Comércio da Região Metropolitana poderá retomar as atividades

01

MAIO, 2020

Notícias

Governador Eduardo Leite anunciou que ‘decreto transitório’ vai permitir que prefeitos liberem mais atividades econômicas para o funcionamento.

 

O governo do Estado lançará ao longo do dia de hoje novo decreto com regras a serem adotadas por algumas atividades econômicas. Segundo antecipou o governador Eduardo Leite, desta vez as normas serão transitórias, com vigência até a publicação da norma que definirá o distanciamento social controlado no Rio Grande do Sul. Na prática, estas novas regras devem valer apenas durante a próxima semana. E será justamente no período que antecede o Dia das Mães que os prefeitos da Região Metropolitana de Porto Alegre poderão liberar o funcionamento do comércio em geral mediante justificativa. “Entendemos que o comércio pode e deve ter, minimamente, condições de extrair alguma receita com a data comemorativa, porque projetamos conviver com esse cenário de restrições por um longo período”, explicou o governador.

Ao mesmo tempo que as novas regras devem afrouxar o controle na Região Metropolitana, nas regiões dos Vales e Norte, onde Lajeado e Passo Fundo concentram elevado número de contágio bem como de leitos ocupados, as restrições passam a ser mais duras. A medida abrange o total de 99 cidades. Mas também nessas áreas será aberta uma exceção em virtude do Dia das Mães. O decreto permitirá a possibilidade de compras via drive thru, take away (pague e leve) e delivery, mesmo nas cidades dos Vales e do Norte gaúcho. Depois de Porto Alegre, as cidades de Passo Fundo e Lajeado são as que reúnem o maior número de casos e óbitos pela Covid19, com respectivamente 11 e 5 mortes ante 15 reportadas na Capital – de acordo com balanço da noite de ontem. Em relação aos casos positivos, Passo Fundo tinha, também até a noite de ontem, 159 notificações, sendo 24 novos casos em 24 horas; e Lajeado, 101 pacientes com testes positivos ao vírus, 17 deles reportados apenas ontem.

O novo decreto ainda trará a obrigatoriedade do uso de máscaras no transporte público estadual – ônibus e trem –, incluindo o transporte individual feito por táxis e carros de aplicativos. A liberação de funcionamento de centros de formação de condutores e a ampliação da capacidade de frequentadores de missas, templos e cultos ficarão definidas de acordo com os protocolos estabelecidos por segmentação regional e de setor econômico. Por enquanto, valem as regras até então definidas pelo Estado.

NOVO MODELO. Conforme antecipado ontem pelo Correio do Povo, o projeto de distanciamento social controlado, que deve ser implementado a partir de 6 de maio, prevê medidas de controle levando em consideração a propagação do vírus e a capacidade de atendimento em 20 regiões do Estado. Estas áreas foram agrupadas com base nos hospitais de referência para leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Na prática, o distanciamento social controlado irá ditar as regras de convivência à população e de atuação aos setores econômicos. Com base nestes dois critérios, cada região será representada por bandeiras que servirão de indicadores de riscos: amarela (menos intensidade), laranja, vermelha e preta (maior intensidade). A atualização do status de cada região será semanal, sempre aos sábados.

 

Capital também terá flexibilização

A partir da sinalização do governo do Estado de que prefeitos da Região Metropolitana voltaram a ter o direito de tomar decisões de flexibilização a partir dos decretos municipais, justificando a situação epidemiológica local, o prefeito Nelson Marchezan Júnior também prepara novas diretrizes para a liberação de mais atividades econômicas em Porto Alegre. A autonomia para os prefeitos ocorre após as primeiras análises do novo modelo de distanciamento social controlado, detalhado ontem pelo governador Eduardo Leite. Na avaliação de momento, a Região Metropolitana apresenta bandeira laranja, a segunda de uma escala de quatro cores de risco. Este cenário, sinalizou Leite, permitiu que os municípios da Grande Porto Alegre recebessem a autorização para a flexibilização das regras.

Um novo decreto foi debatido pela equipe da prefeitura ao longo de todo o dia de ontem. A proposta é que ocorra uma liberação gradual de mais atividades na cidade. Nos últimos dias, setores da construção civil e da indústria iniciaram a retomada do trabalho, com a inclusão de mais protocolos de segurança que visam a diminuição do risco de contágio. A liberação também deverá abranger parte do comércio. A preocupação, tanto do governo do Estado quanto do município, é com o período que antecede o Dia das Mães, segunda data mais importante para o comércio no ano, perdendo apenas para o Natal. As novas diretrizes deverão ser publicizadas hoje pela prefeitura.

