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JANEIRO, 2019

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: as previsões permaneceram estáveis em comparação com a semana passada: +2,3% em 2020, e +2,5% em 2021. No primeiro caso, comparativamente ao Banco Mundial (+2,0%), o otimismo é maior. Já para o ano que vem, as variações coincidem. Segundo a avaliação da instituição financeira internacional, a confiança dos investidores sobre o futuro do nível de atividade, os juros baixos e a retomada do mercado de trabalho devem ser os principais vetores da aceleração da economia brasileira. No tocante ao PIB mundial, 2019 foi marcado pela menor taxa de crescimento desde a crise financeira internacional (+2,4%). Em 2020, o Banco Mundial espera o início de um ciclo de modesta aceleração, para +2,5%, que deve continuar em 2021 (+2,6%). Frente aos cálculos realizados em junho, todavia, ambos os números encontram-se 0,2 ponto percentual abaixo do penúltimo levantamento. Ainda sobre o cenário externo, a tendência é de que a guerra comercial entre Estados Unidos e China arrefeça, com impactos positivos sobre o sentimento dos agentes. De qualquer modo, a percepção é de que a recuperação global, como um todo, ainda é frágil.

Inflação e Taxa SELIC: o IPCA fechou 2019 em +4,31%, levemente acima da meta de +4,25%. O dado de dezembro (+1,15%) foi o mais alto para o mês desde 2002, e veio acima do consenso de mercado e das 5 instituições com maior assertividade do Relatório FOCUS: +1,03% e +1,07%, respectivamente. Entretanto, nem mesmo a inércia mais significativa carregada para o presente ano, em função dos mecanismos de indexação que transferem automaticamente a inflação passada para o futuro, foi suficiente para ajustar as expectativas para cima. Pelo contrário: o mercado passou a apostar em uma variação menor para 2020, de +3,60% para +3,58%.  Quanto a maior o distanciamento para baixo entre as expectativas do IPCA e a meta de 2020 (4,0%), maior a tendência de que o COPOM venha a utilizar novas rodadas de expansionismo da política monetária, com o intuito de estimular a atividade e pressionar os preços. Por enquanto, o mercado segue esperando que a Taxa SELIC diminua 0,25 ponto percentual em fevereiro, e aumente nessa mesma magnitude no fim do ano. Considerando as projeções do próprio Banco Central, cremos na existência de margem de manobra para a diminuição da Taxa SELIC dos atuais 4,50% ao ano para 4,00% ao ano, de modo que esse patamar se sustente até, pelo menos, meados de 2021.

Taxa de câmbio: apesar da desvalorização registrada nos últimos dias, os analistas consultados pelo Relatório FOCUS reduziram a cotação esperada para o fim de 2020, de R$ 4,09 para R$ 4,04. No front internacional, a situação melhorou após o abrandamento das tensões entre Estados Unidos e Irã, e da atenuação da guerra comercial entre EUA e China. Já no front doméstico, não houve grandes novidades, em função do recesso parlamentar.

Política fiscal: a meta para o resultado primário (diferença entre arrecadação de impostos e despesas, com exceção do pagamento de juros da dívida) do Setor Público (União, estados e municípios) é de déficit de R$ 118,9 bilhões para 2020, e de -R$ 124,1 bilhões para o governo federal. Ambos os valores são bem mais deteriorados do que o provável resultado das contas públicas em 2019, que deve gravitar entre -R$ 60 bilhões e -R$ 80 bilhões. Vale lembrar que algumas fontes de receitas extraordinárias devem ser menores em 2020, principalmente envolvendo os leilões do pré-sal. Ainda assim, o governo deverá entregar seu objetivo, embora uma eventual frustração do crescimento, que determina a dinâmica da arrecadação recorrente de impostos, possa tornar a tarefa mais complicada.

 

Custo da cesta básica em POA em novembro é o quinto mais alto entre as capitais

Visão geral: de acordo com o DIEESE, o custo da cesta básica em Porto Alegre no mês de novembro de 2019 atingiu R$ 455,37, o quinto maior entre as 16 capitais com dados disponíveis. A carne bovina de primeira subiu em todas as localidades na passagem de outubro para novembro, fruto da redução da oferta doméstica. Tanto a entressafra quanto a forte elevação das exportações para a China, em decorrência do Ano Novo chinês, da peste suína africana e da taxa de câmbio desvalorizada (Real fraco ante o Dólar) são algumas das causas. Ainda no campo altista, destaques para o óleo de soja, cuja demanda para a fabricação de biodiesel permaneceu forte, e o feijão. No acumulado do ano, o valor das cestas básicas cresceu em todas as capitais, de modo que, em algumas delas, superou 10%. Esse fenômeno constituiu um entrave para as vendas do comércio varejista ao longo do período analisado, ao limitar a renda disponível das famílias.

