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ABRIL, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: PIB do Brasil menor em 2019 e 2020; inflação mais elevada em 2019

As expectativas para o PIB do Brasil no presente ano foram cortadas pela sétima semana consecutiva. Agora, os analistas esperam alta de +1,95%, levemente abaixo do consenso de mercado do dia 05/04 (+1,97%). De acordo com a série histórica desde março de 2015, nunca a variação antevista foi tão baixa. Quando abertas por trimestre, no comparativo com o mesmo período de 2018, as estatísticas mais recentes apontam que o processo de aceleração da renda será gradual em 2019: +1,20% no primeiro, +1,88% no segundo, +2,08% no terceiro e +2,72% no quarto. Por sua vez, a previsão para o PIB de 2020 caiu pela quarta semana seguida, de +2,70% para +2,58%.

Hoje, o Banco Central do Brasil divulgou o dado do IBC de fevereiro, indicador cuja utilidade é servir de termômetro da atividade econômica. Houve queda de 0,73% ante janeiro, após ajuste sazonal, atingindo assim seu menor patamar desde maio de 2018, quando houve a greve dos caminhoneiros. Nos últimos 12 meses, a alta é de apenas +1,21%. As informações sinalizam que o processo de retomada da economia brasileira, que segue em ritmo lento desde 2017, provavelmente sofreu uma interrupção no começo deste ano.

Outro destaque ficou por conta do incremento significativo das projeções para o IPCA (de +3,90% para +4,06%) e do INPC (de +4,39% para +4,66%) em 2019. Tais correções se sucederam após a divulgação dos dados oficiais da inflação em março, publicados pelo IBGE. No primeiro caso, por exemplo, o IPCA do mês passado (+0,75%) veio bem acima do que o consenso do Relatório FOCUS antevia (+0,55%) e das 5 instituições com maior assertividade nas previsões (+0,50%).

O primeiro grupo responsável pela aceleração nos preços foi “Alimentos e Bebidas”, puxados pela “alimentação em domicílio”, ou, mais especificamente, tomate, batata-inglesa, feijão-carioca e frutas. Problemas na safra em alguns estados brasileiros originaram os aumentos. O segundo grupamento que mais exerceu pressão sobre o índice foi “Transportes”, a partir do encarecimento da gasolina e do etanol, determinado pela elevação da cotação internacional do barril de petróleo.

Os dados do IPCA de março diminuem as chances de uma nova rodada de cortes da Taxa SELIC ainda em 2019. Vale lembrar que a aceleração inflacionária, mantidos os juros, também representa um estímulo à economia, uma vez que a taxa real cai. Essa é a variável levada em consideração para as decisões relativas aos investimentos produtivos, à poupança e à tomada de crédito por parte das famílias. Acreditamos, portanto, que o COPOM devem manter a parcimônia na condução da política monetária nos próximos meses, ou seja, não promoverá alterações da Taxa SELIC.

 

  • IPCA de março registra variação de +0,75%

O indicador oficial de inflação do Brasil, IPCA, teve crescimento de +0,75% em março. O resultado veio bem acima do consenso de mercado do Relatório FOCUS, do Banco Central (+0,55%), além das 5 instituições com maior assertividade nas previsões (+0,50%) e da expectativa da Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre (+0,48%). Aproximadamente 80% da alta no mês veio de dois componentes: alimentos e transportes. Todavia, os riscos que podem comprometer a estabilidade do poder de compra da moeda ainda seguem mitigados, pelo menos no curto prazo.

Mesmo com a aceleração considerável do IPCA no acumulado dos últimos 12 meses, de +3,89% para 4,58%, acreditamos que o balanço de riscos da inflação não está comprometido. Em primeiro lugar, os preços dos alimentos in natura deverão paulatinamente retornar ao normal nos próximos meses, estabilizando assim os choques negativos nas safras. Além disso, a economia permanece com grande capacidade ociosa – maquinário e mão de obra –, corroborada pela lentidão dos indicadores de atividade na arrancada de 2019.

Já entre os fatores de risco está a possibilidade de novos reajustes para cima na cotação do barril de petróleo, em linha com os cortes na produção recentemente anunciados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Por fim, a tramitação da reforma da Previdência é outro ponto-chave, tanto pela sua influência sobre a taxa de câmbio no curto prazo quanto pelo seu efeito sobre os gastos públicos a médio e longo prazos. Tudo dependerá dos prazos e do tipo das alterações em relação à proposta original definidas pelo Congresso Nacional.

O INPC, índice usado, entre outras finalidades, para balizar reajustes salariais, teve alta de +0,77% em março. Nos últimos 12 meses, o INPC acumula crescimento de 4,67%.

 

  • PMC de fev/19: comércio gaúcho registra desempenho acima da média brasileira

Visão geral: segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, o volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Sul no conceito ampliado subiu +9,6% em fevereiro frente ao mesmo período de 2018. A alta registrada em nível estadual, inclusive, foi superior à média nacional (+7,7%), e só não foi ainda maior por conta do desempenho de materiais de construção (-1,0%). Por sua vez, “veículos, motocicletas, partes e peças” continuam a exibir taxas significativas de crescimento por conta da base de comparação deprimida, herdada da grande recessão entre 2014-2016.

No âmbito do comércio restrito gaúcho, o incremento foi de +5,1%, variação que também superou aquela registrada pelo Brasil (+3,9%). Entre as oito categorias que compõem esse recorte, apenas “hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo”, que compõe parte significativa do indicador geral, e “livros, jornais, revistas e papelaria” fecharam em queda no estado. É importante relativizar todos esses resultados por conta do maior número de dias úteis no segundo mês de 2019. Já no acumulado do primeiro bimestre, as vendas reais do comércio do RS avançaram +7,0% no conceito ampliado e +5,1% no restrito. Em ambos os casos excederam as do BR: +5,4% e +2,8%, respectivamente.

Os números para o mês de fevereiro e para o primeiro bimestre do ano precisam ser vistos com cautela, por conta do chamado “efeito-calendário”. Em 2019, o carnaval foi celebrado somente em março, ao contrário do ano passado. Apesar de ser considerado ponto facultativo, muitas empresas optam por permanecerem fechadas. Logo, com o aumento do número de dias úteis no mês, abre-se espaço para que a movimentação financeira no varejo seja mais intensa.

Mesmo levando em consideração esse fator, continuamos acreditando que a PMC não reflete de maneira acurada a dinâmica do segmento, especialmente em relação aos lojistas de menor porte. A justificativa passa, sobretudo, pela metodologia empregada pela pesquisa, que abarca preponderantemente em sua amostragem estabelecimentos com 20 ou mais funcionários.