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JUNHO, 2020

Notícias

Relatório FOCUS: as últimas previsões para a economia brasileira

As previsões para o PIB do Brasil em 2020 caíram pela décima sexta semana consecutiva. Agora, o  consenso de mercado não espera mais uma queda de -5,89%, mas de -6,25%. Caso esse cenário venha a se concretizar, a atividade econômica nacional estará aquém, inclusive, do verificado no término de 2010. Logo, na década entre 2011 e 2020, o crescimento médio anual somará -0,04%. Além disso, a distância para o maior valor da série histórica, em 2014, será de -9,2%. Consequentemente, necessitaremos avançar +10,2% apenas para devolvermos as perdas acumuladas desde então. Por sua vez, a variação para 2021 permaneceu em +3,50%.

As demais variáveis sofreram poucas alterações ao longo dos últimos sete dias. No tocante às perspectivas para a inflação, o IPCA antevisto para 2020 está em +1,55%, refletindo a limitada margem de manobra dos empresários em repassar quaisquer acréscimos de custos atrelados (i) aos bens finais e insumos importados; (ii) à disrupção cadeias de produção locais. A causa desse fenômeno se deve à retomada lenta e gradual entre 2017 e 2019, combinada com o quadro atual de fortíssima recessão. Já o Índice de Preços ao Consumidor Amplo para 2021 é de +3,10%, ou seja, cada vez mais longe da meta de +3,75% estipulada para o ano que vem.

Essa panorama confere espaço para que a política monetária de estímulo à renda e ao emprego siga por ainda mais tempo, através da manutenção da SELIC abaixo do seu patamar neutro. A expectativa é de que a taxa básica diminua 0,75 ponto percentual na próxima reunião, a ser realizada entre 16 e 17 de junho, para 2,25% ao ano. Ademais, a trajetória futura indica a conservação desse nível até julho de 2021.

A cotação cambial deve encerrar 2020 em R$ 5,40, ao passo que o resultado primário (diferença entre receitas e despesas, excetuado os juros, correções e amortizações de empréstimos da União, estados e municípios) totalizará -8,00% do PIB. Cabe lembrar que esse número é menos pior do que aquele calculado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), de -9,6% do PIB. Ao conjugarmos essa projeção com as estatísticas do tamanho aferido da crise e da taxa real de juros, a dívida bruta como proporção do PIB aumentará em mais de 15 pontos percentuais: algo que não aconteceu desde o começo do levantamento do Banco Central, em 2002.

 

Análise do CAGED – janeiro a abril de 2020

Comentários gerais: o ano de 2020 começou com bons desempenhos para a geração de trabalho com carteira assinada no Brasil. O número de janeiro (+113.155) foi o melhor para o período desde 2012 (+180.630), enquanto que fevereiro (+224.818) foi o mais alto em 6 anos. A evolução do bimestre, portanto, era condizente com uma aceleração, ainda que modesta, do processo de retomada da economia verificado entre 2017 e 2019, além dos efeitos positivos da terceirização irrestrita (incluindo as atividades-fim) e da reforma trabalhista.

Contudo, a pandemia do novo coronavírus mudou drasticamente essa trajetória, a partir da instauração do distanciamento social para conter o avanço da contaminação e da letalidade. Diante do fechamento de diversos estabelecimentos, março (-240.702) e abril (-860.503) registraram os recordes negativos da série histórica. Chama a atenção o fato de que o acumulado nesses dois últimos meses (-1.101.205) praticamente devolveu os ganhos entre 2018 e 2019 (+1.190.524).

Sem os programas de manutenção de empregos ofertados pelo governo federal, as evidências apontam que o panorama poderia ter sido ainda pior. Entre abril e 26 de maio, 8,15 milhões tiveram seu contrato suspenso, redução de carga horária com diminuição proporcional de salários (ambos os casos com o recebimento de um auxílio para a complementação da renda) ou a aplicação de jornada intermitente. Trata-se de, aproximadamente, um quarto da ocupação formal no setor privado brasileiro.

Apesar da tendência declinante constatada nas últimas semanas das requisições, não é possível afirmar que o mercado de trabalho já realizou toda a correção. Existem grandes incertezas no tocante à COVID-19, e dos seus impactos sobre a demanda, o comportamento do consumidor, entre outras questões. Ademais, o emprego responde com defasagem ao PIB, por conta das rigidezes nas contratações e desligamentos de mão de obra.

No caso do Rio Grande do Sul, foram 53.122 demissões líquidas contabilizadas no primeiro quadrimestre de 2020, de modo que esse montante compensa o somatório entre 2018 e 2019 (+40.937). No ranking nacional, nosso estado apareceu na quinta colocação, atrás de São Paulo (-227.670), Rio de Janeiro (-125.154), Minas Gerais (-76.957) e Pernambuco (-53.550).

 

Análise do PIB do Brasil no primeiro trimestre de 2020

Visão geral: o PIB do Brasil caiu -1,5% em relação aos três últimos meses de 2019, na série com ajuste sazonal, de acordo com o IBGE. Trata-se do resultado mais fraco nesse comparativo desde o segundo trimestre de 2015 (-2,1%). Logo, o nível da atividade econômica é similar ao verificado entre abril e junho de 2012, e está 4,8% abaixo do pico registrado no primeiro trimestre de 2014. Sobre igual período de 2019, houve queda de -0,3%: algo que não acontecia desde o quarto trimestre de 2016.

Pela ótica da oferta, a agropecuária ajudou a evitar uma retração ainda mais acentuada, em função do crescimento de algumas safras, como a da soja. Por sua vez, a indústria e os serviços sofreram perdas. No caso do setor secundário, a diminuição foi de apenas -0,1% frente aos três primeiros meses de 2019, e se deve à pequena base da extrativa mineral, fruto da tragédia de Brumadinho. Já para o ramo terciário, o comércio (atacado e varejo) performou em ritmo superior à média das demais categorias.

No tocante à demanda, o consumo das famílias, principal motor do PIB, foi o grande destaque negativo: a taxa de -2,0%, ante o período imediatamente anterior, foi a pior desde o terceiro trimestre de 2001. Os gastos do governo conservaram sua dinâmica pré-crise do novo coronavírus, em linha com o dispositivo constitucional que limita a ampliação das despesas primárias acima da inflação. Ao mesmo tempo, a formação bruta de capital fixo (investimentos) manteve a trajetória de expansão, ainda que irregular, por conta da elevação das importações de equipamentos para o setor de petróleo e gás.

Pelo lado do setor externo, as exportações responderam ao início do processo de deterioração da procura pelas nossas mercadorias, acompanhando o movimento global, enquanto as importações prosseguiram em alta.

De uma maneira geral, os indicadores mensais mostram que, até fevereiro, a economia vinha sustentando a recuperação lenta e gradual, iniciada em 2017. Todavia, a partir da segunda quinzena de março, as medidas de isolamento social, adotadas para conter a disseminação e a letalidade do novo coronavírus, determinaram um choque negativo de oferta que, rapidamente, deprimiu a demanda. Além disso, as incertezas no que diz respeito à situação atual e ao futuro aumentaram consideravelmente.