fbpx

Fique bem informado

14

OUTUBRO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: IPCA menor em 2019 e 2020 reforça tendência de queda da Taxa SELIC

As projeções sobre o PIB da economia brasileira em 2019 e 2020 permaneceram estáveis ao longo da última semana: +0,87% e +2,00%, respectivamente. Sobre a atividade econômica, o Banco Central divulgou hoje o resultado do IBC, aproximação (proxy) do PIB no mês de agosto. A série com ajuste sazonal mostrou avanço na margem em relação a julho (+0,07%). Já em comparação com o mesmo período de 2018, a queda foi de 0,73%. Os resultados para o acumulado do ano (+0,66%) e dos últimos 12 meses (+0,87%) demonstram que a retomada permanece letárgica, sem sinais evidentes de maior força.

Duas novidades podem ser destacadas nessa última edição do Relatório FOCUS. A primeira delas diz respeito aos novos números da inflação, medida pelo IPCA, tanto para 2019 (de +3,42% para +3,28%) quanto 2020 (de +3,78% para +3,73%). Em ambos os casos, os valores previstos se distanciaram ainda mais das respectivas metas de inflação, de +4,25% e +4,00%. A justificativa, no primeiro caso, passa pela deflação registrada no mês de setembro (-0,04%), de modo que esse resultado veio inferior ao esperado. No segundo, cremos que a razão principal se deve ao enfraquecimento da inércia inflacionária, determinada pela indexação de preços e salários (contratos e leis que repassam automaticamente a variação de preços do ano anterior para o período seguinte).

Diante do quadro cada vez mais benigno do IPCA, os analistas refizeram suas apostas para a Taxa SELIC para o fim de 2020, passando de 5,00% ao ano para 4,75% ao ano. Entretanto, acreditamos que há espaço para novas revisões, tanto em 2019 e 2020. Muitos já estão migrando suas posições para duas reduções de 0,5 ponto percentual, e não mais de 0,5 p.p. e 0,25 p.p. em 2019, de acordo com a situação de momento. Alguns, inclusive, já esperam por uma continuidade do atual ciclo em 2020, de modo a atingir 4,00% ao ano até dezembro do ano que vem.

 

  • IPCA registra deflação de -0,04% em setembro

Em setembro, o indicador oficial de inflação do Brasil, IPCA, teve recuo de -0,04% sobre agosto. É o menor valor para o período desde 1998 (-0,22%). O resultado veio inferior ao consenso de mercado e das 5 instituições com maior assertividade nas previsões do Relatório FOCUS, do Banco Central: +0,05% e +0,07%, respectivamente.

Já no acumulado em 12 meses, o IPCA mostrou forte desaceleração, de +3,43% em agosto para +2,89% em setembro: é o menor patamar nessa métrica desde maio de 2018. Além disso, encontra-se cada vez mais distante da meta definida para 2019, de +4,25%, e próximo ao limite inferior estabelecido pelo CMN (+2,75%). A recuperação letárgica do nível de atividade do Brasil, a desaceleração do PIB global em comparação com 2018, o excesso de capacidade ociosa e a curta persistência de alguns choques negativos de oferta sobre os preços dos alimentos e dos transportes em 2019 são alguns dos fatores que explicam esse quadro.

Alimentação e bebidas (-0,43%): variação mais baixa para o mês desde 1998 (-0,47%), exercendo contribuição negativa de -0,11 ponto percentual para o IPCA. A alimentação fora de casa desacelerou de +0,53% para +0,04%, por conta da diminuição do custo das refeições (-0,06%).

Artigos de residência (-0,76%): retração mais intensa para o mês em toda a série histórica, iniciada em 1999. Eletrodomésticos e equipamentos (-2,26%) e TV, som e informática (-0,90%) puxaram o grupamento para o campo negativo. Cremos, nesse último caso, que a redução do IPI sobre alguns produtos do setor, promovida pelo governo federal em agosto, tenha ajudado nesse sentido.

