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MARÇO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: expectativa para o PIB do Brasil em 2019 sofre corte significativo

A previsão para o PIB do Brasil em 2019 sofreu corte significativo: de 2,28% na semana passada para +2,01%, conforme os números mais recentes. Trata-se do valor mais baixo já calculado pelos participantes do Relatório FOCUS desde 04 de agosto de 2016. Se compararmos com a estimativa do dia 14 de dezembro de 2018 (+2,55%), a diferença, de 0,54 ponto percentual, corresponde a R$ 36,9 bilhões, medidos a preços de 2018, que deixarão de circular na economia brasileira. Para que o crescimento de +2,01% se materialize, o PIB deverá avançar, em média, 0,65% por trimestre. Ou seja, devemos repetir a mesma dinâmica verificada nos anos de 2011 (+4,0%) e 2013 (+3,0%).

Quando abertos por trimestre, no comparativo com o mesmo período de 2018, as novas estatísticas apontam que o processo de aceleração da renda ao longo de 2019 deve ser menos intenso no primeiro (de +1,68% para +1,30%), no segundo (de +2,10% para +2,00%) e no terceiro (de +2,50% para +2,30%). Entre outubro e dezembro, a mediana permaneceu em +2,80%. Os ajustes estão sendo motivados por, basicamente, dois motivos. Em primeiro lugar, a atividade econômica iniciou o ano em marcha lenta. Em segundo lugar, alguns organismos, como a OCDE, revisaram suas projeções para o PIB global em 2019 para baixo. É importante lembrar que a previsão de +2,01% para o PIB do Brasil em 2019 embute a aprovação da reforma da Previdência ainda esse ano.

Com relação às demais variáveis macroeconômicas contempladas pelo Relatório FOCUS, o destaque foi a redução da estimativa da Taxa SELIC para o fim de 2020 (de 8,00% ao ano para 7,75% ao ano). Acreditamos que a economia mais fraca do que o antecipado em 2019 e, consequentemente, a ausência de pressões mais fortes de demanda sobre o nível geral de preços viabiliza a manutenção da política monetária de juros baixos para padrões brasileiros por mais tempo. Além disso, tanto o IPCA quanto o INPC para 2019 tiveram altas, com maior destaque para o último. Essas revisões ocorreram após a divulgação dos dados oficiais de fevereiro (+0,43% e +0,54%, respectivamente), que vieram acima das expectativas do Relatório FOCUS (+0,36% e +0,38%).

 

  • IPCA e INPC em fevereiro vêm acima das expectativas

Visão geral: o indicador oficial de inflação do Brasil, IPCA, teve crescimento de 0,43% em fevereiro. O resultado veio acima do consenso de mercado do Relatório FOCUS, do Banco Central, que acusava elevação de 0,36%, bem como das instituições com maior assertividade nas previsões (+0,37%).

No acumulado em 12 meses, houve leve aceleração de +3,78% para +3,89%, valor ainda abaixo da meta definida para 2019 (+4,25%). Apesar dessa aceleração, o quadro inflacionário do Brasil permanece bastante confortável, uma vez que os primeiros indicadores de atividade econômica já conhecidos em 2019 mostram que a demanda agregada continuou arrefecida. Já o INPC, índice usado, entre outras finalidades, para balizar reajustes salariais, teve alta de 0,54% em fevereiro, contra expectativa de +0,38%. Nos últimos 12 meses, o INPC acumula crescimento de 3,94%.

 

  • Vendas do comércio varejista gaúcho em janeiro crescem acima da média nacional

Visão geral: Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, o volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Sul no conceito ampliado cresceu +4,5% em janeiro de 2019 frente ao mesmo período de 2018. A alta registrada em nível estadual, inclusive, foi superior à média nacional nessa base de comparação (+3,5%), e só não foi ainda maior por conta do desempenho negativo de materiais de construção (-7,4%). Na série com ajuste sazonal, a atividade do varejo ampliado ainda está 7,4% distante do seu pico, alcançado em janeiro de 2014.

No âmbito do comércio restrito gaúcho, o incremento foi de +5,1% em janeiro. Entre as oito categorias que compõem esse recorte, apenas “livros, jornais, revistas e papelaria” teve queda. Essa disseminação de resultados positivos está em linha com os vetores capazes de explicar boa parte da dinâmica do varejo: a renda dos trabalhadores e o crédito para as pessoas físicas têm superado sistematicamente a inflação, enquanto que a confiança dos consumidores apresentou melhora considerável no período pós-eleitoral. Na série com ajuste sazonal, o nível do comércio restrito do RS é recorde.