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NOVEMBRO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: a atualização das previsões para a economia brasileira

PIB: a principal novidade do último Relatório FOCUS diz respeito à atualização da previsão do PIB de 2020, que passou de +2,00% para +2,08%, algo que não acontecia em tamanha magnitude desde março do presente ano. Caso venha a se confirmar, será a variação mais alta desde 2013, quando a economia brasileira cresceu +3,0%. Na abertura dos dados pela ótica da oferta, a atividade da agropecuária deverá expandir +3,00%, a indústria +2,23%, e os serviços +2,10%.  A explicação para o avanço mais forte do setor secundário em relação ao terciário passa pela base de comparação deprimida do primeiro, que origina um efeito estatístico favorável para a viabilização de taxas maiores no futuro. Segundo o IBGE, a renda gerada na indústria apresenta desempenho pior do que os serviços desde 2012 de forma consecutiva.

O cenário de juros baixos e inflação sob controle auxiliarão na queda do custo financeiro e de produção para a fabricação de bens manufaturados e semimanufaturados. Esses vetores também atuam para baratear as operações de tomada de empréstimos por parte das famílias, além de manter o poder de compra dos salários. É importante lembrar que a renda disponível das famílias ganhou um impulso permanente, mediante o “saque-aniversário” do FGTS. Além disso, cremos que o efeito defasado das reformas aprovadas nos últimos três anos deverá manifestar frutos mais visíveis no ano que vem. Por outro lado, a pequena taxa de investimentos produtivos – máquinas e equipamentos – como proporção do PIB (em torno de 15%), a necessidade de continuidade de um forte ajuste fiscal nas contas públicas e o mercado de trabalho ainda deteriorado, cuja recuperação vem sendo determinada por empregos de baixa qualidade (sem carteira assinada e conta-própria) representam os principais desafios.

Inflação e Taxa SELIC: as projeções para o IPCA de 2019 foram revistas na margem, após a divulgação da leitura oficial do índice em outubro (+0,10%). Apesar da menor variação registrada para o mês desde 1998, o número veio acima da expectativa do FOCUS (+0,08%). Essa pequena correção não altera o quadro geral para os preços da economia, que devem continuar comportados ao longo do ano de 2020 (+3,60%, abaixo da meta de 4,00%). Consequentemente, a política monetária continuará estimulando a atividade econômica: a Taxa SELIC encerrará 2019 em 4,50% ao ano (hoje em 5,00%), mesmo patamar antevisto para dezembro de 2020.

Taxa de câmbio: o Dólar ganhou força frente ao Real ao longo da última semana, por conta de três fatores: (1) recuo nas negociações envolvendo uma solução, ainda que parcial, da guerra comercial entre Estados Unidos e China; e (2) a entrada de recursos abaixo da esperada nos leilões do pré-sal; e (3) a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), cujo novo entendimento é de que prisões só podem ocorrer mediante o trânsito em julgado, ou seja, após o esgotamento de todas as instâncias. Não cremos que essa tendência de alta da cotação irá se perpetuar dado o atual panorama macroeconômico nacional e internacional.

 

  • Índices de inflação em outubro: análise dos resultados

Visão geral: em outubro, o indicador oficial de inflação do Brasil, IPCA, teve avanço de +0,10% sobre setembro. É o menor valor para o período desde 1998 (+0,02%). O resultado veio um pouco acima do consenso de mercado e das 5 instituições com maior assertividade nas previsões do Relatório FOCUS, do Banco Central: +0,08% em ambos os casos. Entre os grupamentos que puxaram o índice para baixo, destaque para “Habitação”, com queda de -0,61% (maior recuo desde o início do Plano Real, em 1994).  Além disso, “Alimentos e bebidas”, cujo incremento foi de +0,05%, também contribuiu para manter a dinâmica geral dos preços bem-comportada.

Já no acumulado em 12 meses, o IPCA mostrou forte desaceleração, de +2,89% em setembro para +2,54% em outubro: é o menor patamar nessa métrica desde agosto de 2017. Essa variação também está situada abaixo do limite inferior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (+2,75%). A contribuição positiva dos preços internacionais das commodities, determinada pela desaceleração global, e a demanda anêmica frente ao excesso de capacidade ociosa da economia doméstica são alguns dos fatores que explicam esse quadro.

Comentários adicionais: o Banco Central disponibiliza ao público sete recortes interessantes para a análise da inflação. Alguns deles excluem itens mais voláteis – alimentos e energia –, enquanto outros são mais sensíveis ao comportamento da atividade econômica e do mercado de trabalho. No acumulado dos últimos 12 meses com término em outubro, a média dessas variáveis atingiu +2,80%, patamar que vem se mantendo relativamente estável desde o fim de 2017. As evidências, portanto, sugerem que o IPCA encontra-se estruturalmente baixo, refletindo a procura por bens e serviços desaquecida comparada à oferta. Além de recuperação letárgica do PIB do Brasil ao longo dos últimos anos, o bom comportamento dos preços no exterior, fruto da desaceleração mundial, tem ajudado na manutenção do IPCA em níveis baixos. O Índice de Commodities do Itaú (ICI) recuou -2,8% no acumulado dos últimos 12 meses. Desde dezembro de 2016 (-4,8%) a variação não era tão baixa.

Resultado para a Região Metropolitana de Porto Alegre: o IPCA da Região Metropolitana de Porto Alegre registrou deflação de -0,01% em outubro, abaixo, portanto da média brasileira. No ranking nacional, entre as 16 localidades investigadas pelo IBGE, a Região ficou em décimo primeiro lugar no mês. No acumulado em 12 meses até outubro, a inflação subiu +2,25%, ou seja, 0,29 ponto percentual a menos do que a média brasileira (+2,54%).

INPC: o INPC do Brasil, índice usado, entre outras finalidades, para balizar reajustes salariais, encerrou outubro com +0,04% de variação. Nos últimos 12 meses, o INPC acumula crescimento de +2,55%.