 

Possibilidade de reabertura é festejada por entidades

Entidades que representam o comércio comemoraram possibilidade de uma abertura gradual de lojas e estabelecimentos na Capital e na Região Metropolitana a partir do cumprimento de uma série de exigências estabelecidas pelo governo gaúcho. O Sindilojas informa que as entidades mantem tratativas com governo e prefeituras para efetuar a reabertura de alguns setores mediante cumprimento de protocolos de higiene. Presidente do Sindilojas, Paulo Kruse, explica que a entidade já encaminhou uma série de informações sobre o comércio da Capital e de Alvorada e ressalta que o Dia das Mães é a segunda data mais importante para o varejo.

Segundo o dirigente, o setor está preparado para adotar as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e voltar a funcionar gradualmente. “A abertura não será da mesma forma, estamos conscientes disso. O prefeito está sensível e aborrecido com o que está acontecendo, mas está recebendo dados da gente a toda hora para que possa tomar a melhor decisão”, observa. Além de reconhecer que o momento exige cuidado redobrado da população e do comércio, Kruse garante que os lojistas estão conscientes da necessidade de reforçar as ações preventivas junto a funcionários e ao público para evitar a disseminação do novo coronavírus.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre aprovou a sinalização de reabertura gradual do comércio. Para o presidente da CDL, Irio Piva, a manifestação da prefeitura e do governo traz um alento ao setor justo no mês em que se comemora o Dia das Mães. Ele avalia que o período de enfrentamento à pandemia no Rio Grande do Sul serviu para conscientizar parte da população sobre a necessidade de adotar medidas preventivas, como uso de máscaras. Piva afirma que os números de leitos disponíveis na Região Metropolitana “estão bons”, uma vez que existem poucos leitos ocupados por pacientes diagnosticados com Covid-19.

Piva afirma que o prefeito está sensível à demanda do setor. “Será uma volta lenta à normalidade, gradual, do jeito mais responsável. Que não seja tudo de uma vez”, observa. O dirigente frisa que a categoria entregou documento com compromissos assumidos pelos lojistas. “A orientação para atendimento é para que os funcionários trabalhem de máscara e o estabelecimento mantenha à disposição álcool gel na entrada”, destaca. Se for necessário, as lojas poderão disponibilizar máscaras aos consumidores. “Todos somos responsáveis pela saúde das pessoas”, ressalta.

A Federasul avalia que os novos protocolos e decretos de distanciamento controlado atende os pedidos da entidade e estanca o colapso econômico. A presidente Simone Leite garante que a entidade sempre defendeu a necessidade de observar as condições de cada comunidade ou região para permitir a atividade econômica. “O que sempre criticamos foram as decisões de isolamento horizontal, colocando os negócios e a economia de todo Estado à míngua”, afirma.

A Fecomércio informa que as restrições serão proporcionais ao grau de segurança de cada setor e à relevância da atividade. O presidente Luiz Carlos Bohn ressalta que entre as solicitações estão a liberação dos provadores de roupas nas lojas das regiões que têm uma classificação de risco mais branda e a inclusão de mais atividades essenciais.

 

“O prefeito está recebendo dados da gente a toda hora para que possa tomar a melhor decisão”, Paulo Kruse Presidente do Sindilojas.

” Será uma volta lenta à normalidade, gradual, do jeito mais responsável. Que não seja tudo de uma vez”, Irio Piva Presidente da CDL

 

Ocupação cresce no Trensurb

Antes da pandemia do novo coronavírus, o Trensurb transportava 160 mil pessoas por dia, número que teve uma queda brusca logo nos primeiros dias das medidas de isolamento adotadas pelos governos municipais e estadual. Nos primeiros dias de isolamento foram cerca de 70 mil passageiros/dia, número que chegou a 27 mil/dia na primeira semana. Com o passar dos dias e afrouxamento das regras os passageiros foram voltando, com crescimento médio de mil passageiros a mais por dia. Na quarta-feira, 49,7 mil pessoas utilizaram o trem.

Ontem foi o primeiro dia que os passageiros foram orientados a utilizar as máscaras de prevenção. “Não podemos obrigar, somos uma operadora de serviço, nossa recomendação está forte nas estações”, afirma o diretor-presidente da Trensurb, Pedro Bisch Neto. Nas estações o que se viu foi uma grande parcela dos usuários utilizando o item de prevenção. Neto afirma que, apesar do crescimento no número de usuários, não tem acontecido concentração de pessoas dentro das composições.

