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FEVEREIRO, 2020

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

PIB: as previsões de crescimento para 2020 (+2,30%) e 2021 (+2,50%) não sofreram alterações em relação à semana passada. No tocante à safra de indicadores, a produção industrial caiu 0,7% em dezembro de 2019 frente ao mês imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal. Trata-se de uma queda mais intensa comparativamente à mediana das estimativas colhidas pela Agência Estado (-0,5%). Em 2019, o volume físico de bens fabricados pelo setor secundário recuou 1,1%. Além do fraco desempenho da extração mineral (-9,7%), motivado pela tragédia de Brumadinho (MG), outro destaque negativo foi o segmento de bens de capital (-0,4%).  No tocante ao cenário internacional, o Banco Central chinês optou, ao longo das últimas semanas, por injetar liquidez no mercado doméstico para conter o impacto do coronavírus. Acreditamos que o governo de Xi Jinping não medirá esforços para evitar uma desaceleração mais forte, o que inclui também medidas de flexibilização fiscal e do mercado de crédito. Também é importante lembrar que autoridades monetárias de outros países, como Filipinas e Tailândia, promoveram cortes nos juros para dar suporte à atividade. Por sua vez, os Estados Unidos seguem mostrando resiliência, a partir das últimas estatísticas sobre o PIB (+2,3% em 2019) e o mercado de trabalho (geração de +225 mil postos de trabalho no setor privado em janeiro, bem acima da expectativa de +158 mil).

Preços: as expectativas para o IPCA em 2020 caíram pela sexta semana consecutiva, de +3,40% para +3,25%. Essa forte correção ocorreu por conta da leitura oficial de janeiro, cuja variação (+0,21%) veio muito inferior ao consenso de mercado (+0,35%). Além da queda do preço das carnes, que puxou o grupamento “Alimentos e Bebidas” para bem abaixo de sua média histórica no mês, “Saúde e Cuidados Pessoais” registrou a primeira deflação desde o início do Plano Real, em 1994. Nesse momento, as projeções para o IPCA já estão 0,75 ponto percentual inferior à meta de +4,00%.

Taxa SELIC: no comunicado da última decisão do Comitê de Política Monetária (COPOM), que reduziu a Taxa SELIC de 4,50% ao ano para 4,25% ao ano, os membros do colegiado citaram como “adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”. Ou seja, houve uma sinalização explícita de que o ciclo atual não deverá se estender. Duas razões foram determinantes para tanto: (i) os efeitos defasados sobre a atividade econômica dos cortes promovidos desde julho de 2019; e (ii) o aumento da potência da política monetária, a partir do encolhimento do crédito subsidiado ao longo dos últimos anos e das transformações existentes no mercado de crédito e de capitais, notadamente as fintechs, as Empresas Simples de Crédito (ESC’s), o Cadastro Positivo, entre outras. O COPOM também mencionou a importância de monitorar diversos indicadores relativos ao Brasil e ao mundo em suas deliberações futuras. Caso o crescimento venha a decepcionar, e se as expectativas de inflação, especialmente para 2021, se distanciarem para baixo em relação à meta de 3,75%, cremos que novos estímulos podem ser adotados. Hoje, de acordo com os cenários simulados para a Taxa SELIC e o câmbio, os resultados dos modelos do BC para o IPCA gravitam em torno desse patamar para o ano que vem.

Resultado fiscal: o endividamento do Setor Público como proporção do PIB caiu em 2019 pela primeira vez em seis anos: de 76,5% do PIB para 75,8%, de acordo com o conceito empregado pelo Banco Central. Entre as causas explicativas desse fenômeno estão a devolução dos pagamentos do BNDES para o Tesouro Nacional, a venda de reservas internacionais por parte do BC e a melhora do resultado primário. Especificamente no que concerne à diferença entre receitas e despesas, excetuado o pagamento de juros da dívida, pesaram as receitas extraordinárias, como o leilão da cessão onerosa (R$ 70 bilhões). Porém, o total da dívida da União, estados e municípios brasileiros, mesmo após essa diminuição, permanece bem acima da média das nações emergentes (em torno de 50%).

 

Comitê de Política Monetária (COPOM) reduz em 0,25 ponto percentual a Taxa SELIC

*Observação: relatório escrito antes da decisão

Preços: apesar da aceleração do IPCA nos meses de novembro e dezembro, fenômeno determinante para o fechamento do Índice de 2019 em +4,31%, levemente acima da meta de +4,25%, o balanço de riscos da inflação segue positivo. Em primeiro lugar, a alta mais expressiva do indicador nos dois últimos meses do ano passado esteve concentrada nas carnes, em decorrência da peste suína africana, e nos reajustes das loterias. A abertura dos recortes mais sensíveis à atividade econômica e o chamado “índice de difusão”, que mostra o percentual de itens pesquisados com variação positiva na passagem de um mês para o outro, permaneceram bem-comportados. Ademais, o IGP-M de janeiro revelou que o encarecimento das proteínas perdeu força, tanto do ponto de vista dos consumidores quanto para os produtores, reforçando a tendência de dissipação desse choque de oferta negativo. Por sua vez, as expectativas de inflação para 2020 caíram de maneira significativa desde a última reunião do COPOM. De uma maneira geral, a capacidade ociosa relevante no mercado de trabalho e no parque produtivo no Brasil, bem como a expectativa de mais um ano de crescimento moderado do PIB mundial, são dois dos principais vetores de manutenção do quadro benigno da inflação.

