Empresas adaptam estratégias para vencer restrições de venda

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MARÇO, 2020

Notícias

Entre as ações estão reforço no comércio digital e até mudança no escopo do negócio.

 

Obrigadas a fechar para o atendimento ao público ou restringirem suas operações em razão da pandemia do coronavírus, médias e grandes empresas de Porto Alegre e da Região Metropolitana têm reformulado suas estratégias na tentativa de amenizar as perdas financeiras. Reforço nas ações de comércio digital, mobilização nas equipes de telentrega e até mudança no escopo do negócio têm sido táticas colocadas em curso para conseguir algum faturamento nos tempos de crise.

A rede de vestuário Pompéia fechou suas lojas na última sexta-feira e, desde então, reforçou suas campanhas por redes sociais. Reativou seu canal no YouTube com dicas de bem-estar e atividades caseiras e passou a publicar diariamente material semelhante em seus perfis no Facebook e no Instagram, onde também apresenta seus produtos. Também ampliou a divulgação dos canais digitais para recebimento de pagamento das compras parceladas.

– O mais importante neste momento é a comunicação, conseguirmos estar próximos de nossos clientes e colaboradores, até como uma forma de prestar apoio em um cenário de tanta apreensão – explica Carmem Ferrão, superintendente do Grupo Lins Ferrão, que abrange as empresas Pompéia e Gang.

O recente lançamento da linha outono-inverno, que geralmente envolve um movimentado desfile de moda no Teatro da Unisinos, neste ano foi transmitido remotamente, por vídeo, e sem a presença de funcionários ou convidados na plateia. A expectativa é de que o contato com os clientes ajude a alimentar as encomendas online em tempos de comércio fechado.

Além disso, a estratégia também busca minimizar o risco de não pagamento de boletos de compras por dificuldade de locomoção dos clientes até unidades da Pompéia, já que em muitas cidades o varejo está impedido de funcionar normalmente.

Indústria também passa por ajustes

Estratégia semelhante é adotada pela rede de material de construção Elevato, com 10 unidades no Estado. Para evitar a perda de todo faturamento no período de fechamento, a empresa manteve equipes de pronta entrega de mercadorias.

Os profissionais de atendimento pelo site e televenda receberam equipamentos para trabalhar em casa, de forma a registrar pedidos e ajudar consumidores que estão com problemas residenciais.

– Temos uma limitação de entrega porque não podemos colocar muita gente no centro de distribuição. Mas, dentro do possível, temos atendido aos pedidos, principalmente de produtos de primeira necessidade, como torneiras – explica o diretor da Elevato, Irio Piva.

Tanto a Elevato quanto a Pompeia liberaram provisoriamente os atendentes de lojas para que permaneçam em casa e mantenham as atividades administrativas por home office. No caso da Elevato, foi colocada em curso a compensação de banco de horas e foram concedidas férias a boa parte dos funcionários. Renegociações com fornecedores foram feitas para alongar prazos de pagamento.

– Nossa preocupação é manter um caixa razoável para que possamos, pelo menos, pagar os salários – reforça Piva.

Em razão de seus setores de atuação, parte das empresas conseguiu readequar a produção para atender a área da saúde. A Colmeia Containers, de Esteio, com 28 anos de atuação, seguiu esse caminho quando os canteiros de obras da construção civil foram paralisados.

– Quando veio a notícia do agravamento da situação no Brasil, entramos em contato com a prefeitura para doar algumas unidades que poderiam ser transformadas em locais emergenciais de atendimento. Ganhamos experiência para trabalhar com outros setores em meio a essa crise – afirma Julio Delfino, da Colmeia.

Nos últimos dias, a empresa recebeu encomendas de uma grande rede de supermercados do Estado, preocupada em ter mais locais para estocar alimentos, e de três hospitais. Os contêineres de atendimento ganharam pias e tomadas para receber leitos hospitalares. Apesar do novo segmento de negócio, a empresa está longe de encontrar o faturamento que tinha. Se antes eram produzidos 15 contêineres por dia, agora são feitos apenas dois.

– Em nossa unidade do Rio de Janeiro, já demos folga para os 10 funcionários e, por aqui, onde há 30 colaboradores, teremos que fazer o mesmo se as coisas não melhorarem – diz Delfino.

Fonte: Jornal Zero Hora – edição impressa de 25 de março de 2020 / Site GZH

 

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A CDL Porto Alegre reafirma seu compromisso em acolher as necessidades dos varejistas, auxiliando-os a transpor os entraves da disseminação do coronavírus. A Entidade tem a convicção de que a unidade do setor fará grande diferença neste momento tão delicado e de apreensão para todos. Com a atenção e a disponibilidade de cada empresário, para fazer a sua parte, o setor sairá ainda mais forte desta crise.