“Estamos mantendo o um nível de atividade muito bom, o que me dá segurança em dizer que não há aglomeração.” Diferente da Trensurb, o Sindicato dos Metroviários do RS (Sindimetrô), tem uma visão diferente: “Temos acompanhado com preocupação, a semana inteira dobrou o número de usuários. É impossível manter o distanciamento assim”, diz o presidente do Sindicato, Luis Henrique Chagas.

 

Movimento calmo no drive-thru

Quem procurou o drive thru de vacina da gripe instalado pela Ufrgs encontrou um movimento tranquilo e sem filas, diferente dos primeiros dias de imunização. As doses foram aplicadas no estacionamento de uma lanchonete na esquina das avenidas Ipiranga com Silva Só, próximo ao Campus da Saúde da Universidade. Embora o movimento tenha sido contínuo, o fluxo de carros foi bem menor do que nos outros dias, quando filas foram formadas com pessoas querendo se vacinar.

Desta vez as doses foram destinadas a doentes crônicos, público alvo desta etapa de vacinação, que precisaram apresentar comprovação médica para receber a dose. Ao todo, a Ufrgs recebeu 2 mil doses, e pela manhã estava aplicando cerca de 50 por hora. Na edição anterior, foram 1,6 mil doses em seis horas de atendimento, uma média de 266 vacinas por hora.

Professora da Escola de Enfermagem, Deise Lisboa Riquinho, acredita que a busca menos acentuada é consequência da procura pela vacina nos primeiros dias. “Hoje está bem mais tranquilo que nos outros dias. Isso se deve ao fato que boa parte do público já foi vacinado, como os idosos por exemplo, que foram quase todos imunizados.” Como a vacinação acontece de forma escalonada, com grupos iniciando a imunização em diferentes momentos, ao chegar na parte final a Campanha tem menos procura. Em todo o RS já foram vacinadas 2,2 milhões de pessoas, 44,4% do público-alvo.

 

Um Dia do Trabalhador atípico

Este feriado do Dia do Trabalhador será diferente em função da pandemia, com ainda menos serviços à disposição. Os ônibus estarão operando com 35% da capacidade em relação a um feriado antes da crise, com tabela horária de domingo e algumas linhas canceladas. A tabela do feriado será disponibilizada nos canais oficiais e no site da EPTC. Já o Trensurb irá operar com intervalos de 30 minutos entre um trem e outro. Quem optar por viajar não vai se deparar com ações especiais de patrulhamento nas estradas federais, mas em compensação, em áreas do Litoral Norte e da Serra, a circulação de pessoas estará restrita em locais públicos.

Os supermercados abrem de acordo com negociação entre empresas e funcionários. Os bancos não estarão funcionando. Já as contas com vencimento marcado para o dia 1° poderão ser pagos no próximo dia útil sem incidência de multa. A Caixa Econômica Federal também estará fechada nesta sexta-feira, mas amanhã vai abrir cinco agências da Capital para prestar atendimentos essenciais. Nas estradas estaduais, o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) também informou que vai seguir atuando normalmente na sua jurisdição. Quem viajar de ônibus para outra cidade, segundo o chefe de operações da Estação Rodoviária, Jorge Rosa, as empresas manterão a operação mínima dos serviços, sem oferta de mais carros.

No Aeroporto Salgado Filho serão somente cinco decolagens e cinco chegadas, número pequeno em razão da malha emergencial e não do feriado. Mas eventuais mudanças podem ocorrer em função de ajustes das próprias companhias aéreas, lembra a Fraport, que administra o terminal. Quem pensa em escapar para o Litoral Norte não terá alívio no distanciamento e isolamento social. Segundo o prefeito de Imbé e presidente da Associação dos Municípios do Litoral Norte (Amlinorte), Pierre Emerim, a faixa de praia estará interditada. “Iremos fiscalizar para que não utilizem a faixa de praia e iremos cobrar as máscaras”, alerta.

Na cidade que ele administra, o uso de máscara para circular nas ruas também passou a ser obrigatório desde ontem. Situação semelhante também para quem resolver subir a Serra. Em Gramado, segundo a prefeitura, parques privados e praças públicas estarão fechadas. Também poderão ocorrer abordagens para evitar aglomerações e recomendar também o uso de máscara.

Fonte: Jornal Correio do Povo – Edição impressa em 01/05/2020.

 

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A CDL Porto Alegre reafirma seu compromisso em acolher as necessidades dos varejistas, auxiliando-os a transpor os entraves da disseminação do coronavírus. A Entidade tem a convicção de que a unidade do setor fará grande diferença neste momento tão delicado e de apreensão para todos. Com a atenção e a disponibilidade de cada empresário, para fazer a sua parte, o setor sairá ainda mais forte desta crise.