Atividade econômica: dados do Índice do Banco Central (IBC-BR) reforçam a tendência de que a economia brasileira se expandiu um pouco acima de 1,0% em 2019. Entre as grandes categorias, preocupa a indústria: além do enfraquecimento da demanda externa, o setor secundário sofre com problemas estruturais de baixa competitividade. Por sua vez, a dinâmica dos segmentos mais atrelados ao mercado interno – serviços, comércio e construção civil – é um pouco melhor. Pelo lado do mercado de trabalho, o saldo da geração de empregos formais celetistas no território nacional, de acordo com o CAGED, totalizou 644 mil em 2019 (o melhor desempenho desde 2013). Ademais, chama a atenção o comportamento relacionado aos dois últimos meses do ano passado: novembro registrou o melhor resultado desde 2010, enquanto dezembro atingiu o recorde da série histórica iniciada em 2007. Embora os vínculos sem carteira assinada e os por conta-própria continuem responsáveis por parte considerável da queda da taxa de desemprego e da sustentação dos ganhos reais da massa de salários, a modalidade com carteira vem, paulatinamente, ganhando maior protagonismo.

Cenário internacional: as incertezas sobre o coronavírus estão levando alguns analistas a reduzir as perspectivas de crescimento para a China e, consequentemente, para o mundo. O banco UBS, por exemplo, diminuiu a expectativa para o PIB do país asiático em 2020 de +6,0% para 5,4%, enquanto o número atualizado para a atividade global em igual período é de +2,9%, e não mais +3,1%. Tais estimativas podem flutuar nas próximas semanas, dependendo da evolução do surto. Todavia, a “fase 1” do acordo entre EUA e China, a efetivação da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e o arrefecimento do conflito entre Estados Unidos e Irã foram elementos positivos neste início do ano.

Taxa de câmbio: apesar da desvalorização registrada nos últimos 45 dias (de R$ 4,11 para R$ 4,24), cremos que a depreciação do Real não deverá comprometer as perspectivas de inflação via aumento dos custos de importação e da restrição à concorrência, pois ainda há muita ociosidade.

Expectativa sobre a decisão: diante do cenário econômico brasileiro e internacional, o Comitê de Política Monetária (COPOM) deve reduzir a Taxa SELIC em 0,25 ponto percentual, de 4,50% ao ano para 4,25% ao ano. O comportamento da inflação corrente e das expectativas para 2020 e 2021, a evolução do nível de atividade econômica doméstica e no exterior, os eventuais impactos do coronavírus sobre as condições financeiras, as transações comerciais e a cotação das commodities, e o avanço da agenda de reformas no Congresso serão alguns dos principais elementos com impacto sobre as decisões futuras do colegiado.

 

IPCA fecha janeiro no menor patamar para o mês da história do Plano Real

Em janeiro, o indicador oficial de inflação do Brasil, IPCA, teve avanço de +0,21% sobre dezembro de 2019. Trata-se da menor variação para o período desde o início do Plano Real, em 1994. O resultado veio bem abaixo do consenso de mercado e das 5 instituições com maior assertividade nas previsões do Relatório FOCUS, do Banco Central: +0,34% e +0,35%, respectivamente. Vale lembrar que esse foi o primeiro levantamento do índice com base na nova estrutura de pesos dada pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, do IBGE.

Na separação por grupamentos, destaque para o arrefecimento de “Alimentos e Bebidas” (desaceleração de +3,38% para +0,39%), muito por conta das carnes (de +18,06% para -4,03%). Essa evidência, aliada ao comportamento dos preços no atacado descritos na última divulgação do IGP-M, sugerem uma acomodação do choque sobre as proteínas ocorrido no fim do ano passado. Outro fato relevante foi a deflação de -0,32% de “Saúde e Cuidados Pessoais”: a primeira em janeiro nos últimos 26 anos. Por sua vez, a maior contribuição positiva para o IPCA decorreu da “Habitação” (+0,55%), fruto dos reajustes nos condomínios, alugueis residenciais e gás de botijão.

Já no acumulado em 12 meses, o IPCA desacelerou de +4,31% em dezembro de 2019 para +4,19% em janeiro. Embora continue acima da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2020, de +4,00%, as próximas leituras, caso as expectativas se confirmem, devem levar essa métrica para bem abaixo dessa referência. Apesar do ganho de tração esperado para a atividade econômica e da desvalorização recente da taxa de câmbio, que torna a importação de bens mais custosa e restringe a concorrência com os similares domésticos, o balanço de riscos da inflação permanece benigno. Isso se deve ao fato de que ainda há muita capacidade ociosa existente na economia, tanto de mão de obra quanto de capital.

IPCA da Região Metropolitana de Porto Alegre: o IPCA da Região Metropolitana de Porto Alegre registrou incremento de +0,17% em janeiro, ou seja, patamar inferior ao do Brasil (+0,21%). No ranking nacional, entre as 16 localidades investigadas pelo IBGE, a Região ficou em nono lugar.

INPC – Brasil: o INPC, índice usado, entre outras finalidades, para balizar reajustes salariais, encerrou janeiro com +0,19% de elevação no território nacional, acumulando +4,30% na janela de 12 meses.