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07

OUTUBRO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: as últimas projeções de mercado para a economia do Brasil

PIB: o último Relatório FOCUS não trouxe grandes novidades sobre as projeções de mercado para a economia brasileira em 2019 e 2020. No que diz respeito ao nível de atividade, o PIB previsto para 2019 e 2020 permaneceu em +0,87% e +2,00%, respectivamente, apesar da divulgação de alguns dados na semana passada. Conforme o IBGE, a produção industrial nacional no mês de agosto cresceu +0,8% frente a julho, após ajustamento sazonal, enquanto que no comparativo com o mesmo mês de 2018, o decréscimo atingiu -2,3%. Já no acumulado do ano e dos últimos 12 meses, o recuo foi de -1,7%, muito por conta dos impactos da tragédia de Brumadinho (MG) sobre a extração de minerais e do arrefecimento da demanda externa global, principalmente da Argentina, um dos principais demandantes de produtos manufaturados brasileiros.

Entre outras estatísticas recém divulgadas, as vendas de veículos avançaram +10,1% em setembro ante igual período do ano passado, segundo a ANFAVEA. Apesar da variação de dois dígitos, esse resultado precisa ser interpretado com cautela, em função da diminuta base de comparação herdada da grande recessão de 2015-2016. Ainda assim, trata-se uma evidência em favor da recuperação gradual da renda dos consumidores e do mercado de crédito. Por sua vez, as exportações totais de bens caíram -11,6% nessa mesma métrica ao longo do mês passado, ao passo que as importações tiveram incremento de +5,7%, de acordo com o Ministério da Economia.

Inflação e Taxa SELIC: os índices de preços do Brasil seguem muito bem-comportados, refletindo a fraca demanda e o excesso de capacidade ociosa. Considerando também as injeções de liquidez promovidas por diversos bancos centrais nos últimos meses, ainda há espaço para que o COPOM reduza novamente os juros nas próximas duas reuniões. A política monetária expansionista pode ajudar no curto prazo, promovendo estímulo à atividade, mas não altera o nosso PIB potencial, ou seja, nossa capacidade de crescimento sustentado sem a geração de desequilíbrios macroeconômicos, como a inflação.

Taxa de câmbio: a taxa de câmbio registrou valorização ao longo da última semana, diante de alguns dados relativamente fracos sobre a economia americana que reforçaram, junto aos investidores, a percepção de que o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) irá robustecer o uso de ferramentas para evitar uma desaceleração mais abrupta. Como, nesse caso, a tendência é de maior oferta de dólares em circulação, a cotação diminui.

Política fiscal: os analistas veem o processo de ajuste fiscal em ritmo cada vez mais lento. Somente em 2022 é que o Setor Público atingirá equilíbrio no conceito primário. Entretanto, os cálculos da Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre apontam para a necessidade de geração de superávit de 0,7% para estabilizar a relação dívida/PIB. Hoje, para se ter uma ideia, o déficit primário das contas está em -1,4% do PIB. Logo, haverá mais pressão sobre a nossa dívida, o que impede uma queda mais significativa dos juros de equilíbrio.

 

  • Registros de inadimplentes e recuperação de crédito em agosto de 2019

Definições: o Registro de Inadimplentes é construído a partir do número de novos registros informados pelas empresas credoras de dívidas vencidas e não pagas pelos consumidores. Aqui, portanto, cada inserção junto ao cadastro de que dispomos, independente do seu valor, possui a mesma relevância para o cômputo desse índice. Já o Indicador de Recuperação de Crédito dos Consumidores é elaborado com base na quantidade de registros excluídos do nosso banco de dados em virtude da quitação dos débitos previamente contraídos. Da mesma forma que o Indicador de Registros de Inadimplentes, apenas o volume suprimido de inscrições importa.

Análise dos resultados – ago19/ago18: os Registros de Inadimplentes tiveram redução em todas as regiões investigadas no mês de agosto, principalmente no caso do Rio Grande do Sul (-9,9%) e de Porto Alegre (-18,0%). Já a Recuperação de Crédito registrou variações percentuais semelhantes ao ingresso de negativados nas bases da Boa Vista SCPC no Brasil (-3,4%) e Região Sul (-7,8%). Logo, em ambos os recortes, não há evidências de melhora no balanço financeiro das famílias nesse comparativo. O principal destaque positivo foi a cidade de Porto Alegre, cujos registros de inadimplentes encolheram -18,0%, ao mesmo tempo em que o ritmo daqueles que novamente estão aptos a tomar crédito na praça subiu +3,1%.

Análise dos resultados – jan-ago19/18: no acumulado do ano entre janeiro e agosto ante igual período do ano passado, houve diminuição do Registro de Inadimplentes em todas as localidades averiguadas, da mesma forma que a Recuperação de Crédito. Consideradas em conjunto, as variações dos indicadores foram semelhantes para o Brasil e Porto Alegre. Ou seja, em 2019, a situação do ponto de vista de acesso ao crédito permaneceu a mesma no comparativo com 2018 para ambos.

No caso do Rio Grande do Sul, apesar da pequena flutuação negativa acusada na saída de registros nas bases da Boa Vista SCPC (-2,1%), a entrada sofreu retração de -9,8%. Ou seja, o movimento relativo de ingresso de negativados no RS caiu de forma mais intensa frente à exclusão. Logo, o balanço financeiro das famílias apresentou melhora mais acentuada no interior do estado do RS, uma vez que, no caso da capital gaúcha, a situação permaneceu praticamente a mesma.