Saúde e cuidados pessoais (+0,58%): maior avanço para setembro desde 2002 (+0,64%). Enquanto a higiene pessoal ficou +1,65% mais cara, o plano de saúde seguiu a mesma tendência (+0,57%), fruto do reajuste autorizado pela ANS aos planos individuais vigentes desde 1999, cuja fração mensal foi plenamente integralizada.

Resultado para a Região Metropolitana de Porto Alegre: o IPCA da Região Metropolitana de Porto Alegre também caiu -0,04% em setembro, mesmo ritmo em relação à média brasileira. No ranking nacional, entre as 16 localidades investigadas pelo IBGE, a Região ficou em nono lugar. No acumulado em 12 meses até setembro, a inflação desse recorte geográfico subiu +3,00%, ou seja, 0,11 ponto percentual a mais do que a média brasileira (+2,89%).

INPC: o INPC do Brasil, índice usado, entre outras finalidades, para balizar reajustes salariais, encerrou setembro com -0,05% de variação. Nos últimos 12 meses, o INPC acumula crescimento de +2,92%.

 

  • PMC: vendas do comércio gaúcho caem significativamente em agosto

Em agosto, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, o volume de vendas do comércio varejista do Rio Grande do Sul no conceito restrito caiu -7,6% em relação a julho, na série com ajuste sazonal. Trata-se da queda mais intensa para o varejo gaúcho de toda a série histórica, iniciada em janeiro de 2000, e do pior desempenho entre todos os estados brasileiros investigados nessa métrica. Por conseguinte, a atividade econômica do setor recuou para o mesmo nível de setembro de 2017.

Já em relação a agosto de 2018, a retração foi de -3,4%, algo que não acontecia em tamanha magnitude desde dezembro de 2016 (-6,3%). Desse modo, o resultado no acumulado do ano de 2019 desacelerou de +3,3% em julho para +2,4%. É o pior desempenho da década, excetuados os anos marcados pela recessão de 2015-2016.

A tabela abaixo detalha os resultados por categorias econômicas em duas bases de comparação: mês e acumulado do ano.

Comentários:

Os resultados do Rio Grande do Sul precisam ser vistos com cautela. Infelizmente, a PMC vem sofrendo revisões significativas ao longo do tempo, o que prejudica as análises sobre a evolução recente do varejo. A principal incógnita diz respeito a “combustíveis e lubrificantes”, cujas perdas somaram 30,0% em agosto frente a igual mês de 2018. Segundo a Pesquisa Anual do Comércio (PAC), esse ramo respondeu por 17,4% da receita bruta de revenda de mercadorias em 2017 no RS, última estatística disponível. Consequentemente, a influência estimada para o resultado do comércio em agosto foi de -5,2 pontos percentuais, aproximadamente. Como a atividade do varejo restrito encolheu -3,4%, haveria alta de +1,8% caso a categoria encerrasse o mês estável.

Para se ter uma ideia desse fenômeno, em junho, por exemplo, a primeira divulgação do IBGE trouxe a informação de que “combustíveis e lubrificantes” diminuíram em 25,7% seu faturamento real. Hoje, no entanto, a variação do setor para o mesmo período é estável. Em julho, a tendência foi a mesma. Não há, no cenário, nenhuma justificativa para quedas tão relevantes na comercialização desses produtos.

Com relação à análise geral dos dados, é importante mencionar o efeito-calendário, uma vez que agosto do ano passado contou com 23 dias úteis: um a mais do que o mesmo mês de 2019. Naturalmente, quanto maior o número de dias úteis, maior é o faturamento. Cremos também que a ausência de regularidade de frio no período prejudicou o desempenho geral.

Com exceção de “tecidos, vestuário e calçados” (+10,0%), a dinâmica das vendas exibiu desempenho preocupante em agosto, reforçando a ideia de que a retomada do setor não ganhou tração.