 2019 frente a igual mês de 2018. Alguns segmentos mais sensíveis às promoções da Black Friday, como “Materiais para escritório, informática e comunicação” (+34,8%) e “Outros artigos de uso pessoal e doméstico” (+21,0%), puxaram o setor como um todo para cima. Lembramos também que novembro foi marcado pela antecipação do calendário de liberação dos recursos do “Saque Imediato” do FGTS, o que impulsionou o poder de compra das famílias.

Por sua vez, a categoria de “Combustíveis e lubrificantes” apresentou comportamento destoante de quaisquer fundamentos econômicos, ao cair -29,9%. Foi a quarta queda consecutiva de magnitude próxima a 30% nessa base de comparação. Caso permanecesse estável em relação a novembro de 2018, o varejo restrito teria avançado +5,5%, e não +0,3% nesse ínterim, de acordo com os nossos cálculos.

Ainda sobre o conceito restrito, considerando o acumulado do ano, a alta desacelerou de +1,3% entre janeiro e outubro para +1,2% até novembro. É a taxa mais baixa em toda a última década, excetuado o biênio da grande recessão entre 2015 e 2016.

Já para o varejo ampliado (+1,2%), o grande destaque veio de “veículos, motocicletas, partes e peças”, com elevação de +6,1%. Por sua vez, “Materiais de construção” recuou pela sétima vez em 2019 (-2,8%).

O chamado “índice de difusão”, que mostra o percentual dos 10 ramos investigados com variações positivas ante o mesmo período do ano anterior, alcançou 70% em novembro: o mais baixo para o mês desde 2016. Quanto mais disseminados os bons resultados, maior tende a ser a resiliência do comércio, e vice-versa.

A tabela com o confronto entre as estatísticas do RS e do Brasil pode ser consultada abaixo.

 

IBC-BR em novembro/19: análise dos resultados

Definição: O IBC, de periodicidade mensal, é composto por indicadores de curto prazo dos três grandes setores da economia – agropecuária, indústria e serviços –, além de variáveis específicas sobre o mercado de trabalho, construção civil, entre outras. Trata-se de uma aproximação (proxy) do PIB, ou seja, é um termômetro da atividade econômica. Entre outras finalidades, auxilia os membros do Comitê de Política Monetária (COPOM) na condução da política monetária brasileira.

ANÁLISE DOS RESULTADOS – BRASIL

Comentários: apesar dos dados negativos da produção industrial, do volume de serviços e das vendas do comércio varejista ampliado em novembro frente a outubro, na série com ajustamento sazonal, o IBC-BR apresentou leve alta nesse ínterim (+0,18%), acima do que previam os analistas consultados pela Bloomberg (-0,05%). Cremos que o comportamento da população ocupada, conforme apontado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), foi fundamental para essa expansão. No comparativo interanual (novembro de 2019 ante igual mês de 2018), e em bases mais longas (acumulado de 2019 até novembro e nos últimos 12 meses), vemos que a renda manteve a trajetória de recuperação lenta, em torno de 1,0%.

ANÁLISE DOS RESULTADOS – RIO GRANDE DO SUL

Comentários: a economia gaúcha seguiu com o processo de moderação das taxas de crescimento em novembro, convergindo, cada vez mais, para a média brasileira. Entre o segundo semestre de 2018 e o primeiro de 2019 houve um descolamento significativo em favor do RS, fruto (1) da pequena base de comparação da agropecuária, determinada pela estiagem em 2018, e (2) do impulso positivo vindo da indústria, sobretudo de veículos automotores, reboques e carrocerias. Em novembro, o IBC teve contribuição negativa da indústria e dos serviços, enquanto o comércio puxou a atividade para cima.