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FEVEREIRO, 2020

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: as expectativas para o PIB de 2020 desaceleraram de +2,30% para +2,23%. No nosso entendimento, duas razões fundamentaram essa revisão. Em primeiro lugar, o Índice do Banco Central (IBC) de atividade econômica, que serve como aproximação do PIB, caiu -0,27% em dezembro de 2019 sobre o mês imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal. A variação oficial veio abaixo da mediana colhida pela Reuters junto a analistas antes da divulgação (-0,23%), e reforça a possibilidade de que o PIB do quarto trimestre do ano passado venha inferior ao antevisto até então.

Em segundo lugar, diversas instituições vêm reduzindo as projeções de crescimento da China em 2020, como o banco UBS (de +6,0% para 5,4%). Vale lembrar que o país asiático demanda aproximadamente 28% da pauta de exportação brasileira. Caso o coronavírus continue deprimindo o fluxo de pessoas e postergando as decisões de investimento, haverá prejuízo para o Brasil. O UBS também cortou sua previsão para o PIB global em 2020, de +3,1% para +2,9%.

De acordo com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), a atividade econômica doméstica manteve a trajetória de recuperação gradual nas últimas semanas. Todavia, os membros do colegiado notaram a existência de uma dicotomia entre o desempenho do mercado de trabalho e da produção: enquanto a retomada do emprego segue, a produção industrial e a formação bruta de capital fixo não apresentam tração.      

Preços: a expectativa para o IPCA de 2020 caiu pela sétima semana consecutiva, de +3,25% para +3,22%. Do ponto de vista estrutural, a elevada ociosidade dos fatores de produção (capital e mão de obra) pressiona o índice para baixo. Por outro lado, o COPOM cita que o nível atual de estímulo, com taxas de juros inferiores à neutra (aquela que equilibra a oferta e a demanda), pode acelerar os preços no futuro, por conta dos efeitos defasados das deliberações do Comitê sobre o lado real da economia. Esse impacto pode ser ainda mais relevante do que o imaginado, em função da contenção do crédito subsidiado nos últimos anos e das transformações do mercado de crédito (fintechs, novo Cadastro Positivo, entre outras). Ainda sobre os fatores negativos, a concretização de um cenário de incremento dos prêmios de risco para os emergentes e de decepção com a agenda de reformas tornará o controle do indicador oficial de inflação do Brasil mais difícil. Hoje, a avaliação é de que os recortes mais sensíveis ao ciclo econômico estão bem-comportados.

Taxa SELIC: a menção do COPOM sobre o necessidade de se interromper o “ciclo de flexibilização monetária”, julgando como adequado o atual patamar, consolidou as previsões do mercado de SELIC a 4,25% ao ano até o fim de 2020. Entretanto, uma eventual frustração das perspectivas de crescimento do Brasil em 2020, e de redução da inflação para abaixo da meta em 2021, são capazes de derrubar ainda mais os juros básicos no futuro. Hoje, o tom adotado é de parcimônia sobre os próximos passos.

Taxa de câmbio: conforme levantamento da Tendências Consultoria, o Real foi a moeda que mais perdeu valor frente ao Dólar em 2020, acumulando desvalorização de 6,22%. Embora as incertezas sobre o coronavírus tenham deflagrado uma corrida dos investidores por segurança, ainda há dúvidas sobre outras questões de ordem interna. Em primeiro lugar, a retomada mais vigorosa do PIB segue incerta. Ademais, o desequilíbrio fiscal do governo permanece acentuado, e os investidores aguardam sinais mais evidentes sobre o controle de gastos públicos, a simplificação tributária e outras ações.

 

Análise dos resultados das vendas do varejo do Rio Grande do Sul em 2019

O volume de vendas do comércio restrito do Rio Grande do Sul subiu +3,5% em dezembro de 2019 sobre o mês imediatamente anterior, na série com ajustamento sazonal. Foi o melhor resultado entre todas as Unidades da Federação nesse comparativo. Com isso, a atividade do varejo gaúcho atingiu o maior nível desde o início do levantamento, em janeiro de 2000. A base deprimida ajudou na composição do indicador de dezembro, pois, em agosto do ano passado, houve uma queda atípica de 7,6% frente a julho: o maior recuo já registrado desde o início da pesquisa.

Os métodos de correção da sazonalidade não conseguem, em sua plenitude, controlar o impacto da Black Friday: evento promocional realizado nos meses de novembro que vem ganhando relevância na jornada de compra dos consumidores. Para evitar esse problema, a ideia é comparar as estatísticas com o mesmo período de 2018, de acordo com o detalhamento da tabela abaixo.

No acumulado de 2019, o faturamento real (já descontando a inflação) cresceu +1,5% no conceito restrito, e +2,4% no conceito ampliado. Ambas as variações desaceleraram ante a 2018, e, no primeiro caso, tiveram o pior desempenho desde 2006, com exceção de 2015 e 2016, marcados pela grande recessão. Cremos, todavia, na subestimação dos números de 2019. Conforme a discussão apresentada em outras Notas Econômicas, as retrações próximas a 30% do grupamento “combustíveis e lubrificantes” entre agosto e novembro não encontram respaldo em outros indicadores. Para fins de simulação, se, nesse ínterim, a categoria supracitada permanecesse estável, o comércio restrito teria avançado +3,2% em 2019, ou seja, +1,7 ponto percentual a mais, segundo cálculos da Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre.

De uma maneira geral, os dados da PMC do ano passado estão alinhados com a recuperação cíclica lenta e gradual da renda. Fatores como a expansão da massa real de salários dos trabalhadores, a inflação sob controle, juros baixos e liberação parcial dos saques das contas ativas e inativas do FGTS foram alguns dos vetores positivos.

Especificamente em dezembro, o varejo ampliado do RS aumentou em +3,0% suas vendas sobre igual período de 2018. Alguns dos destaques negativos foram “hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo”, com elevação marginal (+0,1%), e “veículos, motos, partes e peças” (-1,2%). No primeiro caso, pesou negativamente o encarecimento das carnes, que atuou para retirar poder de compra dos consumidores. Contudo, a acomodação desse choque negativo de oferta, verificado no IPCA e no IGP-M de janeiro, deverá ajudar na movimentação do segmento.