Entidades empresariais contestam fechamento do comércio na bandeira vermelha

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JUNHO, 2020

Notícias

Restrições para 44 municípios do Estado começam a valer nesta terça-feira

 

O aumento das restrições para a abertura de empresas durante a vigência da bandeira vermelha em cinco regiões do Rio Grande do Sul, dentro do modelo de distanciamento controlado estabelecido pelo governo do Estado, é recebido com críticas pelas entidades empresariais gaúchas. Dirigentes do comércio e do setor de serviços, atividades que serão mais atingidas pela medida a partir desta terça-feira (23), avaliam que a nova paralisação pode ser fatal para uma série de empresas que já vinham com problemas no fluxo de caixa. 

Com a migração da bandeira laranja para a vermelha, 44 cidades nas regiões de Porto Alegre, Canoas, Novo Hamburgo, e Capão da Canoa terão de fechar o comércio e restringir a prestação de serviços não essenciais. O número passava de 100, mas o governador Eduardo Leite abriu a possibilidade das restrições serem flexibilizadas em dois terços dos municípios sob a bandeira. A indústria poderá seguir funcionando, com uso de 50% do quadro de funcionários ou de até 75% da mão de obra nas atividades essenciais. 

O presidente da Federação do Comercio de Bens e Serviços do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), Luiz Carlos Bohn, avalia como equivocada a decisão de fechar todo o comércio durante a bandeira vermelha. O dirigente ressalta que os lojistas vinham tomando cuidados em relação ao distanciamento e ao uso de equipamentos de proteção individuais (EPI) durante os atendimentos. Segundo Bohn, mais demissões e fechamentos de empresas podem ocorrer por causa da paralisação total das atividades.

– Não somos contra controles de disseminação da pandemia, mas não existe nenhuma evidência de que é a abertura do comércio que provoca o aumento no ritmo de contágios – aponta, ao ponderar que aglomerações estão acontecendo em outros locais das cidades.

Na Capital, muitos lojistas já fecharam as portas nesta segunda, seguindo ao novo decreto municipal. As diferentes diretrizes previstas nos decretos do Estado e da prefeitura vêm causando confusão entre os empresários, diz o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), Irio Piva.

– Temos uma situação estadual e outra municipal, e isso faz com que o pessoal demore a entender. A falta de previsibilidade acaba sendo tão ruim quanto a paralisação para o setor – salienta Piva. 

O aumento das restrições à abertura das lojas em Porto Alegre vinha sendo questionado na Justiça na semana passada pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS). Com o novo decreto municipal, o presidente da FCDL-RS, Vitor Augusto Koch, considera que a ação pode ter perdido mérito. No entanto, o dirigente enfatiza que nova medida jurídica poderá ser tomada nos próximos dias. Ainda assim, Koch ressalta que a orientação é que os lojistas sigam à legislação estadual a partir desta terça.

– Estamos sendo cerceados das nossas atividades sem direito a fazer um contraponto. Essa situação gera um problema muito grande. As pessoas não conseguem atender aos seus compromissos financeiros e estão vendo os negócios escorrendo pelas mãos – aponta Koch, criticando a falta de ações do Estado durante a crise, como o adiamento do pagamento de impostos estaduais e disponibilidade crédito para as companhias.

Fonte: Site GaúchaZH – Economia

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A CDL Porto Alegre reafirma seu compromisso em acolher as necessidades dos varejistas, auxiliando-os a transpor os entraves da disseminação do coronavírus. A Entidade tem a convicção de que a unidade do setor fará grande diferença neste momento tão delicado e de apreensão para todos. Com a atenção e a disponibilidade de cada empresário, para fazer a sua parte, o setor sairá ainda mais forte desta crise.