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04

NOVEMBRO, 2019

Notícias

Veja os destaques do economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank:

 

  • Relatório FOCUS: a atualização das previsões para a economia brasileira


PIB: A expectativa de crescimento do Brasil em 2019 sofreu a terceira revisão consecutiva de alta. Agora, o consenso de mercado acusa +0,92%, e não mais +0,91%. Na abertura das estatísticas trimestrais, a visão majoritária aponta para uma aceleração mais forte do PIB a partir do primeiro trimestre de 2020, de acordo com o gráfico abaixo. Cremos que a resposta dada por alguns indicadores de crédito e de emprego, bem como o efeito defasado das reformas econômicas aprovadas nos últimos anos, serão os principais vetores positivos para 2020. Por outro lado, o cenário internacional turbulento e a necessidade de ajuste fiscal atuarão para limitar nossa capacidade de geração de renda para o ano que vem.


Na semana passada, o IBGE revelou os números da produção industrial de setembro, cujo incremento foi de +0,3% em relação à agosto, na série com ajuste sazonal. O panorama para o setor secundário ainda aponta para uma série de dificuldades, entre as quais se destacam (1) o arrefecimento da demanda externa, incluindo importantes mercados consumidores de manufaturados nacionais, como a Argentina; e (2) a reorientação da indústria extrativa, após a tragédia de Brumadinho (MG), que ocasionou grandes impactos sobre o minério de ferro.

No que tange ao mercado de trabalho, o IBGE divulgou a taxa de desemprego brasileira. O número dos que estão sem ocupação atingiu 11,8% no trimestre encerrado em setembro, ou seja, 0,1 ponto percentual abaixo do registrado em igual período do ano passado. Embora pequena, essa evolução foi suficiente para elevar a massa salarial dos trabalhadores em +1,8% em termos reais (acima da inflação) nesse ínterim. O nível bem-comportado dos preços e as vagas geradas no mercado informal e por conta-própria são algumas das causas.

O índice de confiança do consumidor, conforme a FGV, sofreu queda de 0,3 ponto percentual, caindo de 89,7 para 89,4 pontos (valores abaixo de 100 denotam insatisfação / pessimismo) na passagem de setembro para outubro, após o ajustamento sazonal. As duas subdivisões do indicador mostram que o componente “situação atual” permaneceu deteriorado, aos 77,4 pontos. Por sua vez, as “expectativas para o futuro” estão em 98,3 pontos.

Inflação e Taxa SELIC: conforme já antecipado pelas instituições financeiras e consultorias, o COPOM reduziu a Taxa SELIC em 0,5 ponto percentual: de 5,50% ao ano para 5,00% ao ano. O balanço de riscos benigno da inflação foi uma das motivações, aliada à lenta recuperação da economia, à melhora da perspectiva para o quadro fiscal de médio e longo prazo, em função da aprovação da reforma da Previdência, e às injeções de liquidez promovidas por vários bancos centrais de países desenvolvidos. Em dezembro, o Banco Central deverá promover nova queda dos juros básicos, para 4,50% ao ano. Para 2020, a política monetária continuará bastante expansionista, ou seja, promovendo estímulos à atividade econômica, a partir da manutenção desse patamar no ano que vem.

Política fiscal: embora permaneça como o principal desafio para o País, o esforço necessário para a estabilização da dívida pública diminuiu abruptamente. A razão principal pode ser atribuída ao fato de que a taxa real de juros (SELIC menos a inflação) despencou nos últimos 3 anos, passando de aproximadamente 8% ao ano para algo em torno de 1,5% ao ano hoje, com tendência de recuo ainda mais significativo no futuro próximo.

 

  • COPOM e FED: as últimas decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos

COPOM opta por reduzir a Taxa SELIC de 5,50% ao ano para 5,00% ao ano

Cenário atual e projeções para o futuro, segundo o COPOM:

Brasil:

  • Processo de recuperação do PIB do Brasil deverá continuar em ritmo gradual;
  • IPCA em níveis confortáveis, significativamente abaixo da meta definida para 2019, de +4,25%. A partir das projeções de mercado para os juros e a taxa de câmbio contidas no Relatório FOCUS, todas as simulações conduzidas pelo COPOM apontam que os preços devem prosseguir bem-comportados nos próximos anos, abaixo das respectivas metas.

Mundo:

  • Bancos Centrais dos países desenvolvidos têm lançado mão de estímulos (via queda de juros e outros instrumentos) para evitar uma desaceleração mais forte da atividade;
  • Riscos associados à evolução do cenário internacional permanecem.

Fatores positivos e negativos para a inflação:

Positivos:

  • Alto nível de ociosidade, tanto de mão de obra quanto do maquinário instalado nas indústrias. Como resultado, as pressões de demanda sobre os preços são menores;
  • Pequena variação do IPCA em 2019 auxiliará controle da inflação para o ano que vem, por conta do enfraquecimento da inércia, determinada pela indexação de preços e salários (contratos e leis que repassam automaticamente a variação de preços do ano anterior para o período seguinte).

Negativos:

  • As incertezas relativas à extensão do estímulo promovido pelo Banco Central, mediante os recentes cortes da Taxa SELIC, podem majorar o IPCA;
  • Possível deterioração do cenário externo para os países emergentes, aumentando os prêmios de risco embutidos nas operações financeiras;
  • Eventual frustração da agenda de reformas, sobretudo visando o ajuste fiscal.

O que esperar para os próximos passos?

Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre:

Cremos que a Taxa SELIC também cairá em 0,50 ponto percentual no próximo encontro do COPOM, a ser realizado em dezembro. No entanto, acreditamos que a atual política monetária expansionista seguirá também em 2020, com duas novas reduções de 0,25 ponto percentual nos encontros do COPOM de fevereiro e março, para 4,00% ao ano. Esse patamar, segundo nossa expectativa, deverá se manter até meados de 2021.

Federal Reserve (Banco Central dos EUA) reduz juros entre 1,75% e 2,00% ao ano para 1,50% e 1,75% ao ano

Cenário atual para a economia americana, conforme o FED:

  • Mercado de trabalho forte, com baixíssimas taxas de desemprego (as menores em 50 anos);
  • Atividade econômica permanece expandindo em ritmo moderado, próximo a 2,0%;
  • Por um lado, gastos das famílias avançam de maneira intensa, enquanto as exportações e os investimentos fixos do setor privado estão mais fracos;
  • Medidas de inflação permanecem abaixo da meta de 2,0%;
  • Cenário doméstico e internacional permanece incerto;

Comentários adicionais:

  • O comunicado da última decisão deixa claro que ajustamentos adicionais nas taxas de juros dependerão da evolução das condições da economia americana e mundial;
  • Com base nos movimentos de compra e venda de títulos da dívida do governo dos EUA, o mercado espera, com 86% de probabilidade, que os juros se mantenham no atual patamar na próxima reunião, a ser realizada em dezembro. Apenas 14% embute um novo corte de 0,25 ponto percentual, de acordo com o CME Group.