Por que Porto Alegre tem uma das cestas básicas mais caras do BR? 
O cruzamento das informações entre o valor da cesta básica e a renda dos trabalhadores mostra que o primeiro costuma estar diretamente associado com a segunda, ou seja, há uma correlação positiva entre as variáveis. Além disso, o DIEESE utiliza três composições distintas da cesta básica para grupos de estados brasileiros, levando em consideração os hábitos alimentares de cada uma das regiões. Para o Rio Grande do Sul, a quantidade de carne definida na cesta (6,6 quilos) é maior do que a média brasileira (6 quilos). Como a corte gaúcho é reconhecido por sua qualidade, o preço mais alto para o consumidor acaba influenciando de forma relevante o valor da cesta em Porto Alegre. É importante lembrar também que cada estado pode estabelecer alíquotas específicas de ICMS, acarretando em possíveis diferenças entre os entes. Da mesma forma, as distâncias geográficas entre os centros impactam no custo logístico e, por conseguinte, no preço de venda final.

 

IPCA fecha 2019 em +4,31%, próximo da meta de inflação

Sumário executivo: o indicador oficial de inflação do Brasil, IPCA, teve avanço de +4,31% em 2019, um pouco acima da meta (+4,25%) definida pelo Conselho Monetário Nacional, mas dentro do intervalo de tolerância (até +5,75%). Apesar da maior variação anual desde 2016 (+6,29%), os preços, de uma maneira geral, permaneceram bem-comportados para os consumidores ao longo do ano passado. As principais fontes de pressão vieram dos choques de oferta, sobretudo em novembro e dezembro, a partir do encarecimento das proteínas no mercado doméstico. Por sua vez, a inflação de serviços alcançou apenas +3,51%, como resultado da demanda arrefecida, em linha com a recuperação gradual da economia e com o baixo nível de utilização da mão de obra e do maquinário instalado nas empresas.

Especificamente para o mês de dezembro, o crescimento foi de +1,15%. Trata-se do maior nível para o último mês do ano desde 2002 (+2,10%). O resultado veio acima do consenso de mercado e das 5 instituições com maior assertividade nas previsões do Relatório FOCUS, do Banco Central: +1,03% e +1,07%, respectivamente. Entre os grupamentos que puxaram o índice para cima, destaque para “Alimentos e Bebidas” (+3,38%), impulsionados pela elevação das carnes (+18,06%). O impacto desse item sobre o índice foi de +0,52 ponto percentual, ou seja, se não houvesse alteração nos valores frente a novembro, o IPCA teria subido +0,63%. Ainda no campo das altas, os “Transportes” geraram contribuição de +0,28 ponto percentual, fruto da variação +1,54%. Apesar da maior inércia carregada para 2020, em função dos mecanismos de indexação que transferem automaticamente a inflação passada para o futuro, cremos que o balanço de riscos da inflação continuará confortável para 2020. A elevada ociosidade, as expectativas para o futuro ancoradas nas respectivas metas e a taxa de câmbio relativamente estável reforçam essa visão.

Comentários adicionais: para avaliar o comportamento estrutural da inflação, recorremos à análise de alguns recortes do IPCA, que excluem do cálculo geral itens mais voláteis – alimentos e energia –, além de outros mais sensíveis ao comportamento da atividade econômica e do mercado de trabalho. A média desses sete indicadores fechou 2019 em +3,1%, mais próximo ao piso da meta definida para o ano passado, de +2,75%. No tocante aos serviços, cujo comportamento está bastante atrelado ao desempenho da demanda doméstica, a alta foi de apenas +3,51%. As evidências, portanto, sugerem que a dinâmica inflacionária não suscita preocupações.

IPCA da Região Metropolitana de Porto Alegre: o IPCA da Região Metropolitana de Porto Alegre registrou avanço de +1,15% em dezembro, ou seja, o mesmo patamar do Brasil. No ranking nacional, entre as 16 localidades investigadas pelo IBGE, a Região ficou em décimo lugar no mês. Em 2019, a inflação na RM de POA subiu +4,08%, ou seja, 0,23 ponto percentual a menos do que a média brasileira (+4,31%).